FITEIRA
Vera Popoff
Se os teus olhos, eu fito
E tu, os meus olhos , fitas
Também fitas minh'alma
e a tua fita me acalma.
És fiteira e sou fiteira,
Por isso, sempre andamos unidas,
por um lindo laço de fita.
D'onde estás, sei que me fitas.
D'onde estou ,capto os teus olhos
fitando-me.
Juntei o teu lindo vestido
ao meu vestido preferido
Num ato de amor eterno.
Nossos vestidos se tocam, se enrolam,
se envolvem , se amam.
Guardei-os, assim, tão juntinhos,
numa caixa bonita e cheirosa,
adornada com laço de fita.
Fitas daí o presente e diz-me, oh filha fiteira:
-Gostaste do laçarote?
Desmaio de amor e faço fita.
As fitas ligam meu peito ao teu peito
Oh, menina fiteira, os teus olhos , fito
E tu fitas os meus!
Não há como resistir
a tua delicada fita.
Ah...minha doce fiteira
guardo dentro do peito
Teu jeito dengoso e fiteiro
A tua fita enlaçou-me
A minha fita amorosa, enlaçou-te!
Enlaçadas estão as nossas vidas
num lindo laço de fita.
E eu enlaço o teu amor
na minha alma fiteira.
Tu enlaças os teus carinhos
nos meus cabelos enroladinhos,
presos com um laço de fita.
Nossas vidas, eternamente, unidas,
nos laçarotes que prendem
as nossas lembranças.
Serás sempre a minha criança
fiteira.
Serei sempre a tua mãe ,
que sorrirá
diante das tuas carinhosas fitas.
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
terça-feira, 22 de outubro de 2019
O QUE ACONTECEU? (2)
O que aconteceu ?( II)
Vera Popoff
Não reconheço a energia que vagueia
Mudou o mundo e mudei meu rumo...
Bateu grande exaustão e meu coração não suportou
Meu grito que era forte, ficou entalado
A pobreza do conhecimento
Já não bole com minh'alma
Passo o dia remendando
numa opção frágil e inesperada:
Voltei a ser uma costureira
Ou talvez , só uma cerzideira.
A máquina de costura é o som preferido
Junto os retalhos , obedecendo a simetria
Pensamento se desprende
Mas o seu alcance bate no limite.
Eu virei obreira de obras desnecessárias
Estou perdida aqui, no meu pouco espaço
Por que vou idealizar?
Está mais leve, fingir e ignorar.
Adiei o sonho
Calei a voz
Chorei a lágrima
Perdi o entusiasmo
Cansei da espera que desespera
Meu lábio tremeu
O olho pula, num movimento involuntário
O que aconteceu?
Quem sabe , a outra, tão irriquieta ,
não passou de raso idealismo
E jamais foi de verdade.
Só o pobre arroubo d'um lirismo.
Vera Popoff
Não reconheço a energia que vagueia
Mudou o mundo e mudei meu rumo...
Bateu grande exaustão e meu coração não suportou
Meu grito que era forte, ficou entalado
A pobreza do conhecimento
Já não bole com minh'alma
Passo o dia remendando
numa opção frágil e inesperada:
Voltei a ser uma costureira
Ou talvez , só uma cerzideira.
A máquina de costura é o som preferido
Junto os retalhos , obedecendo a simetria
Pensamento se desprende
Mas o seu alcance bate no limite.
Eu virei obreira de obras desnecessárias
Estou perdida aqui, no meu pouco espaço
Por que vou idealizar?
Está mais leve, fingir e ignorar.
Adiei o sonho
Calei a voz
Chorei a lágrima
Perdi o entusiasmo
Cansei da espera que desespera
Meu lábio tremeu
O olho pula, num movimento involuntário
O que aconteceu?
Quem sabe , a outra, tão irriquieta ,
não passou de raso idealismo
E jamais foi de verdade.
Só o pobre arroubo d'um lirismo.
O QUE ACONTECEU ?
O que aconteceu ?
Vera Popoff
Nem clareia o dia e estou de pé
Nem nasceu o sol e vou coar café
O galo nem cantou e já descarto a fé
Escuto a primeira nota e parece ser o ré.
Estou tão diferente, o interesse é outro
O que me bastava, agora é tão pouco
O riso , antes, leve e solto
É hoje, sutil e frouxo.
Fechei o livro, mesmo sabendo nada
Quase desligada, o pensamento vaga
Vejo pouca gente , a rotina está tão transformada.
O silêncio e a solidão povoaram a alma
Mesmo envergonhada, rimo alma e calma
Mesmo sem vontade , ainda almoço e janto.
O QUE ACONTECEU? (3)
O QUE ACONTECEU?(3)
Vera Popoff
Uma esquina, um lote desocupado,pelos pássaros e aves diversas, habitado.
Lagartos deslizando sobre folhas secas.
Uma banco feito de tronco
A placa indicando o ponto da circular.
Sentávamos , o João, o Adir, a Lúcia, o Pereira
Papos descontraídos orquestrados pelos cantos
sabiá e sanhaço
bem-te -vi
pica-pau
Um acorde sobrepondo-se ao outro
O agudo, o mais grave, o trinado, o tenor.
Numa manhã, o banco de tronco foi arrastado
A placa indicando o ponto foi derrubada
O nosso encontro, definitivamente, desmarcado.
Eita, máquina impiedosa!
Nada lhe comoveu: sibipiruna tombada
Aroeiras esmagadas, pau-ferro não resistiu
Nem mesmo o querido ipê amarelo foi respeitado.
Devastação de moer junto, o coração.
Silenciou a orquestra das aves da mata
Situação que ninguém resgata.
