quinta-feira, 11 de abril de 2019

NOVE DEDOS E DEZ DEDOS

NOVE DEDOS E DEZ DEDOS

                                                  Vera Popoff
As mãos com nove dedos são capazes
de arquitetar um mundo!...
Desenham a igualdade,
Colorem a dignidade,
Multiplicam os bens da terra
Trazem sonhos aos quem não sonhavam
Protegem as cabeças, do relento
Agigantam-se,
diante do que é raso e tão pequeno!

O algoz , cujas mãos , têm dez dedinhos
inquieta-se com o brilho alheio
Faz da vingança , seu grande anseio.
Tripudia e lhe chama "nine"
Se ri com um riso torto.
Da decência , ele perde o "time"
e afunda-se na mediocridade.
As mãos com seus nove dedos
abraçam a Nação inteira
São capazes de matar a fome, a sede
fazem sorrir tantos semelhantes
Têm sonhos tão delirantes!
O algoz não o perdoa!
Um homem com nove dedos
Corajoso e habilidoso
Vai direto para a masmorra
-que morra!
As mãos,
com seus nove dedos
Tatuaram n'alma, a sua liberdade.
As mãos, com seus dez dedinhos
Aprisionam -se , seguem amarradas
às injustiças , às mentiras , às sentenças
sob delação.
Estão condenadas à escravidão
do infame perdão.

As mãos com seus nove dedos
viram as asas de uma multidão
Sobrevoam a leveza da consciência,
a lucidez , a paciência , a sabedoria
Nelas , a esperança, inda carrega
São cotovias aproximando
o céu azul,
da nossa Terra

SE ME AUSENTO

SE ME AUSENTO

                                     Vera Popoff
Se me ausento é porque
certas atitudes eu não aguento....
É porque não me sento
sobre as indignações
e não me deito sobre os colchões
da injustiça e dos cínicos perdões.

Se me calo é porque quando falo
as palavras não metem -me medo
Eu digo o que sinto,
o que pressinto
e se doeu...doeu.
O que espanta-me
O que aterroriza-me
é a violência , a grande indecência e a
infame traição.
O ultraje, a omissão ,
são parentes ardentes
da infeliz acomodação.
E da hipocrisia, são primos irmãos.
Se tiro o meu time de campo
antes do apito final
Não o faço por covardia,
mas por agonia
Ao ver a bola que rola
sem compromisso com o jogo:
ora sujo, ora desleal, ora faltoso
ou o nó tático simplório, cínico e banal.
Simpática, agradável , risonha
eu sou...
cozinhando, servindo, atendendo,
sendo
solícita e tão dedicada!
Mas se passo do ponto,
debato uma ideia, vou fundo
na convicção...aí não!
Como ela é
radical, antipática, ingrata e dura!

TEXTO DE FERNANDA BORGES KEID

Texto da minha filha Fernanda ao meu irmão Fernando Popoff, seu tio e padrinho.
Há 20 anos vc se foi...
Ali, naquele momento, eu tive a dolorosa lição sobre a brevidade da vida, sobre mortes inexplicáveis, sobre a dura saudade...
A partir daquele dia, fui obrigada a crescer sem você, sem seus conselhos, sem suas lições, sem seu carinho......
A partir daquele dia, cresci à força. Fui obrigada a isso. Inspirada em você.
Seguir sem você foi doloroso. Foi chato. Foi traumático. Doeu. Ainda dói. E muito.
Não há um único dia em que eu não pense em você.
Não há uma única decisão a tomar em que eu não me pergunte o que você me diria...
Tanto já passou. Tanto já vivi. Mas você continua comigo. Todos os dias. Em cada caminho que sigo.
Só quem viveu perto de você consegue dimensionar o exemplo puro e simples de generosidade, de lucidez, de humanidade...
Você foi meu anjo em vida. E sei que ainda é. De onde estiver....
Você foi e é minha inspiração diária. Todas as minhas conquistas, em silêncio, eu lhe dediquei...
Seguimos aqui, neste plano, com a esperança de um dia lhe reencontrar...
Meu tio, meu padrinho, meu amigo, meu norte.
Amo você infinitamente e pra sempre!!!! Saudades!!!!
NÃO SEI !


