GOSTO, DESGOSTO
Vera Popoff
Sinto gosto pela vida
Mas também sinto desgosto
Quando chega a tarde morna
Ai, que delícia de gosto!
Vem a noite sem luar
Santo Deus, quanto desgosto!
Nos campos percorridos com gosto
O gosto da amora doce
dá gosto doce , na boca de tantos desgostos.
Na confusão das ideias
Já não sei quando é gosto
e quando é desgosto.
Meço o tamanho do gosto
e o volume do desgosto
A conclusão me arrepia
Aquilo que parecia gosto
virou enorme desgosto.
Retiro tudo que disse
Começo outra história...com gosto
Escondo-me em meio ao mistério:
-Afinal, minha vida é um gosto
ou um desgosto?
E entra este mês de agosto
Vislumbro enorme desgosto,
Mas no cheiro da tangerina
volto a sentir pleno gosto.
Se sorrio , o faço com gosto
Se choro, deito sob o desgosto
No reflexo do sol na janela
enxergo um dia de gosto
Mas chega um vento do sul
e carrega a alegria gostosa
Cá estou começando do fim...
sou outra vez...desgostosa!
sábado, 26 de agosto de 2017
O QUE SERÁ DA VIDA
O QUE SERÁ A VIDA??
Vera Popoff
O que será a vida?
Além d'um sonho esquecido,...
Do coração todo repartido
E das ilusões atiradas ao chão e pisadas?
Vera Popoff
O que será a vida?
Além d'um sonho esquecido,...
Do coração todo repartido
E das ilusões atiradas ao chão e pisadas?
O que será a vida?
Além do teu olhar indiferente,
Do abraço mal abraçado, tão frouxo?
Da boca humilhada , esmolando
um último beijo,
E a sufocação do mais ardente desejo?
O que será a vida?
Além do lenço da partida, ao vento,
balançando?
E do caminho esburacado
Do solo já esturricado
E do pensamento livre, agora travado?
O que será a vida?
Além da mão calejada
Da beleza consumida
Da cachaça barata, engolida
Da garganta, pelos prantos, esfolada,
Da raiva disfarçada , da indiferença degustada,
Da alma desprezada, brincando que é amada?
O que será a vida?
Além dos filhos paridos, criados, sumidos?
Das desilusões entre mulheres e maridos?
Da cama fria ... arrumada pelo desamor
Da blusa bem abotoada
E do seio não mais tocado e afagado?
O que será a vida?
Além de uma semana de agonia
e poucos minutos de alegria?
Das raras e distantes belezas
Das poucas levezas e finezas,
nenhuma moleza e o enfrentamento das baixezas
Das avalanches de safadezas e torpezas?
O que será a vida?
Além das rasas batalhas vencidas,
Mas...da guerra perdida????
Ver maisAlém do teu olhar indiferente,
Do abraço mal abraçado, tão frouxo?
Da boca humilhada , esmolando
um último beijo,
E a sufocação do mais ardente desejo?
O que será a vida?
Além do lenço da partida, ao vento,
balançando?
E do caminho esburacado
Do solo já esturricado
E do pensamento livre, agora travado?
O que será a vida?
Além da mão calejada
Da beleza consumida
Da cachaça barata, engolida
Da garganta, pelos prantos, esfolada,
Da raiva disfarçada , da indiferença degustada,
Da alma desprezada, brincando que é amada?
O que será a vida?
Além dos filhos paridos, criados, sumidos?
Das desilusões entre mulheres e maridos?
Da cama fria ... arrumada pelo desamor
Da blusa bem abotoada
E do seio não mais tocado e afagado?
O que será a vida?
Além de uma semana de agonia
e poucos minutos de alegria?
Das raras e distantes belezas
Das poucas levezas e finezas,
nenhuma moleza e o enfrentamento das baixezas
Das avalanches de safadezas e torpezas?
O que será a vida?
Além das rasas batalhas vencidas,
Mas...da guerra perdida????
sábado, 1 de julho de 2017
MAIS OU MENOS II
MAIS OU MENOS II
Vera Popoff
Não estou bem
Não estou mal
Nem contente
Nem descontente
Nem mais e nem menos.
Estou mais ou menos.
O dia não se apresenta colorido
A fotografia não é branco e preto
As fotos em branco e preto são as minhas
preferidas.
Porque imagino as cor dos olhos e da pele
A tonalidade da roupa e o verde da paisagem
De que cor é a rosa?
Qual a cor da cortina?
Demorei a perceber que as cortinas
podem ser de fumaça.
Entristeci-me com tantas cortinas descerradas...
de fumaça .
A estação é a do inverno e sinto tanto frio!
