domingo, 7 de janeiro de 2018

MAIS UM

MAIS UM


Ano Novo

                 Vera Popoff


A minha casa , singela e bela,
Pintada da cor da rosa...
Abriga meu corpo, já meio exaurido
pelos setenta anos vividos!
Abriga as decepções do ano presente
Abriga as novas esperanças
do ano que vem!
Vou deixar do lado de fora da casa,
as doenças que partirão com o ano velho
Judiaram tanto do corpo,
mas não atingiram minh'alma
Do lado de dentro...as curas,
a saúde recuperada
A vida , então, restaurada e
renovada!
Que assim seja e assim será!
Simplesmente Verinha
 Os condomínios
                                            Vera Popoff
Vivo num condomínio, onde não desejaria viver.
Foi uma escolha equivocada
O lugar é grande, elegante e ostenta!
Ostenta uma elegância, que de fato, não tem.
Ostenta um falso glamour daqueles que pensam que são, mas nada são! ...
Ostenta uma compreensão acerca da vida socialmente sadia
Mas de verdade, como estão socialmente enfermos!!
O lugar onde vivo exibe-se como uma casta e vasta elite brasileira
Ah...como enganam-se estes meus vizinhos !!!
Encantam-se com poucas coisas:
- um asfalto na porta
-fogos de artifícios para exibirem suas presenças medíocres
-músicas nas alturas demonstrando poder
-grosserias e indelicadezas
-quadras de tênis quando nem raquetes sabem segurar
- serviçais para recolherem seus lixos mal acondicionados
-carros importados , ainda que com prestações atrasadas
-gargalhadas d'uma alegria regada à uísque barato e falso , assim como são baratas e falsas ...as suas vidinhas.
CHEGA!
Vera Popoff
Agora , chega!
Nasci, chorei,cresci....
Amei quem não amou o meu amor.
Escolhi caminhos tão penosos!
Iludi-me e desiludi-me
Apaixonei e me desesperei
Participei de todas as lutas
que passaram por mim
Plantei mil árvores e escrevi livros, mal escritos,
mas estão lá,
abertos por alguns, ou fechados e não lidos.


Pari , amamentei e chorei todas as dores,
e sorri algumas alegrias,
mesmo nunca tendo sido, verdadeiramente,
inteiramente e inconsequentemente... alegre.
Arrisquei-me mais do que podia,
Andei muito além do desejado
Dancei passos mal marcados
Abdiquei dos sonhos mais lindamente sonhados.
Fui tola, ingênua, pequena
e tão grande,
quando exigiram-me crescimento.
Mas agora, cansei.
Sento-me sob árvores que plantei
e sinto o cheiro bom do jasmim
Acaricio as pétalas das rosas escolhidas, no jardim.
Aprecio a construção do ninho
e emociono-me , apenas e tão somente
com o passarinho.
Sair do meu quintal para ver o quê??
Convidada, não vou às festas
e não vivo para aparar mais arestas.
Chega de exposição e tanta decepção
Chega de querer convencer ,
de esmurrar o mal querer
de lembrar o que desejo esquecer.
O mundo, fora daqui ,
está duro, sujo e cruel
As palavras são fel!
E eu gosto mesmo é de lamber a própria mão,
lambuzada de mel.
Dane-se! Cansei!
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O nome dela é Zygopetalum

                                                 Vera Popoff
Olá, Zygopetalum!
Tu chegaste pequena e tão sem graça!
Pensei: -não será fácil lidar com ela. Raízes frágeis , tão minguadinha,...
Oh , pobrezinha!
Mas fomos vivendo:
Uma cuidando da outra
Entreguei minh'alma aos teus desvelos.
Entregaste a mim a tua sorte
Teu nome? Espécie?
Desconhecia.
Minhas dores...tu não sentias.
Cascas de ovos , pó de café, carvão moído e uma alquimia
ativa que me motiva.
Folha daqui
Raiz dali
Verde brilhante e alguns botões
Enfim...tuas flores!
Mas e o teu nome,
donzela flor??
-Zygopetalum?
Encantaste-me e me enlevaste
Estou feliz, passou a dor
Se não passou, nem a percebo!
Nosso segredo!

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CLASSE MÉDIA

Classe Média

                           Vera Popoff
Difícil
Cruel...
Incômodo
Desconfortável e
Irritante...
Conviver com a classe média, mediana e medíocre!
Gritam para mostrar que estão
Festejam a própria limitação
E cantam a ostentação!
Fazem-se presentes
Mesmo quando os desejamos ausentes
Buzinam seus carrões e bradam a ignorância triste
Apontam seus dedos em riste
São rasos, pequenos e tristes.
Exibem- se como se fossem a elite
Mal sabem que são apenas deprimidos
desajustados e desconhecidos!
Forçam uma elegância, mas tropeçam na própria arrogância.
Pior para mim
Ah...quanto desconforto
Viver ao lado de gente
Que de humanos ,não possuem
nem mesmo, a patente.

Certos que
ANO NOVO?

                                                                Vera Popoff
Chegou o ano que todos os anos ,
esperamos!...
O ano novo, que de novo, nada tem!
Pedimos a mudança, mais força, mais esperança e a prosperidade , que nunca vem!
A caçarola no fogo, avental, mais um feijão
Aqui, está tudo igual, quase normal
O novo não apareceu, bate igual,
meu coração!
A queima de fogos...o irritante rojão
Se tenho as estrelas do céu,
Por que me importaria com os fogos
e a sem graça ilusão?
Isolo-me , escondo-me, abstraio-me
Assim , não preciso do riso amarelo
e da frase de pouco efeito:- Feliz Ano Novo!
Poupo- me , já na velhice , do costumeiro bordão!
Fico melhor , na solidão!
Os sonhos?? Não, não foram embora!
São mais lindos a cada hora
Guardo-os na caixinha do meu peito
Afinal, a quem mais importam
São meus. Loucos, livres, benfazejos
Quem sabe , viram verdade,
com luta, boa vontade, energia e
gotas d' alguma verdade.

AH...DOR!

AH...DOR!
                             Vera Popoff

Ah...dor!
Dor que dói sem dó de doer!
Dor que afasta a magia e a fantasia
Dor que aniquila os caminhos...e afunila.
Ah...dor!
Fecha inda mais os olhos
de pouco enxergar.
Estanca a alma peregrina
Destrói um coração de menina.
Dor que acarreta a perda do rumo e do prumo
Dor que amontoa , num só corpo,
o desânimo, o peso, o cinza do mundo.
Destrói  a energia acumulada em apenas,
                        um segundo!
Dor desmedida e destemperada
que açoita o corpo até na madrugada,
                        sem piedade!
Dor que dói sem dó de doer!
Faz a estrada poeirenta e a vida sequiosa
Traz tristeza e alavanca na mente dolorida,
todas as mais vís pequenezas.
Desanima, faz o tempo não passar...
                         só doer!