sexta-feira, 28 de agosto de 2015

TALOS DE ROSEIRAS

TALOS DE ROSEIRAS

                                                      Vera Popoff

Mãos sujas da terra abençoada
Mudas de rosas: amarela, rosa, vermelha,
         tanta  pétala aveludada!
São trinta talos verdes. Vingarão ou não!
A espera não desespera
Aprendi com minha mãe Natureza
Só o tempo, faz a beleza!
A mim, resta direcionar o olhar
E o lado esquerdo do peito, suspirar!

A cova tem tamanho exato
E a alegria de aguardar é fato!
As mãos , com amor, laboram
Os olhos de enxergar a emoção , choram!
Pensamento nos talos brotando
As pequeninas folhas se agrupando
Já visualizo a rosa desabrochando....

Rumino os sonhos
Precipito no imaginário, o tempo
Acendo a luz do entusiasmo
Invoco o Universo e pasmo:
-A domesticidade  da alma com a terra
é uma cena de fascínio!
Um campo minado de flores
e a direção do ato, tem o meu domínio!
Rosas e rosas e rosas e rosas....
Que  assim seja!


             

MAIS UM DIA

MAIS UM  DIA

                                          Vera Popoff

Chegou um  dia novo.
Como será vivido?
Com prazer, com baço vigor?
Laureado de perfumes ou com queixumes?

É tão cedo ainda!
Não sei se haverão sombras
Se meus lábios sorrirão,
se as roseiras plantadas brotarão.

A alma recebe o dia que apenas
              inicia...
Quer aconchegá-lo
Nele viver o triunfo da alegria
Tratá-lo com meiguice
Cantá-lo com doce pieguice.

Na manhã observada
o orvalho na folha
A juriti no cimo pendurada
A emoção pelo novo dia, aflorada!

A vontade é viver
A vontade é amar
Basta-me apenas um dia, mais um dia
Para um canto singelo de paz.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

DESAPERCEBIDA

DESAPERCEBIDA
                                  Vera Popoff

Oh, como tenho sido tola!
Décadas vividas, pouco aprendizado
Leituras, releituras e a alma,
    tão pouco observada!
Planejamento do tempo, das horas,
dos dias , semanas, anos...
Consertos, correções, revisões
Como se fosse máquina ajustável
 com ferramentas e parafusos.
Não percebi os sonhos em desuso.
Calendário obedecido, planilha organizada
E a essência tão desperdiçada!
Tal hora, tal tarefa
Tal dia, tal serventia
Tal tempo, tal acontecimento
Nenhum minuto fagueiro
Nenhum segundo onde o coração
    viesse primeiro!
A contemplação nunca permitida
A ação, sempre bem definida!
Amei sem perceber que estava amando
Desapercebida, perdi os meus  amores.
Tão atarefada! Os melhores momentos
         passei cansada!
Tão organizada, cada coisa no seu lugar,
              nada desarrumado!
O coração , sem zelo, ficou agoniado
               bate descompassado!
Apressada e agitada  não assuntei gestos e afetos,
                não correspondi sorrisos
Afinal, sempre, muito juízo!
As horas , aplicadamente obedecidas,
            correram...
Desapercebida, segui vivendo
      sem perceber a vida!
     

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A PÁGINA EM BRANCO

A PÁGINA EM BRANCO
                                                 Vera Popoff

Deixei a sua página em branco
Dias sem lhe escrever
Procurei de todo jeito
Parar de lhe aborrecer
Mas a cabeça agitada
Não para de dar piruetas
E até rabisca no vento
O que sai do pensamento!
O sol atrevido rompe a escuridão
Aguça o meu coração
A manhã iluminada
Pelos verdes  olhos d'uma menina
Inspira a primeira rima
        e talvez...
eu não consiga parar
 com a mania de rimar
e meus singelos versinhos declamar!

Ah...idade avançada
Pensa que tudo pode
Não quer saber de mais nada
A não ser pintar e bordar
Nas horas do recreio...poetar!
Alguém um dia me disse:
-"Como a idade dói!"
Dói a perna, doem costas, dói o pé
Mas minha memória ainda não dói
E uma coisa é inteira...a minha fé!

domingo, 23 de agosto de 2015

ONDE VIVO

ONDE VIVO
                                 Vera Popoff

Onde vivo agora
não tem dentro, nem fora.
Tem vazio e o infinito...
Tem a terra com mato verde
Tem o agora, mas não o  ontem.
O amanhã haverá ou não,
melhor eu pedir perdão
para alcançar a salvação!
Tem um gato que não percebo
se é alegre ou triste
seu miado é sempre igual!
Tem a moleza da sesta
Uma roupa larga e amarrotada
cabeleira fina e despenteada.
Os protestos acontecem
com a voz bem baixinha
Eu mesma ouço o meu gosto
desgosto , conforto ou desconforto.
Movimento...só dos pássaros,
 das folhas que caem,
 da flor que se  abre ou  murcha.
Cantos, ah...vários palrando
        no puro ar!
Riso,  só o meu. Ao lembrar-me
de alguém que já não vem,
mas a lembrança resiste bem!
Onde vivo agora
não tem domingo
todo dia é igual...
Tem um sonho grande
ver o galho da roseira, brotar!
Nem sei o quanto terei que esperar!
Tem neblina ao amanhecer
tem orvalho para arrefecer
a sensação que algo em mim
      vai perecer.
Meu desejo é ouvir o silêncio
e com ele , discutir, zangar,
teimar , aceitar ou não aceitar.
Quando cai a tarde
recolho-me para pensar
Decidir se ainda tenho algo a desejar
        se houver um amanhã.
 

MANHÃ DE SETEMBRO

MANHÃ DE SETEMBRO
                                                      Vera Popoff

Manhã de setembro...uma carícia
o feio virou bonito
o final voltou ao começo
o vento ventou a favor
choveu a chuva que o céu prometeu
A ilusão rasgada foi costurada
A alma desinibiu , pintou-se de azul e rosa
O coração abriu e a borboleta voando, chegou.
A boca trancada, sem palavra, sem sorriso
                 não resistiu, alegrou!
O espírito acabrunhado, ao som de setembro,
                 vibrou!
O canto engasgado  cantou e nem desafinou
O mau gosto foi para o esgoto
O bom gosto   aflorou!
A esperança depenada, esperançou
A irritação em ação, perdeu força, acalmou
A indecente preguiça bateu continência
           e tomou tenência!
O sonho atirado no lixo foi resgatado
         e reciclado.
A dor encontrou remédio
A coragem venceu o tédio
A palavra mal falada foi abafada
A cova foi aterrada e a vida...ressuscitada!

PARA VOCÊ, FILHINHA!

PARA VOCÊ, FILHINHA!
                                                     Vera Popoff

Você ficou preocupada
pois eu não lhe escrevi!
A vida nem sempre é doce, mas
sempre é uma calmaria...
Na manhã, a mesma monotonia.
Nada fora do esperado.
Na mesma hora, a mesma mania.
A monotonia entretece o meu coração..
com o brilho do sol, o verde frescor,
os tons variados, o silêncio desejado.

O dia ,  a visão do infinito, a magia...
Os males deparam-se com a singeleza,
     confundem-se e esvaem-se .
Perdem seus espaços, intimidam-se!
Não conseguem suportar um coração
ribombando tamanha e terna emoção.