quinta-feira, 11 de abril de 2019

SAIR DE CENA

SAIR DE CENA
Vera Popoff
Sair de cena , às vezes ,
faz parte do teatro da vida....
O texto da peça enfastiou-me!
O figurino esgarçou-se
A página amarelou
A voz emudeceu.

Tempo de cerzimentos,
reflexões e ponderações!
Momento para a solidão,
sabiamente , ela habitará o palco!
Os textos serão reescritos
com a fantasia do manuscrito!
Na reestréia ...a luz estará focada
A roupa bem costurada
A vontade , respeitada
A energia , com retoques mais
carregados!
O palco estará ampliado
No espaço redecorado,
novas óperas cantadas,
novas paixões deflagradas
e chuvas douradas... sobre
inéditas utopias e ilusões.
No centro do palco redefinido,
esperanças brotadas
e sementes de amor
lançadas !
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SOLIDÃO POVOADA

Solidão Povoada
Vera Popoff
A solidão é ampla.
Tem atalhos que percorro...
sempre, sempre ...só.
Tantas vezes, olham-me com dó!
Tolos, tenho a alma povoada

O coração com muitos compartimentos
Onde vivem a saudade boa,
A coragem de viver à toa,
Lembranças tatuadas
Histórias bem e mal contadas
Poucas verdades e mentiras gostosas de ouvir.
"Causos" , muitos causos.
Sou guardadora compulsiva
de causos ouvidos
lidos e relidos, contados pelas
comadres, compadres e padres.
Causos das avós, do pai,
um brilhante contador de causos.
Caminho cedo, quase na madrugada
Encontro pessoas boas
As ruins, mando procurar
aquele mau lugar!
Três bichanos aguardam a comida
Levo na bolsa de pano que carrego
Sem folgar os passos
Um dever do qual o pé, eu não arredo!
O Nego, cão da rua
Enche-me de carinho
Abana o rabinho
E faço-lhe um afago
Dou -lhe grãos de ração ,
sua recompensa
Sistemático, mas livre!
Faz o que quer,
quando quer.
Nos alheios jardins, onde passo
Controlo a floração
Toco as flores com doce olhar
Com receio de as machucar!
Medito. O que é meditar?
Não tive esta aula, mas posso
imaginar
inventar
Intuir
sem falar.
Dou um drible na dor!
Ela leva um chapéu
Uma finta e dá um tempo !
Saio da marcação
e descontraída, memorizo
uma poesia ou canção!
Solidão povoada!
É mesmo, uma solidão arretada.
Joga com as palavras, mas
destrata o conceito e a ideia formada.
Aceita o sim e o não
Tem ojeriza ao talvez!
Talvez, sim?
Talvez, não?
É conversa que fica em cima
de muro.
Mal suporto uma cerca ou porteira
Muros? Só os derrubados.
Alma murada é alma confinada
Não voa, não corre , não viaja
Daí, a solidão perde o encanto
de ser a solidão povoada!

domingo, 7 de abril de 2019

PLANTA BAIXA E VISÃO OBLÍQUA

PLANTA BAIXA E VISÃO OBLÍQUA
                                               Vera Popoff

A geografia judia...
Provas e estudos , leituras
Tudo tão distante de mim!
A cabeça gira por todos os lados
Ah...só desejo pisar num chão seguro
Abrir o meu coração mansinho
como um porto de carinho.

Dá um nó , enxergo embolado
Fico desorientado
tanta visão explicada!
Paralela, vertical e  horizontal
Na visão oblíqua, enxergo de cima
          e meio de lado
Só desejo enxergar a vida
            com amor
Já chega de  insegurança e dor.

Desenhei a planta baixa
Primeiro na minha alma
Depois na folha branquinha
O meu quarto abrigador
A  cozinha , a sala e a  varanda
Onde danço a minha ciranda.

N a reta , na curva ou na paralela
Pedalo a minha bicicleta no espaço
        do meu quintal
Para mim, um espaço sem igual
Na Mooca, dentro da capital,
no estado de São Paulo
Um pedaço do Brasil
Mas olho  para cima e só enxergo
nuvens brancas num céu azul anil.


quarta-feira, 27 de março de 2019

A MENINA , AO FUTEBOL O GAROTO, AO DESENHO

A MENINA, AO FUTEBOL
O GAROTO, AO DESENHO

                                                      Vera Popoff
Bom mesmo é contrariar a tese da ministra goiabeira.
Meus netos, vivos , espertos, fazem as suas escolhas
A menina é craque de bola. Dribla e finta a molecada. Joga no time masculino da escola e do condomínio onde vive. Todos a querem no ataque , sem preconceito de gênero, sem frescura.
-O futebol é a minha vida, vovó! A chuteira foi o melhor presente que recebi.
Nathália  faz o drible da vaca e dá um chapéu no adversário: GOOOOLLLLLLLL! É da Nathália! De placa e de três dedos,
comemora a nossa jogadora.
William me diz:
-Vovó, não curto o futebol! Muito sol e correria! Fico suado
e cansado. Eu gosto de desenhar!
Faz aulas de desenho e está se saindo bem. É mais introspectivo, comenta sobre as nuvens do céu e os nomes de cada estrela. Conta histórias , como ninguém!
Dança ritmos intensos, concentrado em cada passo.
Menina, menino,  ser humano...sejam felizes!
Amem, corram, misturem-se, crianças!
Menino faz o que gosta
Menina , o próximo gol, é a nossa aposta!


 


IGUAL, PORÉM, DIFERENTE

IGUAL, PORÉM , DIFERENTE

                           Vera Popoff

Todos os dias o mesmo caminho,
as mesmas ruas, aquelas esquinas...
manjadas... sem surpresas.
Mas como sou fingimento,
finjo.
O olhar busca a bonita mentira
A alma alcança o orgasmo
d'uma nova paixão.
E o mesmo caminho é sentido,
mas tão sentido, quanto fingido.
O olhar é ávido. Já não vê as mesmas folhas,
Os sonhos estouram as rolhas
e brindam !
Os mesmos passantes, os poucos amantes, o vento nas folhas
e os sonhos estouram as rolhas
                      e  brindam!
Cada passada é cadenciada
como um samba bem sambado.
A saudade fica para trás
Lembrança velha se desfaz
A manhã passará num zás trás
É possível fingir
É possível mentir
O igual está mais contente...
O igual está diferente.

Os sonhos estouram as rolhas
          e  brindam

sexta-feira, 15 de março de 2019

AUSENTEI-ME

AUSENTEI-ME
                                    Vera Popoff
 
Ausentei-me do cravo e das rosas
Ausentei-me do sol e da brisa
Ausentei-me da primavera
 
 

VENCIDA

VENCIDA
                       Vera Popoff

Prometi-me um dia bonito!
Jurei abrandar os meus sofrimentos
e apagar os tantos ressentimentos
Superestimei minha competência
e nem mesmo os versos prometidos
extravasaram d'alma , agora , sem asas.
Vencida, vagarosa ...
escondi-me das minhas sagas.