quinta-feira, 10 de setembro de 2015

INTERROGATÓRIO A UMA SENHORA

INTERROGATÓRIO A UMA SENHORA
                                                                         Vera Popoff

Por favor, o teu nome??
-Mulher!
-Teu endereço?
-Rua Vazia, número zero.
-Documento com foto, por favor!
-Minha foto é só uma sombra.
-A senhora é indesejada e triste?
-A tua alma e os teus olhos só sabem  chorar?
-Teu cansaço anda exaurido , transtornado, aborrecido?
-O teu coração é um abismo de tormento escondido?
-O teu jardim virou espaço de abandono padecido?
-Teu olhar anda embaçado pelas lágrimas vertidas?
-O riso da tua boca é uma mentira consentida?
- A tua palavra é vazia, desfigurada e invertida?
-O teu sonho é apenas um pensamento bisonho?
-A tua verdade acreditada é uma mentira deslavada?
-O teu amor nada mais é do que um estranho?
-A tua poesia é um punhado de versos perdidos e incompreendidos?
-E a tua vida, o que é a tua vida?
-É um querer que não quer?
-É um olhar que não vê?
-É um amor desprezado, um abraço não dado?
-É uma lembrança esquecida, uma aventura  não vivida?
-É uma dia escuro que não amanhece?
É um luar minguante?
-Interrogo-te, mulher!
-Teu testemunho te condena!
-Oh,  vida neutralizada, aniquilada,
mal amada, com vontades enterradas, emoções acabrunhadas!
-Cumprirá a pena de serviço pesado em favor do teu coração!
-Vá, busque a ilusão , a paixão, a devoção, o perdão, a mão
                   que a levante do chão!

QUEM ÉS TU, MULHER?

QUEM ÉS TU, MULHER?
                                         Vera Popoff


Quem és tu, mulher?
És a calma da alma?
És a muda voz do silêncio?
És a brisa que abana o calor?
És o mistério que encerra a paixão?

Quem és tu, mulher?
És a inquietude que te movimenta?
És a retórica insana e profana?
És o alarido  das ruas feitas de sons grotescos
           e de gemidos?
És o desvario, o embate, o peito ardente?

Ou tu és o campo solitário e triste?
És uma altiva palmeira se retorcendo ao vento?
És a mansa água d'um regato?
És o murmúrio d'um coração solitário?

Quem és tu, afinal, mulher?
És a fala constante e irritante?
És o leviano riso estridor?
És a discussão, a interrogação,
a coragem transbordada, a questão indefinida,
             a irritação desmedida?

Quem  és tu,  mulher?
És a fé calada rogando nos montes?
És  a fé do templo profano que grita,
        agita, que canta e julga?
És a quietude das tardes sob os laranjais?
Ou és a extravagância da avenida espremida,
sem doçura, sem candura, gemendo seus  "ais"?

Ainda estás a tua procura?
Ainda te perguntas quem és?
Meditas sobre a tua existência?
Questiona a certeza, a palavra final,
o acento, o direto, o indireto, o oculto,
definido , indefinido, a clareza, o pingo do "i"?

Vá , mulher!
Corre atrás do teu próprio encontro!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

MAIS UMA SINGELA CANTIGA

MAIS UMA SINGELA CANTIGA
                                                              Vera Popoff



A nossa história foi longa
Voamos por tantos céus
Acertos e desacertos
Mas nunca o desprezo com a vida
Sempre altivos, pensamentos definidos!
Os sonhos sonhados juntos foram tão decisivos
As lágrimas de um , pelo outro, enxugada
Á luz das luas, nossas conversas
Á luz dos sóis, nossas tarefas
À luz do coração, tanta afeição
À luz da alma, respeito e devoção!
No momento, tanto sossego!
Exercito o desapego
Já vencemos tantos medos
Quem semeia tanto bem
Espera, pois a colheita vem!

terça-feira, 8 de setembro de 2015

O CANTO DA JURITI

O CANTO DA JURITI
                                           Vera Popoff

A juriti canta...canta...canta
Quer avisar uma lágrima, ou um riso
Suspiro e lhe pergunto:
-Diz-me, juriti, diz-me!
Senão eu perco o juízo!

A juriti cantou às  dezoito horas
Despertou-me com seu chilrear
Oh, juriti, quer uma alegria avisar?
Ou vai me fazer chorar?

No meu peito não há aperto
O meu coração está levinho...
No dia não há escuridade
Portanto, é um recado da Divindade!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

UM SONHO?

UM SONHO?
                                    Vera Popooff

Uma semente de limão brotada
O olhar atento do irmão Fernando
O dia azul e silencioso
Passos leves, mas sempre caminhando
Um indescritível e suave prazer
Um livro esperando a leitura
Sentimento de delicada lisura
O sol sobre o rosto amado
A brisa refrescando o lugar abençoado
Uma canção indefinida
Tudo parecia uma ilusão
Mas transpirava vida
Tentei afagar seu rosto
Desisti, com todo cuidado
Não o queria tão exposto!
Num sorriso de brandura
despediu-se...sem dizer nada
Sabendo sua presença, confirmada,
       compartilhada!




sexta-feira, 4 de setembro de 2015

SÓ UM LAMENTO

´SÓ  UM  LAMENTO
                                                (Vera Popoff)


A  noite sem a lua
A mágoa, pois não fui sua
A tristeza  na  alma  nua
A dor que lateja  crua

A  afeição  rejeitada, secou!
A  canção  que ninguém cantou
A  espera  que não chegou
A boca que  não beijou

A angústia ditando o tom
A  voz abafando  o som
Será o sofrimento , um dom?
Ou  o sonho  que  não foi bom?

O tempo trazendo o vento
Há  sombra no pensamento
A  lágrima de  sofrimento
Livrai-me de  tal tormento!

Amanhece e procuro  o brilho
A  lembrança  do olhar do filho
O sol  lança a claridade
 Chega da  autopiedade
Vou  atrás da  felicidade!

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

ALMA AFINADA

ALMA AFINADA
                                    Vera Popoff

Acordei inspirada
Afinei minha alma
Abri um teclado
Repassei a sonata
A voz de harmonia
Cantou Bach
E a sua 'Alegria"
Um coro angelical
Vem chegando do céu
Ah...que manhã triunfal!
Dou um giro no mundo
Respiro sentimento profundo
O sol ainda está desbotado
Quase apagado
A chuva ameaça
A beleza transpassa
A folha luzindo
A gota do orvalho
A vida se aviva
A rosa corada
A Terra  inteira habitada
por tantos anjos do céu
Chega o vento tão manso
Suspiro e descanso
Num tempo novo eu avanço