sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

POR QUÊ?? POR QUEM?

Por quê?
POR QUEM?
                                   Vera Popoff

Tenho um lugar macio
Onde posso dormir tranquilo,
                    mas não!
Agito-me , mal cerro as pálpebras, faço
                    tremer as pupilas.
O sonho que seria dourado
Pincela-se  de cinza
E na janela sem lua...um cortinado!

Tenho um lugar
para deitar o meu espírito e descansar,
sob o azul celeste e sobre o verde/róseo
   das rosas e das açucenas
Passar a noite cálida e serena,
                        mas não!
Agita-se o espírito num canto vago
        sem começo e sem fim!
Trago o medo, a incerteza ,
pra dentro de mim!

Sou pássaro ferido,
mas ainda, um tenor!
O seio arfa e arfa  de um imenso amor!
Suspiro e gemo...
mas por quê?
Por quem?
Vejo tantos, dignos do meu amor,
Mas de certo, não há ninguém!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

DE QUEM ÉO SOL?

De quem é o sol?
                                Vera Popoff

De quem é o sol?
A energia da estrela maior
A luz e o brilho dourado
A chama luzente que nasce de novo
             na outra manhã?

De quem é o vento que canta e sussurra
         na cara, no ouvido, nos galhos?
Que leva embora a saudade e traz a generosa
                         lembrança?

De quem é a gota do orvalho?
Que pinga na rosa e enternece o jardim?
Que umedece a relva e refresca o jasmim?

De quem é a rua elegante, charmosa
onde desfilam as finas e bondosas senhoras
            tementes a Deus?

De quem é a cidade que desabriga e castiga?
De quem são os sonhos? De poucos? De alguns?

De quem são os edifícios de gala,
         as noites de festa?
Para quem é o Feliz Natal e o Novo Ano
        próspero que esperas?
São teus. São teus. São teus.

O sol , a manhã e o vento
O orvalho, a relva e a rosa
A rua charmosa
A cidade que abriga
A noite de festa
O Feliz Natal
Ano Bom , sem igual!
São teus!
São teus!

Cuspa na fronte do outro
Ria o teu riso desdenhoso
Regurgita e vomita as tuas duras ofensas
     e durma...em paz,
se puderes, ah...mas podes!
Tu és o opressor, o consumidor,
         o dono, o patrão.
Tens garras...que pena eu sinto de ti!
Extinguiram teus braços de abraços
Tens garras...
Tens garras...
 
 
 

SE ME DEITO CEDO

SE ME DEITO CEDO
                                         Vera Popoff

Se me deito cedo
 vestida de dor, esmorecida , cansada .
O corpo exigindo repouso, doído, moído
A alma implorando silêncio...
        eu perco a lua.

Se perco o luar
Fico sem a magia
Não sonho e não subo às estrelas
O canto ao longe, só ouvido por mim...
A lembrança afável que se concretiza
O doce do beijo na boca
A brisa amorosa da noite
O mistério e a ausência d'alguma razão
                Perco...
  se me deito  cedo
na busca do leito branquinho,
macio, aconchego no ninho.
Capenga, molenga, sou carne jogada,
             cansada, estirada
recompondo energia para o novo dia.

                    Mas perco o luar!

BRANCO E PRETO

BRANCO E PRETO
                                         Vera Popoff

O branco  é a paz e a calma
É translúcido e inspirador
É a alvura da alma
A pomba, a folha não escrita,
o lenço da partida.
E o preto?
O preto é o carimbo , a assinatura que lavra
                      a escritura.
É a coragem, é a noite que aconchega
os mistérios e a perspicácia
É a força onde acontecem, com bravura,
                       as decisões.
É a cor do brasileiro que jamais se cansa
É a luta pela liberdade , dignidade e a igualdade.
É o destemor, a cor de fato e de direito
É a mão que constrói a Nação!
O preto é a noite cálida
que  apresenta-nos  às estrelas e à brancura da Lua.

VERÃO O VERÃO?

VERÃO O VERÃO??
                                      Vera Popoff

Chegou o verão!
Verão??
Sim , verão mas se calarão, mais uma vez!
Verão e não se aperceberão o quão são usados e pisados.
Verão e sentirão o verão quente e cada dia mais miserável. Mas não se importarão!
Verão o quanto está desmoronada a Nação, mas sob o cabresto...seguirão.
Verão o tamanho da promiscuidade e suas rasas vidinhas...continuarão.
Verão a escuridão dos atuais tempos e,
ainda assim, as luzes da coragem, não se acenderão.
Verão apenas mais um verão acabrunhado e
               desavergonhado.

AORTA

AORTA
              Vera Popoff

Na horta , um pé de pimenta doce ao lado,
                       um amor perfeito!
Na aorta , sangue bom, vermelho , vibrante
e confiante na fortaleza do coração que bate
          no lado esquerdo do peito.
Colho na horta o que alimenta e produz energia
Na aorta , injeto sonhos ...
no sangue que corre vermelho, vibrante!
A horta é regada da água mais transparente
A aorta é regada do sangue rubi e latente.
Na horta o alimento deixa-me forte e corada
Na aorta , alimento o meu sangue das utopias.
Nas células , mais amor e mais fantasia!