Um estranho frio jamais sentido
Frio nas costelas e na alma
Frio nos pés e no coração
Frio nas mãos e até nos abraços mal abraçados.
Não sei o que nos espera, mas parece-me:
-coisas boas não são!
A energia é estranha
O ar , carregado
Os sonhos parecem tão esfarelados!
A esperança, amarelada.
Os dias , curtos demais , não realizam desejos
Ou são compridos demais para serem suportados.
As notícias são chocantes, traiçoeiras
Os ventos , entristecidos , choram na velha janela,
Acho que vou andar no jardim
Quem sabe, algum aroma
Um sabiá , com seu canto,
trazendo graça e ventura
Não nasci para ser ...
mais ou menos!
Vera Popoff
Não estou bem
Não estou mal
Nem contente
Nem descontente
Nem mais e nem menos.
Estou mais ou menos.
O dia não se apresenta colorido
A fotografia não é branco e preto
As fotos em branco e preto são as minhas
preferidas.
Porque imagino as cor dos olhos e da pele
A tonalidade da roupa e o verde da paisagem
De que cor é a rosa?
Qual a cor da cortina?
Demorei a perceber que as cortinas
podem ser de fumaça.
Entristeci-me com tantas cortinas descerradas...
de fumaça .
A estação é a do inverno e sinto tanto frio!
Um estranho frio jamais sentido
Frio nas costelas e na alma
Frio nos pés e no coração
Frio nas mãos e até nos abraços mal abraçados.
Não sei o que nos espera, mas parece-me:
-coisas boas não são!
A energia é estranha
O ar , carregado
Os sonhos parecem tão esfarelados!
A esperança, amarelada.
Os dias , curtos demais , não realizam desejos
Ou são compridos demais para serem suportados.
As notícias são chocantes, traiçoeiras
Os ventos , entristecidos , choram na velha janela,
Acho que vou andar no jardim
Quem sabe, algum aroma
Um sabiá , com seu canto,
trazendo graça e ventura
Não nasci para ser ...
mais ou menos!
ABUSADA
Vera Popoff
Estou pensando,
cá com meus botões...
Como tenho sido abusada !
Abusaram da minha paciência
Abusaram da minha coerência
Abusaram ...quando acreditei na decência.
Ah...estou machucada
Fui abusada com violência!
Não sei se mando benzer o meu pedaço
Ou se peço ao padre que celebre uma missa
Ou se tomo passes espirituais
Ou se , de fato , enganei-me e
não percebi que "eles todos" são
exatamente iguais...na desfaçatez,
na insensatez, e na ausência da honradez.
Sábado! Sonhei com um sábado suave,
simples e leve.
Mas após uma sexta-feira de muitos abusos...
Acordei de um pesadelo?
Ou é mesmo sinistra a meia verdade descrita?
Tanto escárnio "elogiável"!
Será que vivo um momento de embriaguez?
Ou , de fato, está exposta à nudez,
toda a hipocrisia e o cinismo
dos homens , ditos, do bem?
E que , sinceramente, querem mesmo
mais um vintém !
Justificam "fortes elos" ,
descem todos os degraus,
expondo sorrisos amarelos e
afundam-se na indignidade
Já nem disfarçam que são
tão míseros e indecentes!
Ah, minha Pátria!
-Por onde anda a sua gente?
-Por onde anda a sua gente?
-Por onde anda a sua gente?
Vera Popoff
Estou pensando,
cá com meus botões...
Como tenho sido abusada !
Abusaram da minha paciência
Abusaram da minha coerência
Abusaram ...quando acreditei na decência.
Ah...estou machucada
Fui abusada com violência!
Não sei se mando benzer o meu pedaço
Ou se peço ao padre que celebre uma missa
Ou se tomo passes espirituais
Ou se , de fato , enganei-me e
não percebi que "eles todos" são
exatamente iguais...na desfaçatez,
na insensatez, e na ausência da honradez.
Sábado! Sonhei com um sábado suave,
simples e leve.
Mas após uma sexta-feira de muitos abusos...
Acordei de um pesadelo?
Ou é mesmo sinistra a meia verdade descrita?
Tanto escárnio "elogiável"!
Será que vivo um momento de embriaguez?
Ou , de fato, está exposta à nudez,
toda a hipocrisia e o cinismo
dos homens , ditos, do bem?
E que , sinceramente, querem mesmo
mais um vintém !
Justificam "fortes elos" ,
descem todos os degraus,
expondo sorrisos amarelos e
afundam-se na indignidade
Já nem disfarçam que são
tão míseros e indecentes!
Ah, minha Pátria!
-Por onde anda a sua gente?
-Por onde anda a sua gente?
