TALOS DE ROSEIRAS
Vera Popoff
Mãos sujas da terra abençoada
Mudas de rosas: amarela, rosa, vermelha,
tanta pétala aveludada!
São trinta talos verdes. Vingarão ou não!
A espera não desespera
Aprendi com minha mãe Natureza
Só o tempo, faz a beleza!
A mim, resta direcionar o olhar
E o lado esquerdo do peito, suspirar!
A cova tem tamanho exato
E a alegria de aguardar é fato!
As mãos , com amor, laboram
Os olhos de enxergar a emoção , choram!
Pensamento nos talos brotando
As pequeninas folhas se agrupando
Já visualizo a rosa desabrochando....
Rumino os sonhos
Precipito no imaginário, o tempo
Acendo a luz do entusiasmo
Invoco o Universo e pasmo:
-A domesticidade da alma com a terra
é uma cena de fascínio!
Um campo minado de flores
e a direção do ato, tem o meu domínio!
Rosas e rosas e rosas e rosas....
Que assim seja!
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
MAIS UM DIA
MAIS UM DIA
Vera Popoff
Chegou um dia novo.
Como será vivido?
Com prazer, com baço vigor?
Laureado de perfumes ou com queixumes?
É tão cedo ainda!
Não sei se haverão sombras
Se meus lábios sorrirão,
se as roseiras plantadas brotarão.
A alma recebe o dia que apenas
inicia...
Quer aconchegá-lo
Nele viver o triunfo da alegria
Tratá-lo com meiguice
Cantá-lo com doce pieguice.
Na manhã observada
o orvalho na folha
A juriti no cimo pendurada
A emoção pelo novo dia, aflorada!
A vontade é viver
A vontade é amar
Basta-me apenas um dia, mais um dia
Para um canto singelo de paz.
Vera Popoff
Chegou um dia novo.
Como será vivido?
Com prazer, com baço vigor?
Laureado de perfumes ou com queixumes?
É tão cedo ainda!
Não sei se haverão sombras
Se meus lábios sorrirão,
se as roseiras plantadas brotarão.
A alma recebe o dia que apenas
inicia...
Quer aconchegá-lo
Nele viver o triunfo da alegria
Tratá-lo com meiguice
Cantá-lo com doce pieguice.
Na manhã observada
o orvalho na folha
A juriti no cimo pendurada
A emoção pelo novo dia, aflorada!
A vontade é viver
A vontade é amar
Basta-me apenas um dia, mais um dia
Para um canto singelo de paz.
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
DESAPERCEBIDA
DESAPERCEBIDA
Vera Popoff
Oh, como tenho sido tola!
Décadas vividas, pouco aprendizado
Leituras, releituras e a alma,
tão pouco observada!
Planejamento do tempo, das horas,
dos dias , semanas, anos...
Consertos, correções, revisões
Como se fosse máquina ajustável
com ferramentas e parafusos.
Não percebi os sonhos em desuso.
Calendário obedecido, planilha organizada
E a essência tão desperdiçada!
Tal hora, tal tarefa
Tal dia, tal serventia
Tal tempo, tal acontecimento
Nenhum minuto fagueiro
Nenhum segundo onde o coração
viesse primeiro!
A contemplação nunca permitida
A ação, sempre bem definida!
Amei sem perceber que estava amando
Desapercebida, perdi os meus amores.
Tão atarefada! Os melhores momentos
passei cansada!
Tão organizada, cada coisa no seu lugar,
nada desarrumado!
O coração , sem zelo, ficou agoniado
bate descompassado!
Apressada e agitada não assuntei gestos e afetos,
não correspondi sorrisos
Afinal, sempre, muito juízo!
As horas , aplicadamente obedecidas,
correram...
Desapercebida, segui vivendo
sem perceber a vida!
Vera Popoff
Oh, como tenho sido tola!
Décadas vividas, pouco aprendizado
Leituras, releituras e a alma,
tão pouco observada!
Planejamento do tempo, das horas,
dos dias , semanas, anos...
Consertos, correções, revisões
Como se fosse máquina ajustável
com ferramentas e parafusos.
Não percebi os sonhos em desuso.
Calendário obedecido, planilha organizada
E a essência tão desperdiçada!
