sexta-feira, 25 de março de 2016

O BEM , O MAL

O BEM , O MAL
                                           Vera Popoff

Se estou bem ...
fechei no momento
a porta do mal.

Se estou mal...
fechei no momento
a porta do bem.

Não sou o bem
Não sou o mal
em si mesmos!

Sou o bem e o mal
Sou o mal e o bem.
O sol não deixa de brilhar na cabeça
        do mal!

A lua delicada e bela
faz-se luar sobre o bem,
sobre o mal!

O bem e o mal são o meu corpo,
são os meus pensamentos,
são os meus desejos e ensejos,
são os meus pecados e culpas,
as virtudes , todas as purezas
        e as minhas fendas.

O mal e o bem são a minha essência
e a minha impura carne,
o meu sangue , as entranhas,
o útero fecundo,
as paixões , os ódios, as penúrias,
as decências e indecências.

O bem e o mal são o vinho e o vinagre
a água , o lodo, a lama, a terra, o sal!
São as negações , a verdade procurada
as mentiras descontadas
a ternura desabrochada
a aspereza descontrolada!

O bem sou eu
O mal sou eu,
paralelamente, alternadamente!
Estão em mim
não são o começo
não serão  o meu fim!

ENFIM



Enfim...

                                                         Vera Popoff
Enfim, a minha poesia se liberta!
Enfim, a minha alma grita esperta!
Enfim, exponho -me, fico despida
de tantas cautelas
Abro todas as minhas janelas
Faço em saltos carpados
o meu coração tão vermelho!
Sou feita do mesmo barro que
modelou a minha brava gente!
Ergo o espírito corajoso e valoroso
Tão vigoroso...ainda!
Levanto a cabeça às covardias
e com as verdades tatuadas em mim,
liberto -me, outra vez, das hipocrisias!

Desabrocharam vermelhas, as flores do dia!!

quinta-feira, 10 de março de 2016

POR ENQUANTO

POR ENQUANTO
                                                Vera Popoff

Por enquanto, estaciono!
Por enquanto, silencio!
Por enquanto, penso!
Por enquanto, resisto e insisto
na vida acreditada e na crença ,
fortemente sustentada!
Meus olhos estão bem abertos,
acesos... fazem da noite, dia claro!
Minh' alma é tão decidida
Não se assombra com derrotas
    anunciadas!
Choro, sim! A lágrima  da indignação!
Soluço pelas batalhas travadas,
pela coragem explodida  no coração!
Medo? Não!
Nem pesada fadiga, apenas um gemer
de alívio por haver resistido!
E pelos sonhos persistidos!
Por enquanto, recuo!
Por enquanto, permito que pensem
             que capitulei!
Por enquanto, reconstruo , ajusto, acerto
         o momento certo
Por enquanto...

quarta-feira, 9 de março de 2016

FACEBOOK

FACEBOOK
                                  Vera Popoff

Foi bonito...no início!
Encontros, reencontros,
amizades, sorrisos, flores!
Camaradagem , através dos sonhos,
lindas viagens, trocas, miragens!

Até virar pesadelo!
Fugiu da paz , o modelo!
Intrigas e raivas e julgamentos
Um apedrejando pra cá
Outro devolvendo pedrada pra lá!
Pensamentos diferentes viram crime
          ou burrice!
Amizades vão para a lata do lixo!
Cristãos julgando quem é bom
        e quem é ladrão!
Senhoras bem comportadas
mal  alfabetizadas, beatas,
mulheres do padre,
confessam, comungam
a hóstia da hipocrisia!
Que vida vazia!!
E haja fotografia!
Linda! Lindo!
Que linda! Que lindo!
E vem oração sem mansidão ,
       sem perdão!
Bom mesmo é chamar de ladrão!!

