O CARNAVAL PASSOU
Vera Popoff
O carnaval passou?
Não vi e nem percebi!
Esperei o carnaval chegar
e esqueci de abrir a janela
adormeci sem sentinela
perdi minha serpentina
não costurei fantasia
e nem bordei o ponto da alegria!
Não faz mal...
Sonhei ...fantasiada de camponesa
A minha paisagem era
a pura visão da beleza
Os confetes eram pétalas
salpicadas pelo chão.
O príncipe tinha um cravo na lapela
Nos meus cabelos, uma flor amarela
Meu bloco passou na alameda das flores
Jamais imaginei uma visão tão bela!
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
MINHAS ALMAS
MINHAS ALMAS
Vera Popoff
Vagam minhas almas por ares diversos
Dez delas, ou mais ,ou menos...
Uma apenas , sei que não!
Sinto tantas delas com energias
se contrapondo, expondo-se por
caminhos estranhos entre si!
Uma mais leve , esvoaçante e solta
Outra tão pesarosa e amarrada em si
mesma!
Mais outra enraizada , apegada, limitada,
e ainda aquela pecaminosamente
apaixonada e volúvel!
A comportada e alimentada de sensatez
N'outra a insensatez desvairada, pendurada
no penhasco das ilusões!
Das tantas almas que tenho
E as tenho , sem preferências !
Tiro-as da caixa do peito, conforme
o humor do dia, a dor que dói ou alivia.
Interferem , na alma em encenação,
os temores desastrosos
as saudades perigosas
os sonhos que me sustentaram
o alcance dos voos
a graça das flores
a intensidade dos meus fervores
a pena padecida
a ira acordada
a suavidade da mansidão
a capacidade ou não do perdão!
Tantas , numa só!!
Mil verdades misturadas
e mentiras desencontradas
Fervilhantes olhos de enxergar
Cegueiras no pensamento
Fantasias desativadas
Escolhas tão enganosas
paixões malucas e duvidosas...
Quando uma alma acorda
as outras adormecem
Enquanto uma se expõe
as outras escondem-se...
esperam o seu momento para
entrarem em ação!
Vera Popoff
Vagam minhas almas por ares diversos
Dez delas, ou mais ,ou menos...
Uma apenas , sei que não!
Sinto tantas delas com energias
se contrapondo, expondo-se por
caminhos estranhos entre si!
Uma mais leve , esvoaçante e solta
Outra tão pesarosa e amarrada em si
mesma!
Mais outra enraizada , apegada, limitada,
e ainda aquela pecaminosamente
apaixonada e volúvel!
A comportada e alimentada de sensatez
N'outra a insensatez desvairada, pendurada
no penhasco das ilusões!
Das tantas almas que tenho
E as tenho , sem preferências !
Tiro-as da caixa do peito, conforme
o humor do dia, a dor que dói ou alivia.
Interferem , na alma em encenação,
os temores desastrosos
as saudades perigosas
os sonhos que me sustentaram
o alcance dos voos
a graça das flores
a intensidade dos meus fervores
a pena padecida
a ira acordada
a suavidade da mansidão
a capacidade ou não do perdão!
Tantas , numa só!!
Mil verdades misturadas
e mentiras desencontradas
Fervilhantes olhos de enxergar
Cegueiras no pensamento
Fantasias desativadas
Escolhas tão enganosas
paixões malucas e duvidosas...
Quando uma alma acorda
as outras adormecem
Enquanto uma se expõe
as outras escondem-se...
esperam o seu momento para
entrarem em ação!
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
JARDINEIRA
JARDINEIRA
Vera Popoff
A boa mão na terra
O suor na testa
A alma em festa
Uma ave liberta e avoada...
Cem poemas decorados
Pensadores consultados
A gramática aplicada
Para virar jardineira?
A terra, a muda , a semente
O coração confirma e consente
-Tu és uma jardineira!!
A página do livro, no mesmo lugar,
esquecida!
Descartado o dicionário,
o substantivo, adjetivo,
verbo transitivo, intransitivo,
Esqueça o acordo ortográfico
Mira o chão, que te basta!
O sol , a sombra, água na proporção
Concentra a tua admiração
no fruto e sua maturação.
Tua asa não irá além da árvore adotada,
ou da flor aveludada, da ternura semeada.
Reges o teu jardim, ó jardineira!
Tu és a maestrina das tuas flores,
das asas que te sobrevoam , dos beija-flores!
O teu romantismo resume-se
nos esmerados botões,
que se abrirão amanhã!
