LOUÇA QUEBRADA
Vera Popoff
Como uma louça bonita, rara ,
mas quebrada
Partida e sem serventia,
fui descartada e jogada.
Pelos pedaços de chão,
ignorada e jamais olhada,
virei apenas, fragmentos.
Cada caco da louça fragmentada
guarda um pedaço de mim.
Coração ali adiante,.
inda pulsa e jorra sangue,
emociona-se , sente amor,
repulsa, ódio e ardor,
num caco com desenho de flor.
Cérebro , num passo à esquerda...
Completo, atento, racional,
manda comandos nervosos,
sensíveis, indivisíveis,
sabe que ainda tem algum valor.
Os sentidos, nos cacos descansados
sobre a campina verde,
recebem energia e sentem o frescor,
a dor, ouvem o som da cotovia,
enxergam e ainda tem serventia.
Não há possibilidade
da louça rara e bonita
um dia vir-se restaurada,
mas fragmentos juntados e
aproximados
podem permanecer, minimamente
unificados.
domingo, 7 de agosto de 2016
OUTRO PLANETA
OUTRO PLANETA
Vera Popoff
Sem remorso , sem ferida, sem pena
Caio no espaço...
Tudo é azul e sugere ninho macio,
leve, sem culpa e nem agonia.
O planeta sem nenhuma palavra ferina
Onde não haja covardia ou traição.
Nele, pessoas sem tristeza e palidez
nos rostos
Ai que fulgor! Minha face tem relume.
Meu abajour é um vagalume!
Lá de cima da montanha
assisto flores se abrindo,
em meio de um belo jardim.
Inspiro o ar transmudado
encho o pulmão do aroma do jasmim.
A relva é fresca e molhada
Parece não haver desgosto
Nem mesmo no seco agosto.
As gardênias são perenes,
alvas , desabrochadas,
não murcham, nem amarelam
Enfileiradas na estrada
Por alguém, sempre esperam.
A fruta é repartida, a alegria é multiplicada,
os sonhos são juntos...sonhados
E a vida é a cada momento , abençoada.
Ah...à Terra não mais regresso.
Ao Criador rezo e peço;
-Aqui achei o meu lugar,
ainda que eu viva sozinha
tenho a lua por vizinha,
e minh'alma que se aninha
num doce regaço encontrado
onde caminho descalça,
sem nós, por aqui...só laços.
Vera Popoff
Sem remorso , sem ferida, sem pena
Caio no espaço...
Tudo é azul e sugere ninho macio,
leve, sem culpa e nem agonia.
O planeta sem nenhuma palavra ferina
Onde não haja covardia ou traição.
Nele, pessoas sem tristeza e palidez
nos rostos
Ai que fulgor! Minha face tem relume.
Meu abajour é um vagalume!
Lá de cima da montanha
assisto flores se abrindo,
em meio de um belo jardim.
Inspiro o ar transmudado
encho o pulmão do aroma do jasmim.
A relva é fresca e molhada
Parece não haver desgosto
Nem mesmo no seco agosto.
As gardênias são perenes,
alvas , desabrochadas,
não murcham, nem amarelam
Enfileiradas na estrada
Por alguém, sempre esperam.
A fruta é repartida, a alegria é multiplicada,
os sonhos são juntos...sonhados
E a vida é a cada momento , abençoada.
Ah...à Terra não mais regresso.
Ao Criador rezo e peço;
-Aqui achei o meu lugar,
ainda que eu viva sozinha
tenho a lua por vizinha,
e minh'alma que se aninha
num doce regaço encontrado
onde caminho descalça,
sem nós, por aqui...só laços.
ACABOU A FESTA
Minha homenagem à festa de abertura da Olimpíada/2016.
Com o coração magoado, enojado, assisti o show da hipocrisia.
Um rato escondeu-se, acabrunhou-se , omitiu-se...com medo
da festa, que não era a sua festa!
ACABOU A FESTA
Vera Popoff
A festa mal começou
Mas para mim, já acabou!
Festa que tem golpista
e cinismo a perder de vista
É festa que aborrece
e que minh'alma rejeita e esquece!
Festa d'um convidado covarde, vil, traidor
Festa que abre as portas
para ignóbil sensor
Para mim, é a festa do horror.
Festa do papel laminado e picado
que esconde a hipocrisia
é festa sem graça e magia.
O interino vil e ferino
não sorri vermelho, nem verde e amarelo
É pessoa odiada e amaldiçoada
Intruso sem simpatia
que não serve, nem mesmo,
a sua própria e indigesta poesia!
Quem é aquele ameaço de homem
sentado e emburrado, com medo de ver
a festa?
Quem é o ser desprezível,
sangrento, baixo , insensível,
vestido como um doutor
mas semblante de malfeitor?
Quem é a sombra funesta
que acaba com qualquer festa?
Ferida com a traição,
chorando de amargura,
rogo praga no interino ferino!
Há de acabar como um rato
morando dentro do esgoto
Roendo a própria carniça ,
afundando-se numa areia
grudenta e movediça.
Com o coração magoado, enojado, assisti o show da hipocrisia.
Um rato escondeu-se, acabrunhou-se , omitiu-se...com medo
da festa, que não era a sua festa!
ACABOU A FESTA
Vera Popoff
A festa mal começou
Mas para mim, já acabou!
Festa que tem golpista
e cinismo a perder de vista
É festa que aborrece
e que minh'alma rejeita e esquece!
Festa d'um convidado covarde, vil, traidor
Festa que abre as portas
para ignóbil sensor
Para mim, é a festa do horror.
Festa do papel laminado e picado
que esconde a hipocrisia
é festa sem graça e magia.
