sexta-feira, 22 de maio de 2015

TREPADEIRA SAPATINHO DE JUDIA

MISTURANDO JARDIM COM POESIA
Quando planto ou semeio , escrevo um verso na alma.
Misturo os aromas, as cores , o verde e o verso!
A vida vai dando tão certo!
A simplicidade, a lealdade da planta é comovente!
Ai, como fico contente!
Por que precisaria mais do que uma flor
para deixar o meu dia , momentos,
cheinhos de sonhos, delírios e amor?
 
 
Quando plantei a trepadeira, realizei um sonho.
Dia a dia cuidando, zelando, às vezes até interferindo na condução dos seus galhos.
O resultado previsto é visto. Originária da Ásia, adaptou-se muito bem aqui na nossa terra.
Gosta de clima quente e úmido, sol pleno , mas cheguei a vê-la bem bonita à meia sombra.
Depois de adulta exige poucos cuidados.
 
 
 
 
 
TREPADEIRA SAPATINHO DE JUDIA
(Vera Popoff)

Plantei a trepadeira "Sapatinho de Judia" e esperei:
- o primeiro verdor dos seus galhos,
- a primeira flor amarelando o espaço,
-a primeira leve sombra na varanda,...
-o primeiro colibri pressuroso e belo.
- a primeira abelhinha obreira.
Chegaram todos, de uma só vez!

Devolvi , cheia de alegria, pra ela:
- o primeiro sorriso aberto,
-o primeiro agradecimento,
-a primeira carícia,
- a primeira audição das "Quatro Estações de Vivaldi!"

Juntas, agora, abrigamos:
-as primeiras borboletas azuladas,
- o canto dos primeiros sabiás,
-a primeira rede pendurada,
-a primeira preguiça, sem culpa!
-as primeiras palavras torcidas e retorcidas,
- o primeiro brinde às nossas simples vidas unidas, compartilhadas!
A linda trepadeira é realidade, agora !
 
SAPATINHO DE JUDIA OU THUNBERGIA MYSORENSIS
 
 
 
 
.
        

ESPERAR

ESPERAR
 
         (VERA POPOFF)
 


 Esperei a lua cheia,
mas ela não rompeu as nuvens!
Acendi a luz da vela e repousei sentada no vazio....

Esperei pela chuva,
mas ela não choveu!
Precisei regar as plantas com o velho regador.

Esperei pelas palavras,
mas elas não chegaram.
Não consegui escrever os meus versos.

Esperei por alguém que está longe,
enchendo o meu peito de dor e saudade!
Tive que me contentar com fotografias.

Esperei pelo vento promissor
que traria boas novas.
Soprou apenas uma leve brisa
para enganar-me...um pouco.

Esperei pelas tintas.
Queria pintar uma tela com girassóis.
Só consegui carvão para desenhar uma rosa na parede.

Esperei a estrela D'alva!
Ela não alumiou a minha noite.
Acendi um abajour.

Sinceramente!!!
Acho que o dia precisa acabar depressa!
Ele já devorou a minha esperança,
exauriu a minha alma,
desapontou o meu coração,
confundiu a minha vontade!

Vou cerrar os olhos, ouvir o silêncio frio e
desmaiar meu corpo em lençol branco.
Esperar:
a nova aurora,
a nova inspiração,
a nova alegria, a nova chuva,
a nova canção, a nova esperança,
a próxima lua cheia,
o novo começo...
 
 

 

CANTO AO DIA

O sábado entrou lindo!!!
O céu está azul e pássaros voam...voam... voam... povoam a vida com seu canto !
Que todos possam viver esse dia na sua plenitude!! Segue uma homenagem aos caros amigos.

.CANTO  AO DIA          (Vera Popoff)
     
Definitivamente,
não vou mais chorar!
Abandono a dor e acendo a luz!
Corre mais rubro o sangue em minhas veias.
Retomo o curso e vou rolar as águas
do rio de minha vida!
Do peito arranco nódoas!
Deixo passar pesares de ausências tão sentidas!
O farto acúmulo de indignações deságua em mares
desconhecidos.
Da boca outrora amarga,
solto o riso de esplendor e,
abro os braços para abraços de quentura!
Não vou mais prantear por amores mal vividos,
efêmeros são alguns sentimentos,
algumas paixões!
Vou prolongar os momentos de ventura e,
alastrar pelo curso do meu tempo
a primavera, o brilho, a luz, o sol, a cor!!

 

SE ME QUERES

Levantei muito cedo. Antes das 6 horas. O amanhecer apresentava-se exatamente assim. Remexendo velhas anotações ,encontrei esse poema que escrevi em 1967, aos 18 anos. RELEMBRANDO...


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SE ME QUERES ( Vera Popoff)


Se me queres, estenda-me a tua mão!...
Se me queres, ouve a minha voz!
Se me queres, aceita o meu perdão!
Se me queres , enxuga a minha lágrima e acolha o meu riso!
Se me queres, alivia essa saudade!
Se me queres, volta, entra, senta na tua poltrona e toma o teu café!
Se me queres, abra o teu livro e conta-me a tua história!
Se me queres, brinda comigo o encontro, o reencontro, a vida!
Se me queres, abraça-me forte e fica!
Se me queres, olha-me no olho ! Eu entenderei tudo!
Se me queres, basta um aceno e eu corro livre, leve e feliz !
Vou voando ao teu encontro!