O teu modernismo
é a planta sem modismo.
A terra, a água , o sol,
o clarão na tua pele...o arrebol!
O teu reconhecimento
Não vem dos teus dons literários
nem da tua conta bancária,
mas da flor desabrochada
e do fruto adocicado!
A tua sabedoria é a germinação,
a brotação, a data da floração,
o solo analisado com retidão.
Choverá no teu jardim,
apesar da dúvida da filosofia
O sol reinará sobre o verde,
com ou sem a linguística
Deixa pra quem tem doutorado,
a tese da poesia , da rima ,
da métrica e da versificação
-Jardineira, só precisas , de um simples
coração!
Vera Popoff
A boa mão na terra
O suor na testa
A alma em festa
Uma ave liberta e avoada...
Cem poemas decorados
Pensadores consultados
A gramática aplicada
Para virar jardineira?
A terra, a muda , a semente
O coração confirma e consente
-Tu és uma jardineira!!
A página do livro, no mesmo lugar,
esquecida!
Descartado o dicionário,
o substantivo, adjetivo,
verbo transitivo, intransitivo,
Esqueça o acordo ortográfico
Mira o chão, que te basta!
O sol , a sombra, água na proporção
Concentra a tua admiração
no fruto e sua maturação.
Tua asa não irá além da árvore adotada,
ou da flor aveludada, da ternura semeada.
Reges o teu jardim, ó jardineira!
Tu és a maestrina das tuas flores,
das asas que te sobrevoam , dos beija-flores!
O teu romantismo resume-se
nos esmerados botões,
que se abrirão amanhã!
O teu modernismo
é a planta sem modismo.
A terra, a água , o sol,
o clarão na tua pele...o arrebol!
O teu reconhecimento
Não vem dos teus dons literários
nem da tua conta bancária,
mas da flor desabrochada
e do fruto adocicado!
A tua sabedoria é a germinação,
a brotação, a data da floração,
o solo analisado com retidão.
Choverá no teu jardim,
apesar da dúvida da filosofia
O sol reinará sobre o verde,
com ou sem a linguística
Deixa pra quem tem doutorado,
a tese da poesia , da rima ,
da métrica e da versificação
-Jardineira, só precisas , de um simples
coração!
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
HORA DA VERDADE
HORA DA VERDADE
VERA POPOFF
Chegou o tempo de voltar atrás
Desligar as máquinas...
Ativar as mãos
E mãos-à-obra!!
Voltar para dentro de mim
Libertar-me do comodismo
e do modismo de clicar teclas!
O manuscrito , de novo,
bem caligrafado:
Maiúsculas e minúsculas,
pontos e virgulas, o dicionário
aberto!
Corrijo e escrevo certo,
sem abreviação
com apreciação!
Visto-me da blusa fora de moda
O chinelo macio e os passos...
carregam-me para a solidão
mais gostosa!
Colho no pé, a fruta madura e
saborosa!
Fecho os olhos e revejo
A beleza que já não percebo
A flor que tem nome de beijo
Adiante , volto a perceber o sol!
Agigantou-se!
E minh'alma já tão fria, acalorou-se!
Não necessito de teclas
Preciso de mãos enlaçadas
De ternuras entrelaçadas
Da técnica do abraço apertado
De carinhos expostos, e olhares
enfrentados!
Olho no olho
Boca no riso
Ouvidos à postos
É tudo que gosto!
Acabou-se a conversa fria
A alegria fingida
A superação exibida
A desilusão tingida
Hora da verdade!
O mau-humor pela manhã
O desamor rondando o dia
A paciência esgotada
A esperança cansada!
O trabalho pesado, enjoativo
A tarde enfadonha
O retrato da felicidade bisonha!
Tão bom , ser de verdade...
Não exibir a fotografia
da plenitude jamais sentida,
Da vida , amargamente,
vivida!!
A hora da verdade chegou a tempo
Vou enfrentar meus contratempos!
Desligar as máquinas...
Ativar as mãos
E mãos-à-obra!!
Voltar para dentro de mim
Libertar-me do comodismo
e do modismo de clicar teclas!
O manuscrito , de novo,
bem caligrafado:
Maiúsculas e minúsculas,
pontos e virgulas, o dicionário
aberto!
Corrijo e escrevo certo,
sem abreviação
com apreciação!
Visto-me da blusa fora de moda
O chinelo macio e os passos...
carregam-me para a solidão
mais gostosa!
