sexta-feira, 7 de agosto de 2015

TRISTEZA TRANCAFIADA

TRISTEZA  TRANCAFIADA
                                                      (Vera Popoff)

Levantei um muro alto
Tranquei portas e janelas
Para a tristeza não entrar
Mas esqueci de arrancá-la
de dentro do coração
E impiedosa , atirá-la ao chão!
Ela entrou...dentro do peito
Agora, não acho jeito
de livrar-me da malvada
que machuca, fere e sangra,
como sombra desalmada!

Vergada ao peso das lágrimas
Estou bem trancafiada
Carregando o infortúnio
da mágoa tão bem marcada!
Debalde, agora procuro
a graça da salvação!
Oh, meu Deus, tem piedade
tira-me da cruel prisão!

ALFABETIZADA

ALFABETIZADA
                                     Vera Popoff

Aprendi a ler
Agora, novamente alfabetizada
estou muito mais desarmada.
Entendo a leitura , não vivo traumatizada.
Boataria , ofensas e baixaria
Viram versos, na sua maioria
Falas inúteis, pedradas de lá e de cá
Transformo em frases cômicas.
A  alma já não fica atônita !

Aprendi a ler...
Desde então, já não fico raivosa.
As palavras lidas , relidas
são passadas numa peneira
Escorrem no ralo, as asneiras!

Leio com piedade e perdão
Quando o assunto é bobagem, sem dosagem,
               mudo a voltagem
Faço uma grande viagem, na imaginação!
Se fico em desvantagem, não ligo!
Não costumo tirar vantagem
em  nenhuma situação!
Quem sabe, nas entrelinhas
fazendo uma boa triagem
fica uma boa idéia, ou bela
    figura de linguagem!

FALSIDADE

FALSIDADE
                                 Vera Popoff


Tantas linhas lhe escrevi
Mas em todas, eu menti
Jurei amor de verdade
Mas foi dura falsidade
Pois jamais amei assim!

Dos beijos, um a um, beijados
Todos foram fingimento
Perdoa o mau comportamento
Pois os beijos sem amor
São como rosa  sem perfuma
E dor sem nenhum queixume!

As juras que lhe jurei
Foram juradas em falso
Não mereço o cadafalso
Pois foi a mim que enganei!
Quem jura amor e não ama
Padece de grave doença
Pensa que sente e não sente
Sente o que , na verdade, não pensa!

Por tudo lhe peço perdão
O castigo é bem merecido
De amargar a solidão
Mas um amor mal amado
Não pode chegar ao noivado
Na raiz deve ser cortado!

SONATA AO LUAR (Beethoven)

SONATA AO LUAR  (Beethoven) (Para Ana Maria Morotti Guadanucci)
                                       Vera Popoff

Seu piano é a sua sala
Seu coração é o seu teclado,
branco e preto, os tons , semitons!
Que notas tão sensitivas!
A musica voa ... à deriva
A escala iniciada com o Lá
dedilha na alma, a beleza de
qualquer sinfonia ou sonata,
Basta que a imaginação voe ao  FÁ!
Nunca lhe faltam o" brilho e a luz"
Da linda   SONATA AO LUAR,
Fantasia , onde Beethoven,
retrata o banho na terra, da maravilha lunar!
O que almejar mais, da vida?
Se tens  no peito, um piano?
Se dedilha  o seu coração?
E  a Sonata ao Luar ressoa na imaginação?

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

BOM DIA, MEU PAI!

BOM DIA, MEU PAI!
                                         Vera Popoff

Bom dia, meu pai!
Hoje é domingo, lembrou-se?
Sente o aroma, tem cidreira no ar!
O almoço está mais gostoso
Tem assado na panela
Vaso de flor na janela
A sobremesa é doçura
com calda de caramelo!
Nossa conversa trasvasa
É boa, é animada
No domingo, pode até ser demorada!
O enredo é uma viagem
Entrego-me aos seus cuidados!
Daremos tantas risadas
Que visita abençoada!
A árvore lá do quintal
ainda abriga os sonhos,
os planos tão bem traçados,
os caminhos projetados!
Á tarde , tem futebol
Troquei a pilha do rádio.
No "crepúsculo do jogo"
Gritaremos :-GOL! GOL! GOL!
No jantar, a leve sopa esperada
A canja muito apreciada!
O brinde com vinho tinto!
Ainda há o quente café
Um meigo olhar e a nossa fé!
Não se despeça ainda
Coloca-me na macia cama
Nossa viagem segue
A ilusão é uma acesa chama!
Quero dormir olhando seu rosto.
Não se vá ! O escuro ainda me assusta!
Segura firme a minha mão
Enxerta o seu amor no meu coração!
Diga-me :-Deus abençoe!
Seu presente é o meu sorriso
quando me aconselha o juízo.
Assim que eu pegar no sono
Aciona suas asas de anjo
Aproveita a beleza da lua
e sai voando, olhando a nossa rua!

Não esqueça do beijo enviado
Com saudade e amor dobrado
Na face da minha mãe!!

BOCA SILENCIADA

BOCA SILENCIADA

                                     Vera Popoff
Sem poesia e sem ironia...
A boca está cansada
A palavra está guardada
A mente está , como sempre, agitada!
Como dizia um amigo
que praticava a filosofia
sentado no bar da esquina:
"-Quando a palavra esgota
o melhor é silenciar a boca, mas...
nunca silencia a tua alma!"
Entendi o recado, boca silenciada
E a alma:-AI, que delícia... extravasada!

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

NOSSO SÁBADO

NOSSO SÁBADO
                                    Vera Popoff

.
Num sábado de correria e movimento
Quando marquei cada olhar, cada momento
Caminhadas, compras, olhares atentos
Vivemos um dia de muito cansaço, mas
quanto contentamento!
O delicioso almoço das Arábias
Muito riso e o doce enroladinho
Berinjelas, folhas de uvas, quibes e coalhadas
E o prazer dentro do peito, guardadinho!
Manicures, a rotina indo para o espaço
Elevo o pensamento ao céus presentes
E já sinto no peito as suas ausências!
Mas sei , a cada dia, fortalecemos mais
os laços!.