Tal hora, tal tarefa
Tal dia, tal serventia
Tal tempo, tal acontecimento
Nenhum minuto fagueiro
Nenhum segundo onde o coração
viesse primeiro!
A contemplação nunca permitida
A ação, sempre bem definida!
Amei sem perceber que estava amando
Desapercebida, perdi os meus amores.
Tão atarefada! Os melhores momentos
passei cansada!
Tão organizada, cada coisa no seu lugar,
nada desarrumado!
O coração , sem zelo, ficou agoniado
bate descompassado!
Apressada e agitada não assuntei gestos e afetos,
não correspondi sorrisos
Afinal, sempre, muito juízo!
As horas , aplicadamente obedecidas,
correram...
Desapercebida, segui vivendo
sem perceber a vida!
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
A PÁGINA EM BRANCO
A PÁGINA EM BRANCO
Vera Popoff
Deixei a sua página em branco
Dias sem lhe escrever
Procurei de todo jeito
Parar de lhe aborrecer
Mas a cabeça agitada
Não para de dar piruetas
E até rabisca no vento
O que sai do pensamento!
O sol atrevido rompe a escuridão
Aguça o meu coração
A manhã iluminada
Pelos verdes olhos d'uma menina
Inspira a primeira rima
e talvez...
eu não consiga parar
com a mania de rimar
e meus singelos versinhos declamar!
Ah...idade avançada
Pensa que tudo pode
Não quer saber de mais nada
A não ser pintar e bordar
Nas horas do recreio...poetar!
Alguém um dia me disse:
-"Como a idade dói!"
Dói a perna, doem costas, dói o pé
Mas minha memória ainda não dói
E uma coisa é inteira...a minha fé!
Vera Popoff
Deixei a sua página em branco
Dias sem lhe escrever
Procurei de todo jeito
Parar de lhe aborrecer
Mas a cabeça agitada
Não para de dar piruetas
E até rabisca no vento
O que sai do pensamento!
O sol atrevido rompe a escuridão
Aguça o meu coração
A manhã iluminada
Pelos verdes olhos d'uma menina
Inspira a primeira rima
e talvez...
eu não consiga parar
com a mania de rimar
e meus singelos versinhos declamar!
Ah...idade avançada
Pensa que tudo pode
Não quer saber de mais nada
A não ser pintar e bordar
Nas horas do recreio...poetar!
Alguém um dia me disse:
-"Como a idade dói!"
Dói a perna, doem costas, dói o pé
Mas minha memória ainda não dói
E uma coisa é inteira...a minha fé!
domingo, 23 de agosto de 2015
ONDE VIVO
ONDE VIVO
Vera Popoff
Onde vivo agora
não tem dentro, nem fora.
Tem vazio e o infinito...
Tem a terra com mato verde
Tem o agora, mas não o ontem.
O amanhã haverá ou não,
melhor eu pedir perdão
para alcançar a salvação!
Tem um gato que não percebo
se é alegre ou triste
seu miado é sempre igual!
Tem a moleza da sesta
Uma roupa larga e amarrotada
cabeleira fina e despenteada.
Os protestos acontecem
com a voz bem baixinha
Eu mesma ouço o meu gosto
desgosto , conforto ou desconforto.
Movimento...só dos pássaros,
das folhas que caem,
da flor que se abre ou murcha.
Cantos, ah...vários palrando
no puro ar!
Riso, só o meu. Ao lembrar-me
de alguém que já não vem,
mas a lembrança resiste bem!
Onde vivo agora
não tem domingo
todo dia é igual...
Tem um sonho grande
ver o galho da roseira, brotar!
Nem sei o quanto terei que esperar!
Tem neblina ao amanhecer
tem orvalho para arrefecer
a sensação que algo em mim
vai perecer.
Meu desejo é ouvir o silêncio
e com ele , discutir, zangar,
teimar , aceitar ou não aceitar.
Quando cai a tarde
recolho-me para pensar
Decidir se ainda tenho algo a desejar
se houver um amanhã.
Vera Popoff
Onde vivo agora
não tem dentro, nem fora.
Tem vazio e o infinito...
Tem a terra com mato verde
Tem o agora, mas não o ontem.
O amanhã haverá ou não,
melhor eu pedir perdão
para alcançar a salvação!
Tem um gato que não percebo
se é alegre ou triste
seu miado é sempre igual!
