domingo, 13 de dezembro de 2015

PRESENTE DE NATAL

PRESENTE DE NATAL
                                                Vera Popoff

Noite de Natal!
Recebi o meu presente numa caixa tão singela!
Pensei :"-o que haverá dentro dela?"
Havia outra caixa menor e dentro ,
     outra , ainda menor!
Tão desapontada, meio desconfiada
fui perdendo o entusiasmo!
Pouca luz naquele local,
Um cardápio trivial,
para o quesito glamour
uma notinha banal!
A noite apresentava um brilho
        tão natural!
A D'alva era a grande estrela!
Tantas outras, coadjuvantes,
mas no céu atuavam tão belas!
O Cruzeiro do Sul indicava o roteiro
A melodia , já não me engano,
Era Bach :JESUS , ALEGRIA DOS HOMENS!
A noite , tão simples, elevou-me à luz
               da lua!
A última caixa, tão pequenina,
sem fitas , nem papel  luminoso
era o presente a mim , destinado!
Teriam se enganado?
Ao som do meu coração
abri o presente aguardado!
Um papelzinho dobrado,
amarelado e meio manchado...
Será que perdi a razão,
ou houve uma confusão?
Desdobrei com todo cuidado
e li o papel amassado:
-A noite é de  amor e bem aventurança,
É a caixa de Pandora !
Aberta , de dentro escapam os males,
É o começo do mundo novo
nasceu a GRANDE ESPERANÇA!




sábado, 12 de dezembro de 2015

ASTRO REI

ASTRO REI

                                                           Vera Popoff
O sol fulgura sobre o dia......
O Astro Rei de grandeza única,
tão belo, mas nada humilde,
lança dardos fulgurantes
sobre as minhas dores,
desafia os meus temores!
Exibe a real beleza
sobre as alegrias, as venturas,
as tristezas e as incertezas.
Tão seguro de si, tão deslumbrante!
Abre-se no alto, majestoso e único !
Ignora as tantas lágrimas derramadas,
as vidas desarrumadas, as almas destroçadas
as ilusões apagadas!
Reina e brilha...brilha...brilha...

DA JANELA

DA JANELA
                         VERA POPOFF
 
DA JANELA

                                            Vera Popoff
Sexta-feira!...
Da janela, vejo o amanhecer!
Uma janela estranha...
Não é aquela janela
onde bica e canta o bem-te-vi!
Mas o dia , lá fora, é bonito!
Depois de ver a aurora,
Por que me importaria com janelas??
E o meu coração sempre enxerga
pela janela da vida!!

ALFORRIA

ALFORRIA

                                                               Vera Popoff
Está escrita, assinada e reconhecida
A minha carta de alforria!...
Ah...alívio! Estou alforriada e libertada!
Sem as marcas das correntes
Sem as cicatrizes dos açoites,
deito e adormeço nas livres noites!
O peito expande e libera todos os perdões!
Minh'alma envolta na aura libertadora ,
já não pena sob as opressões!
Olho a vida, aqui, tão ao meu alcance!
Sem pressa e  nenhum medo ,
            vou viver!

 
ROSA EUFORIA

                                                            Vera Popoff
Pintei uma parede de rosa euforia
Pendurei molduras de gravuras singelas,...
O desenho d'uma galinha pintadinha,
Cacos de azulejos velhos, colados!
Casinhas de passarinhos,
Espantalho espantando as minhas frustrações.
O colorido forte atraiu mais e mais ilusões
Sem as ilusões não há respiração!
Sempre desejei ser fazedeira de sonhos...
Demorei a conseguir!
Eu mesma impunha-me limites quando:
obedecia padrões,
seguia regras,
amarrava cordões,
dos medos, refugiava-me!
as loucuras, trancafiava,
as fraquezas, disfarçava.
Mas a parede rosa euforia,
com bugigangas penduradas,
com o gosto duvidoso escancarado,
com o designer brega e inusitado,
foi só o começo...
Só o começo de um tempo libertado!
Tanta demora! Tanto constrangimento!
Tanto aborrecimento!
As manias velhas e tolhedoras, escorridas...
com os pingos da tinta rosa euforia!

SEM PALAVRAS

SEM  PALAVRAS
                                            Vera Popoff


SEM PALAVRAS

                               (Vera Popoff)
Se eu fosse poeta de verdade,
hoje eu teria versos a cantar!...
Não me faltariam as rimas
Eu desatinaria as minhas paixões e
uma pedra ,transformaria em ilusões e
choraria as minhas saudades e
versaria os meus desencontros e
transformaria em canções , as alegrias!
Mas apenas arrisco umas poucas palavras...
Falta-me vernáculo suficiente e
uma lírica competência.
Decido então...silenciar
Recolho-me num aconchego vazio
Digo versos desconexos para afagar
a solidão!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

VERBA VOLANT, SCRIPTA MANENT"

Álvaro de Campos
(Heterónimo de Fernando Pessoa)
Ridículas
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.


 " VERBA VOLANT, SCRIPTA MANENT"
(As palavras voam, os escritos permanecem!)
                                                                         Vera Popoff

Certa vez, escrevi uma ridícula
            carta de amor!
Tão apaixonadamente ressentida,
que custou-me a perda d'um amor,
        dos grandes!
Muito, muito grande!
Mas não grande, o suficiente,
para resistir a uma ridícula,
despeitada, enciumada e tão
apaixonada carta de amor!

"Verba volant, scripta manent"
(As palavras voam, os escritos
           permanecem!)
Eu lhe escrevi em latim
Eu lhe magoei...em latim!
E você não entendeu-me,
    não perdoou-me!
Em português , fui abandonada,
À solidão, fui condenada!

Não houve jeito,
vítima do próprio despeito
Chorei em português
Chorei em latim:-Ai de mim!!
A vida segui...sem o seu perdão!
Gastei o meu latim, em vão!