                                                         Vera Popoff
Tenho perdido o sono, perdido o apetite, perdido o riso e perdido até
a esperança. ...
Tenho perdido a leveza de poetar.
Não sei escrever poesia sobre o sangue derramado e os assassinatos.
Não sei cantarolar um poema sobre cadáveres,
nem sei falar do perfume da rosa sobre o cheiro da pólvora.
Não sei libertar o pensamento,
deixá-lo viajar na brisa , enquanto
as lágrimas rolam e as dores assolam,
num mundo de perdas e horrores.
Não sei abstrair e voar num verso ,
sabendo a terra contaminada do horror.
Não sei encontrar rimas para a violência e para as almas malditas ,
que divertem-se ou justificam,
com desdém,
as tragédias anunciadas.
Então ,no momento, eu só consigo doer...

OUTONO

OUTONO
                                             (Vera Popoff)
Levantei muito cedo!
Só para olhar o nevoeiro do outono
e rir do sol com preguiça!...
Queria ouvir o eco do vento...
que carrega a folha seca
carrega o pó acumulado,
o sentimento velho e cansado,
teimosamente, guardado!

Eu só queria ver o fruto pendido,
caído!
Lambuzar a minha boca do melado
do seu doce,
da energia do seu gosto e
virar criança...outra vez!
Queria assistir a cena da árvore nua,
das folhas caídas na rua!
Descobrir outra ruga no rosto
Desfolhar mais uma rosa e
contar para alguém ,aquela repetida prosa!
Eu só queria olhar, com nostalgia,
mais um outono!
Ver mais

              QUE CIDADE É ESTA?
 
                                                                  VERA POPOFF
Que cidade é esta?
Em cada esquina, uma igreja....
De cem em cem metros, outra igreja.
É louvação, joelhos ao chão,
É a Bíblia, sempre à mão!
Mil Ave-Marias, hóstias em profusão.
E o pobre tombado ao chão.

Que cidade é esta?
Gente do bem comemorando sinistros?
Buzinaços, festejando o fogo,
queimando a carne do outro?
Uma Nação de tantos supremos e ministros
despudorados
Riem-se para o tal mercado
Confessam os seus pecados
Cultuam os holofotes, como ninguém!
Mas ignoram os seres humanos
sem vintém!
São Paulo virou tragédia
O Brasil, uma tragicomédia
Que cidade é esta?
Crianças alimentadas com carne podre e ração.
Governador e prefeito sambando
e gargalhando
Sobre a desgraça da Nação.
Desprezíveis, debochados!
Que cidade é esta?
A qual espécie pertencem?
Não nasceram de ventres de mães!
Foram cuspido ou vomitados?
Fascistas, cruéis, desprovidos de almas.
São projetos para um estudo
Pesquisa para a ciência
Foram surgidos?
Foram aparecidos?
De qual dejetos foram construídos?
Ver mais

GRITEMOS E CHOREMOS, ABRAÇADOS

Simplesmente Verinha
 
GRITEMOS E CHOREMOS, ABRAÇADOS!
                                                                                     VERA POPOFF
 
                                  
Como se não bastasse a incapacidade e a leviandade...
Ainda aguentamos a treva da grosseria,
A sujeira ...sem lavanderia
que baste,
para limpar o odor podre e a
nódoa de sangue que nele impregnou!
Ainda aguentamos seus acéfalos e
despreziveis admiradores ,
outros tantos seres dos horrores!

Arminhas e vulgaridades,
Mentiras e mediocridades ,
Culto à morte violenta
Torturas festejadas
Mãos sangrentas, homenageadas.
Brasil! Brasil!
Brincaste de céu e inferno
Caiste na indecência mais perversa!
Desmoronaste sobre um rio de sangue e lama.
Cutuquemos as feridas
para que sangrem
Para que gritemos de horror e dor!
Assim...jamais esqueceremos.
Sim, guardermos o rancor dos tempos, com gosto do medo
e do terror!
A vontade é de gritar a repulsa.
Choremos , sobre a terra manchada da violência e da vergonha
Abraçemos, juntos, uma causa,
que nos liberte da coisa abjeta e bisonha
Procuremos um sinal de luz,
um fio de esperança, um pulsar
d'algum amor
Antes que morramos todos
E deixemos o monstro solto
a causar a" mais grande" desgraça
jogada sobre nós!
Não! Não perdoemos os zumbis,
que lá no topo do inferno, o puseram!
Não amenizemos a catástrofe
Não poupemos as palavras que os definem
Se, idiotas, for vocábulo leve,
recorramos ao dicionário :
- infames, despudorados, vís,
que entregaram às bestas feras,
todos os Brasis!
Ver mais