Meu mundo que era macio....
virou colchão de aspereza!
Minhas manhãs abençoadas
ficaram cinzas, borradas!
Eita classe média e elite apodrecida
Morre de inveja do rico
e massacra de ódio o pobre
Vai à Europa em doze prestações
carro importado em sessenta meses
Bolsa de grife , com cartão
a perder de vista!
Ruim é o bolsa família
que sacia a mesa do pobre
Ruim é o negro,
 ganhando espaço merecido,
ocupando universidade
-Que atrevido!!

A mídia golpista
borrando de sujeira e mentira
a nossa vista!
Mas há quem goste e engula!

Não há o que pague o sossego
Não vou manchar a minha poesia
com tamanha vergonha e hipocrisia!




REFLEXÃO DO DIA

REFLEXÃO DO DIA
                                       Vera Popoff

Na vida, foram aprendizados incríveis! Alguns doeram, outros fizeram sangrar, ainda aqueles que abalaram esperanças e crenças! Na contabilidade , os balanços foram favoráveis. Fecho os sessenta e sete  anos... no azul!!


terça-feira, 8 de março de 2016

HOJE NÃO!

             Vera Popoff

Dia internacional da mulher!
Hoje não !! Sem encanto, sem poesia...
O silêncio venceu a rima
Faltou-me até auto-estima
Sem chance de poetar!
Nem sei se sou guerreira
ou apenas,  uma mulher tarefeira
O tanque cheio  de roupa
A panela ainda vazia
A casa requer faxina
Desaprendi o poema!

A razão vence os sentidos!
O coração, indisposto, não se expõe!
A fé está abalada
A coragem meio apagada
O humor  meio azedado
Nem careço de inspiração
Se o que agora tenho, é no peito,
    grande sufocação!

Sou mulher, hoje, calada
Fico devendo a retórica
Acho que desaprendi a lição
   da superação!
Mas haverá  poetisa
com menor insatisfação e
disposta à exaltação,
Com muito maior  fluência
e carregada emoção!

O que me resta
é temperar o feijão e
passar o rodo no chão.
Esquecer que como mulher
posso até ser letra de  canção!
 No  momento, faço a mim mesma,
 a pecadora confissão ,
sem pedir qualquer perdão!
Cansei de declamar oração!



segunda-feira, 7 de março de 2016

AOS QUATRO VENTOS

AOS QUATRO VENTOS

                                                               Vera Popoff
Éolo, o Deus dos ventos, está a postos
Vai decidir se haverá brisa leve...
ou uma tempestade!
Os quatro grandes ventos...aguardam:
Bóreas, o vento norte, frio e violento
prepara-se!!
Quer sair ventando e desarrumando
tudo que já está desarrumado.
Balança as palmeiras
Verga os jacarandás
Destelha a casa do pobre
Despenteia os cabelos do nobre!
Estanca, quando percebe
que ventou com exagero,
e causou destemperança
e varreu a esperança!
Éolo, trouxe-o de volta
sob ordem bem expressa:
-Vento, onde vai com tamanha pressa??
Chama Noto, o vento do sul,
formador das nuvens, encalorado,
venta quente!!
Chega lá das bandas do sol nascente
no solstício do verão!
Vai ventar e dar lugar ao formador das
tempestades:-Euro
que não venta sobre o dinheiro,
mas lava, com forte jato,
as culpas do mundo inteiro!
Chega até, com crueldade!
Causa furor e certa dose de dor!
Como vento que se presa
Passa, estraga, carrega, mas é
ligeiro e passageiro!
Terminando o tempo da ventania
Éolo, o Deus dos ventos, se arrepia!
Não quer terminar o dia
como um exterminador
Esquece qualquer demência
E dá fim a tanta sofrência!
-Zéfiro, chega do oeste!! Determina!
E chega o vento suave,
modesto, calmo, agradável!
E assim entra o ocaso...
carregado de harmonia,
trazendo a paz, a alegria
e um bocadinho de nostalgia!
Coloca cada coisa
no seu devido lugar.
A história é retomada
no tempo dos ventos...menores!
-Olhem, a beleza, de volta
nos arredores