Tem a moleza da sesta
Uma roupa larga e amarrotada
cabeleira fina e despenteada.
Os protestos acontecem
com a voz bem baixinha
Eu mesma ouço o meu gosto
desgosto , conforto ou desconforto.
Movimento...só dos pássaros,
das folhas que caem,
da flor que se abre ou murcha.
Cantos, ah...vários palrando
no puro ar!
Riso, só o meu. Ao lembrar-me
de alguém que já não vem,
mas a lembrança resiste bem!
Onde vivo agora
não tem domingo
todo dia é igual...
Tem um sonho grande
ver o galho da roseira, brotar!
Nem sei o quanto terei que esperar!
Tem neblina ao amanhecer
tem orvalho para arrefecer
a sensação que algo em mim
vai perecer.
Meu desejo é ouvir o silêncio
e com ele , discutir, zangar,
teimar , aceitar ou não aceitar.
Quando cai a tarde
recolho-me para pensar
Decidir se ainda tenho algo a desejar
se houver um amanhã.
MANHÃ DE SETEMBRO
MANHÃ DE SETEMBRO
Vera Popoff
Manhã de setembro...uma carícia
o feio virou bonito
o final voltou ao começo
o vento ventou a favor
choveu a chuva que o céu prometeu
A ilusão rasgada foi costurada
A alma desinibiu , pintou-se de azul e rosa
O coração abriu e a borboleta voando, chegou.
A boca trancada, sem palavra, sem sorriso
não resistiu, alegrou!
O espírito acabrunhado, ao som de setembro,
vibrou!
O canto engasgado cantou e nem desafinou
O mau gosto foi para o esgoto
O bom gosto aflorou!
A esperança depenada, esperançou
A irritação em ação, perdeu força, acalmou
A indecente preguiça bateu continência
e tomou tenência!
O sonho atirado no lixo foi resgatado
e reciclado.
A dor encontrou remédio
A coragem venceu o tédio
A palavra mal falada foi abafada
A cova foi aterrada e a vida...ressuscitada!
Vera Popoff
Manhã de setembro...uma carícia
o feio virou bonito
o final voltou ao começo
o vento ventou a favor
choveu a chuva que o céu prometeu
A ilusão rasgada foi costurada
A alma desinibiu , pintou-se de azul e rosa
O coração abriu e a borboleta voando, chegou.
A boca trancada, sem palavra, sem sorriso
não resistiu, alegrou!
O espírito acabrunhado, ao som de setembro,
vibrou!
O canto engasgado cantou e nem desafinou
O mau gosto foi para o esgoto
O bom gosto aflorou!
A esperança depenada, esperançou
A irritação em ação, perdeu força, acalmou
A indecente preguiça bateu continência
e tomou tenência!
O sonho atirado no lixo foi resgatado
e reciclado.
A dor encontrou remédio
A coragem venceu o tédio
A palavra mal falada foi abafada
A cova foi aterrada e a vida...ressuscitada!
PARA VOCÊ, FILHINHA!
PARA VOCÊ, FILHINHA!
Vera Popoff
Você ficou preocupada
pois eu não lhe escrevi!
A vida nem sempre é doce, mas
sempre é uma calmaria...
Na manhã, a mesma monotonia.
Nada fora do esperado.
Na mesma hora, a mesma mania.
A monotonia entretece o meu coração..
com o brilho do sol, o verde frescor,
os tons variados, o silêncio desejado.
O dia , a visão do infinito, a magia...
Os males deparam-se com a singeleza,
confundem-se e esvaem-se .
Perdem seus espaços, intimidam-se!
Não conseguem suportar um coração
ribombando tamanha e terna emoção.
Vera Popoff
Você ficou preocupada
pois eu não lhe escrevi!
A vida nem sempre é doce, mas
sempre é uma calmaria...
Na manhã, a mesma monotonia.
Nada fora do esperado.
Na mesma hora, a mesma mania.
A monotonia entretece o meu coração..
com o brilho do sol, o verde frescor,
os tons variados, o silêncio desejado.
O dia , a visão do infinito, a magia...
Os males deparam-se com a singeleza,
confundem-se e esvaem-se .
Perdem seus espaços, intimidam-se!
Não conseguem suportar um coração
ribombando tamanha e terna emoção.
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