Colho no pé, a fruta madura e
saborosa!
Fecho os olhos e revejo
A beleza que já não percebo
A flor que tem nome de beijo
Adiante , volto a perceber o sol!
Agigantou-se!
E minh'alma já tão fria, acalorou-se!
Não necessito de teclas
Preciso de mãos enlaçadas
De ternuras entrelaçadas
Da técnica do abraço apertado
De carinhos expostos, e olhares
enfrentados!
Olho no olho
Boca no riso
Ouvidos à postos
É tudo que gosto!
Acabou-se a conversa fria
A alegria fingida
A superação exibida
A desilusão tingida
Hora da verdade!
O mau-humor pela manhã
O desamor rondando o dia
A paciência esgotada
A esperança cansada!
O trabalho pesado, enjoativo
A tarde enfadonha
O retrato da felicidade bisonha!
Tão bom , ser de verdade...
Não exibir a fotografia
da plenitude jamais sentida,
Da vida , amargamente,
vivida!!
A hora da verdade chegou a tempo
Vou enfrentar meus contratempos!
ONDE ESTÁ A MINHA MERENDA??
ONDE ESTÁ A MINHA MERENDA??
Vera Popoff
-Tio Geraldinho, onde está a minha merenda?
-O titio usou a sua merenda para pagar compromissos próprios!
-Tio, podemos bater as panelas vazias da minha escola? Estamos com muita fome!
-Ora , moleque, tome tenência! Só as madames de barriga cheia é que batem as suas panelas de grife!
Vera Popoff
-Tio Geraldinho, onde está a minha merenda?
-O titio usou a sua merenda para pagar compromissos próprios!
-Tio, podemos bater as panelas vazias da minha escola? Estamos com muita fome!
-Ora , moleque, tome tenência! Só as madames de barriga cheia é que batem as suas panelas de grife!
IMAGINÁRIO
IMAGINÁRIO
Vera Popoff
Eu não durmo e a noite avança...
E o imaginário voa e dança...
O inconsciente, um mundo novo,
alcança!
Já nem sei se dormi profundo sono
Ou se fiz uma viagem no sonho.
Sensações desconhecidas
passam pelas estradas desconhecidas
da mente!
Sinto a brisa leve e diferente!
Dou de cara com tempo bom vivido,
que hoje está ausente
São caminhos floridos de goivos
Semblantes desenhados com
suavidade
A matéria já não pesa
A dor, por si só , se desdenhou!
A alma, mediunicamente, flutuou...
Vera Popoff
Eu não durmo e a noite avança...
E o imaginário voa e dança...
O inconsciente, um mundo novo,
alcança!
Já nem sei se dormi profundo sono
Ou se fiz uma viagem no sonho.
Sensações desconhecidas
passam pelas estradas desconhecidas
da mente!
Sinto a brisa leve e diferente!
Dou de cara com tempo bom vivido,
que hoje está ausente
São caminhos floridos de goivos
Semblantes desenhados com
suavidade
A matéria já não pesa
A dor, por si só , se desdenhou!
A alma, mediunicamente, flutuou...
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
SAIR DE CENA
SAIR DE CENA
SAIR DE CENA
Vera Popoff
Sair de cena , às vezes ,
faz parte do teatro da vida!...
O texto da peça enfastiou-me!
O figurino esgarçou-se
A página amarelou
A voz emudeceu.
Vera Popoff
Sair de cena , às vezes ,
faz parte do teatro da vida!...
O texto da peça enfastiou-me!
O figurino esgarçou-se
A página amarelou
A voz emudeceu.
Tempo de cerzimentos,
reflexões e ponderações!
Momento para a solidão;
sabiamente , ela habitará o palco!
Os textos serão reescritos
com a fantasia do manuscrito!
Na reestréia ...a luz estará focada
A roupa bem costurada
A vontade , respeitada
A energia , com retoques mais
carregados!
O palco estará ampliado
No espaço redecorado,
novas óperas cantadas,
novas paixões deflagradas
e chuvas douradas... sobre
inéditas ilusões!
reflexões e ponderações!
Momento para a solidão;
sabiamente , ela habitará o palco!
Os textos serão reescritos
com a fantasia do manuscrito!
Na reestréia ...a luz estará focada
A roupa bem costurada
A vontade , respeitada
A energia , com retoques mais
carregados!
O palco estará ampliado
No espaço redecorado,
novas óperas cantadas,
novas paixões deflagradas
e chuvas douradas... sobre
inéditas ilusões!
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