-Por onde anda a sua gente?
terça-feira, 6 de junho de 2017
EMBARQUE
EMBARQUE
Vera Popoff
Embarquei nas ondas do silêncio.
Não sei se foi apenas mais um,
ou o derradeiro embarque.
Nada está pressentido
e nada está consumado.
A viagem , nas ondas do silêncio,
absurda e muda , flui...
O inverno, pelo jeito, será longo.
Sob ventos , viajo e penso,
adormeço e sonho, envolvida na neblina.
Lá , onde estava ancorada, era feio demais!
Tolerar, relevar, editar, respeitar, aconchegar
e abraçar
Eram apenas verbos, da primeira conjugação.
Abraçada e apertada pela indignação,
desgarrei-me e parti.
Se foi covardia ou rebeldia?
Ainda não decifrei.
Se foi cansaço ou dor em demasia?
Também não atinei.
Sentada na poltrona da reflexão,
já não sou combativa , nem receptiva .
Esqueci o dias mais perfeitos e os mais imperfeitos
Desperdicei minha raiva e minha fúria
Arranquei as pedras atiradas contra o meu coração,
Matei a sede da vingança
Suavizei a minha audição
ouvindo Chopin.
Por enquanto , o prazer , em mim,
é lambuzar-me da fruta
e abrigar-me das intempéries
logo ali...naquela gruta.
Vera Popoff
Embarquei nas ondas do silêncio.
Não sei se foi apenas mais um,
ou o derradeiro embarque.
Nada está pressentido
e nada está consumado.
A viagem , nas ondas do silêncio,
absurda e muda , flui...
O inverno, pelo jeito, será longo.
Sob ventos , viajo e penso,
adormeço e sonho, envolvida na neblina.
Lá , onde estava ancorada, era feio demais!
Tolerar, relevar, editar, respeitar, aconchegar
e abraçar
Eram apenas verbos, da primeira conjugação.
Abraçada e apertada pela indignação,
desgarrei-me e parti.
Se foi covardia ou rebeldia?
Ainda não decifrei.
Se foi cansaço ou dor em demasia?
Também não atinei.
Sentada na poltrona da reflexão,
já não sou combativa , nem receptiva .
Esqueci o dias mais perfeitos e os mais imperfeitos
Desperdicei minha raiva e minha fúria
Arranquei as pedras atiradas contra o meu coração,
Matei a sede da vingança
Suavizei a minha audição
ouvindo Chopin.
Por enquanto , o prazer , em mim,
é lambuzar-me da fruta
e abrigar-me das intempéries
logo ali...naquela gruta.
DONS
DONS
Vera PopoffAlguns dons, poucos dons,
singelos dons, nenhum raro dom.
Temperar um bom feijão,
Bordar e cozer à mão,
limpar o chão onde piso e donde,
algum passo de bolero, ainda deslizo.
Semear um pobre solo e colher
o que é possível.
Relembrar velhas lembranças, impassível!
Desprovida do dom da paciência ,
afastei-me dele...sem chorar.
E despedi-me d'alguns amigos , sem reclamar.
O dom de enxergar, conservei,
por causa de certas visões , padeço e me aborreço.
Deram-me, como enriquecimento,
o dom da indignação e assim,
vivo momentos de extrema sofreguidão.
Ah... por vezes até esqueço do dom de partilhar
companhias
Fugida de todo alvoroço
Cansada de muita conversa jogada fora,
Exaurida da hipocrisia , de um mundo tosco,
sem fantasia,
carrego nos ombros , a sós, os meus dias.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
CÉSAR BRANDÃO
CÉSAR BRANDÃO
Vera PopoffPede-me desculpa por intrometer-se na poesia?
Eu digo-lhe :-Grata, muito grata pelo seu tempo dedicado,
pelo trabalho empenhado e pela delicadeza registrada no seu comentário.
Fala de saudade ...sentimos a saudade dos amados
E ela , a danada, alimenta nossas almas de lembranças,
enriquece os corações de ternura, alimenta os momentos
de solidão.
César Brandão...é tão antigo dizer que colhemos o que semeamos
Tento semear um pouquinho de poesia ,a mais simples e despretensiosa, a poesia do cotidiano, da observação, escrita
na solidão de um lugar que escolhi para viver.
Lugar entre árvores e pássaros , flores e colibris,
com sabiás cantadores e juritis que lamentam.
Semeio minhas tão simples palavras e colho amigos que as recolhem, decifram e fazem-me tanto bem. Muito obrigada.
Ah...antes que me esqueça. Caminhamos do mesmo lado...
Á esquerda, buscando as mais lindas utopias!
A nossa hora está se aproximando.
Aglutinemos as nossas energias, pois ele, LULA,
conta conosco.
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