 

QUARTO NO CORAÇÃO

QUARTO NO CORAÇÃO
                                           (Vera Popoff)..

.
Preparei para a tua chegada
um quarto bem arrumado
dentro do meu coração!
Na cama, colcha de retalhinhos
emendados,
pedacinhos de ternura, de carinho,
de algodão!
Travesseiro bem macio...
Tua cabeça apoiada sentirá a textura,
a lisura do cetim cor-de-rosa,
do cheiro suave do lírio,
em noite de lua amorosa!
Voarão borboletas...
brancas e amarelas,
Azuis, liláses e multicores!
Tanta doçura e beleza afastarão de ti
todas as dores!
E os teus sonhos?
Ah, teus sonhos serão tão risonhos!
Melodia baixinha e cheia de harmonia!
Na noite reinará suavidade e paz !
A tua aurora entrará envolta
em laivos de muita alegria!


 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

PAPEL MACHÊ

 
       A TÉCNICA DO PAPEL MACHÊ : a técnica do papel machê  sempre foi uma das minhas paixões. Com papéis molhados, amolecidos, espremidos e juntados a um tanto de cola e uma colher de vinagre , viram uma pasta de modelar. Com ela , modelamos carinhas de bonecas, vasinhos, animais e o que mais a imaginação permitir! Modelei as carinhas de dois velhinhos par homenagear meus avós! Corpos de panos e roupinhas boladas com retalhos diversos.
 
 
 
Meus dois velhinhos com carinhas de Papel Machê. Seus nomes: Severino e Josefa. Inspirada na técnica dessa arte com papel, escrevi um texto. Segue.

PAPEL MACHÉ (Vera Popoff)

Crianças do tempo antigo,
do tempo que eu ainda contava o tempo,
brincavam com carrinhos de papelão....
Bonecas de pano eram tratadas com carinho, com desvelo ,
abraçadas ao coração!

Colhiam as frutas no pé.
A vida tinha gosto de amora doce, de manga madura, de laranja lima, goiaba vermelha.
Tudo ,com sabor de mel!

Brinquedos?? De papel machê.

Crianças corriam na rua,
Cabelos ao vento,
Pisavam os pés, na enxurrada barrenta!

Brinquedos?? De papel machê.

A arte com água, cola, papel,
Contornos de sonhos, magia, ilusão,
Arco-íris, aquarela e anil...

Brinquedos??? De papel machê.

Vida vivida , completamente!
Embalada por simples canções.
Rostos rosados passavam desnudos,
entre ramos das plantações.
Quintais cheirando hortelã, cidreira, alecrim...

Brinquedos??? De papel machê.

Portões sempre abertos,
Balanços pendurados nos galhos do tamarindeiro .
Galo cantando , primavera amorosa chegando...

Brinquedos??? De papel machê.

Oh, leveza tão tenra!
O sorriso contente da mãe e a voz grave do pai.
A existência moldada
na massa do papel machê!

Voltei à infância, moldei as carinhas.
Fiz corpos de pano e roupas de missa.
Dei nomes: SEVERINO E JOSEFA!
Sorri sorriso de menina, mexi as palavras, escrevi,
contando os meus casos
- de papel machê


 

AS BOLSAS DEPANO

                  HORA E VEZ DO ARTESANATO COM MINHAS BOLSAS DE PANO
 
 
Os tecidos, fitas, rendas, laçarotes, fazem parte da minha vida. Usando tudo isso, faço às vezes, bolsas de panos.
Segue um texto sobre elas:


             BOLSAS DE PANO (Vera Popoff)

Veem essas bolsas de panos!
Com cuidado e mil retalhinhos  fui tecendo, bordando, imaginando......
Ah! O que guardarei dentro delas??
Os olhos azuis ou negros que me olharam, um dia?
As doces bocas de beijos e beijos?
Amigos gentis? Carinhos de mãe?
Quando no peito, rebentarem emoções,
vou guardá-las também!
Lágrimas , não! Nem tristeza, nem mágoas.
Meu Deus, o que mais??
A gentileza dos queridos amigos que me afagam,
que leem meus textos e me agradam .
Guardarei as estrelas e a lua que alumiam meus sonhos!
O escapulário , alguns santinhos,

 pois preciso de proteção.
As doces palavras que vou escutando, os gestos fraternos,
               borbotões de alegria!
Guardarei tintas, pincéis pra pintar a vida da cor do céu.
Florinhas mimosas: rosa, branca, lilás.
Ah! Fotos antigas que trazem lembranças.
Canetas, lápis, cadernos, pra anotar as idéias, os fatos, sinais.
Algumas virtudes e quem sabe, uns pecadinhos cabem também!
Esperanças, mistérios, segredos...
Harmonias, prazeres e  o desenho d 'um coração vermelhinho!
Guardarei uma lira,
garantindo musicais  no meu dia!
Papéis rasgadinhos com nomes marcados, amados, jamais esquecidos.
Depois, vou passando e distribuindo os guardados, 

               às pessoas que sorrirem pra mim!