O interino vil e ferino
não sorri vermelho, nem verde e amarelo
É pessoa odiada e amaldiçoada
Intruso sem simpatia
que não serve, nem mesmo,
a sua própria e indigesta poesia!
Quem é aquele ameaço de homem
sentado e emburrado, com medo de ver
a festa?
Quem é o ser desprezível,
sangrento, baixo , insensível,
vestido como um doutor
mas semblante de malfeitor?
Quem é a sombra funesta
que acaba com qualquer festa?
Ferida com a traição,
chorando de amargura,
rogo praga no interino ferino!
Há de acabar como um rato
morando dentro do esgoto
Roendo a própria carniça ,
afundando-se numa areia
grudenta e movediça.
sábado, 6 de agosto de 2016
VESTIDO VIOLETA
VESTIDO VIOLETA
Vera Popoff
O universo estava violeta.
Naquela noite, vestida num vestido violeta,
tornei-me mulher.
Foi o primeiro vestido de baile
violeta.
Foi o abraço mais apertado
do primeiro amor,
o primeiro beijo.
O mais doce desejo,
o lindo sonho vestido de violeta
no universo violeta.
O vestido violeta cobria o corpo
da menina mulher e valsava.
A noite exalava o perfume da violeta
Sonho de vestido que jamais foi esquecido.
Nos devaneios e desvarios de uma, então mulher,
permanece o vestido violeta esvoaçante, leve,
mágico...
Nas lembranças desbotadas
o vestido violeta está intacto!
Esvoaçante, leve, mágico!
Vera Popoff
O universo estava violeta.
Naquela noite, vestida num vestido violeta,
tornei-me mulher.
Foi o primeiro vestido de baile
violeta.
Foi o abraço mais apertado
do primeiro amor,
o primeiro beijo.
O mais doce desejo,
o lindo sonho vestido de violeta
no universo violeta.
O vestido violeta cobria o corpo
da menina mulher e valsava.
A noite exalava o perfume da violeta
Sonho de vestido que jamais foi esquecido.
Nos devaneios e desvarios de uma, então mulher,
permanece o vestido violeta esvoaçante, leve,
mágico...
Nas lembranças desbotadas
o vestido violeta está intacto!
Esvoaçante, leve, mágico!
O TEMPO DE LIA
O TEMPO DE LIA
Vera Popoff
Lia não gosta de agosto
É mês de desgosto, da falta de gosto
Setembro chegou.
Lia sorriu
É primavera, tem flor!
Mas setembro passou
Lia nem notou.
Esperou...outubro,
sentiu o calor,
cheirou o cheiro da chuva,
mas dos pingos, se abrigou.
Cochilou e dormiu.
Quando despertou
Já era dia de novembro.
Espreguiçou, pensou, planejou,
e...vacilou.
Fez tantos planos que não percebeu,
dezembro apontou.
Agora sim! O tempo é de renascer!
Lia se preparou
Juntou cacos e alvejou trapos
Mas Lia recostou-se e o ano acabou!
Pobre Lia!!
Janeiro...
Vera Popoff
Lia não gosta de agosto
É mês de desgosto, da falta de gosto
Setembro chegou.
Lia sorriu
É primavera, tem flor!
Mas setembro passou
Lia nem notou.
Esperou...outubro,
sentiu o calor,
cheirou o cheiro da chuva,
mas dos pingos, se abrigou.
Cochilou e dormiu.
Quando despertou
Já era dia de novembro.
Espreguiçou, pensou, planejou,
e...vacilou.
Fez tantos planos que não percebeu,
dezembro apontou.
Agora sim! O tempo é de renascer!
Lia se preparou
Juntou cacos e alvejou trapos
Mas Lia recostou-se e o ano acabou!
Pobre Lia!!
Janeiro...
DESENCONTRO
DESENCONTRO
Vera Popoff
Amava João,
mas casou-se com José.
Esforçou-se para conservar-se íntegra,
invejou a libertinagem das outras moças,
e caiu na rotina.
Não foi capaz de libertar-se
Evitou a traição, abafou a paixão.
Passou a vida se curvando,
sem desabrochar
sem escandalizar.
Passou dissimulando a tranquila,
a pacata, a discreta, a chata reservada.
Sua caminhada foi sem o brilho da lua,
na escuridão de uma noite fria.
No completo esquecimento
já nem foi tão triste!
Passou a vida numa plataforma,
sem embarcar
e o reumatismo chegou...
Vera Popoff
Amava João,
mas casou-se com José.
Esforçou-se para conservar-se íntegra,
invejou a libertinagem das outras moças,
e caiu na rotina.
Não foi capaz de libertar-se
Evitou a traição, abafou a paixão.
Passou a vida se curvando,
sem desabrochar
sem escandalizar.
Passou dissimulando a tranquila,
a pacata, a discreta, a chata reservada.
Sua caminhada foi sem o brilho da lua,
na escuridão de uma noite fria.
No completo esquecimento
já nem foi tão triste!
Passou a vida numa plataforma,
sem embarcar
e o reumatismo chegou...
AO MEU AMOR II
AO MEU AMOR II
Vera Popoff
Quando amo
Extrapolo a mim mesma.
Fico emparedada nos braços do amor
Isolada, surda, petrificada, muda...
Não quero ninguém para estorvar
o meu amor.
Desejo ardentemente e fico à deriva,
tomada pela embriaguez.
Faço versos...
e que versos ruins!!
Vera Popoff
Quando amo
Extrapolo a mim mesma.
Fico emparedada nos braços do amor
Isolada, surda, petrificada, muda...
Não quero ninguém para estorvar
o meu amor.
Desejo ardentemente e fico à deriva,
tomada pela embriaguez.
Faço versos...
e que versos ruins!!
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