terça-feira, 2 de junho de 2015

MEU LUGAR

MEU LUGAR       (Vera  Popoff)

Andei tanto! Palmo a palmo suando o cansaço!
Os caminhos tortuosos, os desvios misteriosos!
O destino arrastado, as curvas sinuosas ,
A falta d'um rastro , a ausência d'um traço!
Pensei em parar, descansar...
Mas  a tristeza já estava sentada no meu lugar!

Segui adiante, pensamento distante,
Nos  caminhos, pedras dificultando
O vento batendo no rosto,
tempestade de areia, meus olhos, turvando...
Pensei em parar, descansar...
Mas uma saudade doída  lá estava,
sentada no meu lugar!

Percorri montanhas e vales
Atravessei inusitados lugares,
Quantas tormentas enfrentadas!
Quantas linhas cruzadas e descruzadas!
Quantos horizontes inclementes!
E uma exaustão  aterradora !
Pensei em parar, descansar...
Mas  uma esperança estava sentada no meu lugar!
Pedi-lhe licença!
Sentei-me ao seu lado, encostada!
Dormi sossegada....
        

NOSSOS DIAS

NOSSOS DIAS               (Vera Popoff)

Os dias não são iguais.
Sempre floridos, sempre sorrisos,
sempre doloridos, sempre despidos da dor!
Não sei se há uma perfeita proporção ou,
se depende de como nos foi apresentado,
de como foi gerenciado ou, até mesmo ,
de como nos foi enviado por Alguém
            muito Maior que nós!
Não há como merecer  todos os dias
          iguaizinhos!
Sorrisos...sorrisos...sorrisos...
Lágrimas ...lágrimas...lágrimas...

O dia amanhece azul ou cinza.
Nunca saberemos  como o viveremos!
Se raiará o sol, se cairá a chuva,
se haverá tempestade ou ventania!
              Se doerão as dores
              Se abrirão os risos...
Como num exército, precisamos estar de prontidão!
             Alerta, estamos prontos!
             Estamos prantos!
             Estamos risos!
             Estamos gemidos!
             Estamos perdidos!
             Estamos confortados!
             Estamos coitados!
             Estamos virtudes!
             Estamos pecados!
             Estamos errados ou estamos acertados?
             Estamos na dança, erramos o passo da valsa e
                  recomeçamos , retomamos o passo
                          em descompasso.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

NA INSPIRAÇÃO

NA INSPIRAÇÃO     (Vera Popoff)

Na inspiração eu descanso
dos maus tratos da vida.
Nela, eu viajo...
Pincelo o cinza dos meus tristes dias
 com as cores que busco num Universo,
que eu mesma, trouxe para perto de mim!

Na inspiração  enxergo  quem já partiu,
quem jamais voltou, quem nunca esteve...
  Cruzo a linha do finito... vou além...

CANTIGA

CANTIGA
                           (Vera  Popoff)

Venerei minha mãe,
A linda mulher que tecia ternura!
Amei o meu pai. Seu jeito discreto,
amor disfarçado, cuidado dobrado!
Enterneci-me com os olhos de sonhos
       do meu irmão! Nasceu encantado!
 Já dedilhava o teclado no ventre abençoado.
     Admirei minha mestra primeira!
Encostei a cabeça no ombro da minha madrinha,
     a  Tita querida que me batizou e me amou!
Olhei , cheia de encanto, os olhos azuis opacos
                  da minha avó!
Respeitei o retrato d'um avô,  que imigrou,
trazendo apenas  uma violeta na mão!
Muitos amigos desbravaram e conquistaram
               o meu coração!
As pessoas que guardei no fundo do peito,
     quase todas...perdi!
E as outras...esqueceram de mim!
Numa casa singela chorei a poesia
que Casimiro dizia:
 "...em vez das mágoas de agora
eu tinha nessas delícias, de minha mãe as carícias
e os beijos de minha irmã!"( Meus oito anos)

E tão só vou seguindo...seguindo...seguindo...
As doces quimeras sumidas, vão longe...
        D'um quintal sossegado
só ficou a saudade do pé de goiaba!
Daquelas tardes de outrora. o dourado do sol.
Das manhãs , a voz macia chamando ao dever
Da igreja matriz, o sino tangendo e avisando:
       -Hora da Ave Maria!
A cantiga de roda, São João, o terço na mão!
As noites serenas, benzidas , ungidas e os
sonhos velados , olhados por anjos do céu!
       Da minha cama patente
guardei o lençol de algodão  bem branquinho!
E ele, ainda cobre as minhas memórias, e com
               tal desvelo,
que elas  adormecem serenas, refletidas
              de melancolia!

D'UM QUINTAL SOSSEGADO , SÓ FICOU A SAUDADE DO PÉ DE GOIABA!


CANSAÇO

CANSAÇO              (Vera Popoff)

Ai, que cansaço!
Que cansaço!
Hoje, sou  uma vasta canseira,
             vencida
             exaurida,
            esmorecida!

Ai, que cansaço!
Uma pancada no peito...arrebentou-me,
               feriu-me!
Estou frágil, como porcelana fina.
Perdi a perna de aprumo.

Fecho os olhos embaçados..
Não quero ver o  que restou de mim.

Ai, que cansaço!
Com falta de cuidado
tratei o meu viver.
Acabei quebrando a alma,
que  toda fragmentada...geme!
Não refaço o coração que esvaziado
              do sangue,
bate queixoso, languente.
Extenuado...não para,
mas  está fraco...de dor!





MEUS SONHOS

MEUS SONHOS               (Vera Popoff)

Meus sonhos...
Ah, como ficaram pequenos!
Cabem na palma da mão enrugada
           e   maltratada.

Minha  alegria...
Ah, como ficou contida!
Cabe dentro d'um sorriso estreitado
          e desconfiado.

Minha vida...
Ah , já  não é uma caixinha
onde guardo surpresas.
Minha vida cabe aqui ...
num espaço apertado.

Meu  horizonte...
Ah, não mais é uma linha que nunca chega.
Meu horizonte está logo alí,
Onde desaguou o rio da existência.

Meus caminhos...
Ah, meus caminhos encurtaram.
         São tão óbvios!
Começam e terminam  na mesma esquina.



O VENDAVAL

O VENDAVAL             (Vera Popoff)

O vendaval desalinhou os meus cabelos finos,
     branquinhos , opacos, enfraquecidos.

O vendaval desalinhou  os meus pensamentos
      perturbados, desencontrados.

O vendaval desalinhou e desatinou minh'alma
                       tênue.

O vendaval anuviou meus olhos míopes.

O vendaval descontrolou as batidas  do  meu coração
                       desenganado.

O vendaval encurvou o tronco. D'antes imponente,
               firme, sustentador da vida.