No lugar, um luxo de cimento e pedra
Muros , seis palmeiras compradas, já ressecadas
Buxinhos podadinhos e bem redondinhos
Pérgolas de cimento armado
Um desastre anunciado.
Chora o vento, não cai a chuva
A natureza protesta, a poeira já infesta.
Pobre rica mansão!
O morador ostenta um riso orgulhoso,
mas o seu destino é a suntuosa prisão!
Vera Popoff
Uma esquina, um lote desocupado,pelos pássaros e aves diversas, habitado.
Lagartos deslizando sobre folhas secas.
Uma banco feito de tronco
A placa indicando o ponto da circular.
Sentávamos , o João, o Adir, a Lúcia, o Pereira
Papos descontraídos orquestrados pelos cantos
sabiá e sanhaço
bem-te -vi
pica-pau
Um acorde sobrepondo-se ao outro
O agudo, o mais grave, o trinado, o tenor.
Numa manhã, o banco de tronco foi arrastado
A placa indicando o ponto foi derrubada
O nosso encontro, definitivamente, desmarcado.
Eita, máquina impiedosa!
Nada lhe comoveu: sibipiruna tombada
Aroeiras esmagadas, pau-ferro não resistiu
Nem mesmo o querido ipê amarelo foi respeitado.
Devastação de moer junto, o coração.
Silenciou a orquestra das aves da mata
Situação que ninguém resgata.
No lugar, um luxo de cimento e pedra
Muros , seis palmeiras compradas, já ressecadas
Buxinhos podadinhos e bem redondinhos
Pérgolas de cimento armado
Um desastre anunciado.
Chora o vento, não cai a chuva
A natureza protesta, a poeira já infesta.
Pobre rica mansão!
O morador ostenta um riso orgulhoso,
mas o seu destino é a suntuosa prisão!
domingo, 16 de junho de 2019
"O CONGE"
"O CONGE'
Vera Popoff
Exibindo-me como justo, quase um monge
Mas cheio de paixões, tão vulnerável" conge"
Sobre salto alto, na mídia desfilei
Sob adoração de mal intencionados, vacilei!
Holofotes, arrogância , vaidade, destemor!
Senhor de mim, sou quase um deus.
Reverenciado, jamais conheci um dissabor
Humilhei e à ética , eu disse adeus!
Julguei e trapaceei, como ser vil e vingativo
Cumprindo juramento num leito de morte
Intimidei e debochei, pisei na própria sorte.
Vaidoso e burlador , virei herói de barro
Sentenciei , trapaceei, subi num pedestal
Da noite para o dia , virei um ser bizarro.
Vera Popoff
Exibindo-me como justo, quase um monge
Mas cheio de paixões, tão vulnerável" conge"
Sobre salto alto, na mídia desfilei
Sob adoração de mal intencionados, vacilei!
Holofotes, arrogância , vaidade, destemor!
Senhor de mim, sou quase um deus.
Reverenciado, jamais conheci um dissabor
Humilhei e à ética , eu disse adeus!
Julguei e trapaceei, como ser vil e vingativo
Cumprindo juramento num leito de morte
Intimidei e debochei, pisei na própria sorte.
Vaidoso e burlador , virei herói de barro
Sentenciei , trapaceei, subi num pedestal
Da noite para o dia , virei um ser bizarro.
SEM TÍTULO
SEM TÍTULO
Vera Popoff
Sem título.
Um texto sem título e
sem conteúdo.~
Diante de acontecimento vil
minh'alma envolve-se
num silêncio tão hostil!
As letras soltas, à deriva,
esperam harmonia e leveza.
Mas pobre de substância,
ou d'um terreno mais fecundo
Assisto perplexa, as dores do mundo.
Da boca seca , não flui verso e
não flui canção,
O poema até tentou vir à luz,
mas não vingou.
Como encontrar uma rima,
num tempo de sordidez e traição?
Vera Popoff
Sem título.
Um texto sem título e
sem conteúdo.~
Diante de acontecimento vil
minh'alma envolve-se
num silêncio tão hostil!
As letras soltas, à deriva,
esperam harmonia e leveza.
Mas pobre de substância,
ou d'um terreno mais fecundo
Assisto perplexa, as dores do mundo.
Da boca seca , não flui verso e
não flui canção,
O poema até tentou vir à luz,
mas não vingou.
Como encontrar uma rima,
num tempo de sordidez e traição?
domingo, 9 de junho de 2019
GUARDANDO PÉROLAS
GUARDANDO PÉROLAS
Vera Popoff
Só , no canto preferido da velha casa
Ofegante com o carinho recebido
Minha vida , há muito, já não é rasa
No peito, o coração, amorosamente , sucumbido.
Na caixa preciosa forrada de cetim
Vou guardando as delicadas pérolas
Tesouros d'uma vida contada num folhetim
E a preciosidade das amizades madrepérolas.
Suspirando, recebo outro presente
A surpresa , um raio vindouro de suavidade
Traz-me de volta ao dia, até então, morno e ausente.
Ditosa , agora, observo a caixa dos guardados
Uma pérola, uma amizade, um colar feito de carinho
Aconchego-me, enrolada na utopia, no doce ninho.
Vera Popoff
Só , no canto preferido da velha casa
Ofegante com o carinho recebido
Minha vida , há muito, já não é rasa
No peito, o coração, amorosamente , sucumbido.
Na caixa preciosa forrada de cetim
Vou guardando as delicadas pérolas
Tesouros d'uma vida contada num folhetim
E a preciosidade das amizades madrepérolas.
Suspirando, recebo outro presente
A surpresa , um raio vindouro de suavidade
Traz-me de volta ao dia, até então, morno e ausente.
Ditosa , agora, observo a caixa dos guardados
Uma pérola, uma amizade, um colar feito de carinho
Aconchego-me, enrolada na utopia, no doce ninho.
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