domingo, 7 de abril de 2019

PLANTA BAIXA E VISÃO OBLÍQUA

PLANTA BAIXA E VISÃO OBLÍQUA
                                               Vera Popoff

A geografia judia...
Provas e estudos , leituras
Tudo tão distante de mim!
A cabeça gira por todos os lados
Ah...só desejo pisar num chão seguro
Abrir o meu coração mansinho
como um porto de carinho.

Dá um nó , enxergo embolado
Fico desorientado
tanta visão explicada!
Paralela, vertical e  horizontal
Na visão oblíqua, enxergo de cima
          e meio de lado
Só desejo enxergar a vida
            com amor
Já chega de  insegurança e dor.

Desenhei a planta baixa
Primeiro na minha alma
Depois na folha branquinha
O meu quarto abrigador
A  cozinha , a sala e a  varanda
Onde danço a minha ciranda.

N a reta , na curva ou na paralela
Pedalo a minha bicicleta no espaço
        do meu quintal
Para mim, um espaço sem igual
Na Mooca, dentro da capital,
no estado de São Paulo
Um pedaço do Brasil
Mas olho  para cima e só enxergo
nuvens brancas num céu azul anil.


quarta-feira, 27 de março de 2019

A MENINA , AO FUTEBOL O GAROTO, AO DESENHO

A MENINA, AO FUTEBOL
O GAROTO, AO DESENHO

                                                      Vera Popoff
Bom mesmo é contrariar a tese da ministra goiabeira.
Meus netos, vivos , espertos, fazem as suas escolhas
A menina é craque de bola. Dribla e finta a molecada. Joga no time masculino da escola e do condomínio onde vive. Todos a querem no ataque , sem preconceito de gênero, sem frescura.
-O futebol é a minha vida, vovó! A chuteira foi o melhor presente que recebi.
Nathália  faz o drible da vaca e dá um chapéu no adversário: GOOOOLLLLLLLL! É da Nathália! De placa e de três dedos,
comemora a nossa jogadora.
William me diz:
-Vovó, não curto o futebol! Muito sol e correria! Fico suado
e cansado. Eu gosto de desenhar!
Faz aulas de desenho e está se saindo bem. É mais introspectivo, comenta sobre as nuvens do céu e os nomes de cada estrela. Conta histórias , como ninguém!
Dança ritmos intensos, concentrado em cada passo.
Menina, menino,  ser humano...sejam felizes!
Amem, corram, misturem-se, crianças!
Menino faz o que gosta
Menina , o próximo gol, é a nossa aposta!


 


IGUAL, PORÉM, DIFERENTE

IGUAL, PORÉM , DIFERENTE

                           Vera Popoff

Todos os dias o mesmo caminho,
as mesmas ruas, aquelas esquinas...
manjadas... sem surpresas.
Mas como sou fingimento,
finjo.
O olhar busca a bonita mentira
A alma alcança o orgasmo
d'uma nova paixão.
E o mesmo caminho é sentido,
mas tão sentido, quanto fingido.
O olhar é ávido. Já não vê as mesmas folhas,
Os sonhos estouram as rolhas
e brindam !
Os mesmos passantes, os poucos amantes, o vento nas folhas
e os sonhos estouram as rolhas
                      e  brindam!
Cada passada é cadenciada
como um samba bem sambado.
A saudade fica para trás
Lembrança velha se desfaz
A manhã passará num zás trás
É possível fingir
É possível mentir
O igual está mais contente...
O igual está diferente.

Os sonhos estouram as rolhas
          e  brindam

sexta-feira, 15 de março de 2019

AUSENTEI-ME

AUSENTEI-ME
                                    Vera Popoff
 
Ausentei-me do cravo e das rosas
Ausentei-me do sol e da brisa
Ausentei-me da primavera
 
 

VENCIDA

VENCIDA
                       Vera Popoff

Prometi-me um dia bonito!
Jurei abrandar os meus sofrimentos
e apagar os tantos ressentimentos
Superestimei minha competência
e nem mesmo os versos prometidos
extravasaram d'alma , agora , sem asas.
Vencida, vagarosa ...
escondi-me das minhas sagas.

A BUSCA

A BUSCA
       
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NÃO SEI

NÃO SEI !
Vera Popoff
Tenho perdido o sono, perdido o apetite, perdido o riso e perdido até
a esperança. ...
Tenho perdido a leveza de poetar.
Não sei escrever poesia sobre o sangue derramado e os assassinatos.
Não sei cantarolar um poema sobre cadáveres,
nem sei falar do perfume da rosa sobre o cheiro da pólvora.
Não sei libertar o pensamento,
deixá-lo viajar na brisa , enquanto
as lágrimas rolam e as dores assolam,
num mundo de perdas e horrores.
Não sei abstrair e voar num verso ,
sabendo a terra contaminada do horror.
Não sei encontrar rimas para a violência e para as almas malditas ,
que divertem-se ou justificam,
com desdém,
as tragédias anunciadas.
Então ,no momento, eu só consigo doer.

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