quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O PECADO

O PECADO
                    Vera Popoff

Confesso os pecados,  pois muito
          pequei!
Pequei por pensamentos, palavras ,
obras e omissões. E como pequei!
Todas as arrogâncias do mundo,
          incorporei.
As traições imaginárias
          fantasiei.
As mais tolas e graves mentiras
          menti e reforcei
          menti outas vez!
Num poço fundo de mágoas
          afundei-me.
O mal ao ingrato , ao inimigo
          desejei
Fantásticas e cruéis pragas
          roguei
E o mal que me fizeram
          não perdoei.
Portanto pequei e pequei e pequei...
não aprendi e persisti no pecado.

Sou tão pecadora que nem mesmo
importo-me com as condenações,
muito menos com as absolvições
      Nada me importa
Volto a pecar. O pecado vive ao meu lado
      Como não pecar?
Jamais fui inocente como muita gente
Meu sorriso foi , tantas vezes, fingido,
    amarelo , malicioso, capcioso.
Nunca fui santa e jurei em falso
Talvez , só por isso , mereça
           o cadafalso.
Peco, pequei e pecarei
Nasci com o pecado original
Tentei livrar-me  do pecado mortal
Nos pequenos deslizes , cometi
muito pecado venial

Com os sete pecados capitais
     tive certo cuidado
Mesmo assim...pequei!
Sim , fui  gulosa, mas nunca
avarenta, pois muito gastei!
Externei e senti raiva das injustiças
        e  esbravejei.
Cobiça , inveja, soberba
      evitei.
Mas da luxúria...ah, não escapei!
Da preguiça eu me livrei.

Por tudo, por certo , serei julgada
Talvez condenada ou até , perdoada.
Mas a vida eu vivi e dancei,
      amei, beijei, desejei.
Por isso, padre, só por isso,
não escondi-me e pequei.










      

   

sábado, 20 de agosto de 2016

VERDE E AMARELO

VERDE  E AMARELO
                              Vera Popoff

Estou sendo sincero
quando digo-me enjoado
do verde e do amarelo.
Quando permito-me cansado
das "margens plácidas",
e da esperança que a  essa terra
        nunca desce!
Tenho campeado o povo heróico
   com seu brado retumbante,
Mas o que vejo é um sonho pequeno
e um raio  nada reluzente
Uma gente frágil, sem brado, sem voz,
           descontente!

Estou sendo sincero
quando acho-me enjoado
de tanto verde e amarelo,
servindo de escudo a um cinismo
       nada gentil.
Assim és tu, Brasil!
Sem paz no futuro,
tanta vergonha presente
e uma justiça que nunca se ergue,
mas pune , rebaixa, tripudia ,
condena sem nenhum amor fugaz,
quanto mais , amor eterno!

Estou sendo sincero,
quando sinto-me enojado
do verde e do amarelo ,
enrolando corpos pobres de
caráter e de  braços fortes!
Em qual seio há liberdade?
Onde anda escondido
 o penhor da igualdade?
Nem o céu é mais tão límpido!
Enxergo fuligem, fumaça no ar.
Oh, pátria deitada em berço tão áspero
            e duro!
o que será da Pátria do futuro?

Ao som de panelas e gritos infames
Já não fulguras,
Vives nas sombras sinistras,
escondendo nos becos, os oprimidos,
sentidos, empobrecidos de dignidade.

Estou muito decepcionado
com o verde e o amarelo
Não vislumbro
nenhum sol
do novo mundo!
O gigante apequenou-se ,
sem  a decantada beleza,
e tão pobre de nobreza!

Estou sendo sincero...
Como estou cansado
de penar sob o verde
e o tão  despudorado amarelo.
Salve! Salve!
Terra à vista!
Independência ou Morte!
Pois é a Morte da decência,
da competência,
da democracia frágil,
 sem consistência!


AH, VAI!!!

AH,  VAI!!!
                     Vera Popoff

Há três dias ,
exatos três dias,
não arrumo a cama.
Há um mês, não troco lençol
São muitas horas sem a luz do sol.

Uma semana que não me penteio
Ano inteiro  que não acolho alguém...
           no meu seio.

Já não observo a paisagem
Nem me perco n'alguma miragem
Manhãs vazias e frias
Tardes sonolentas , cansativas
Noites, ah...noites, nada emotivas.

Minhas mãos , tão ativas
andam segurando a preguiça
Sequer presto atenção nos sons
        ou nos tons.
Os lábios , descorados, já não são realçados
        pelo carmim dos batons.

Não digo bom dia ao fulano
Tampouco boa tarde ao beltrano
Não ergo o olhar ao sicrano
Caminho ...na companhia de mim.

Folhas ao chão
Pensamentos tão vãos
Sentimentos , sem nenhuma paixão
A alma , sem unção
e a vida sem consagração!

Ah, vai!
Inda respiro
Está pra lá de bom!

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

VELHA

VELHA
                          Vera Popoff

Hesitei, a língua enrolei,
o suor fraco escorregou,
O silêncio é "mais pequeno"
do que eu gostaria.
Senti receios, recuei para não dizer:
-Nossa , como estou velha!

Minha carcaça dói porque é velha
A alma não acende , está velha!
Desejos tão velhos,
mágoas velhas
dores velhas.
Tristezas e alegrias enrugadas
        de velhas.

O espelho não esconde:- Velha!
Cara amassada, beiços caídos,
olhar sem relumes...velhos!
E o sangue engrossado,
mal passa pelas veias entupidamente
                  velhas.

Os passos tão lentos deslizam
como passos de uma velha.
O coração tão languente com batidas
repetidas , entediadas e velhas .
Esperas e esperanças que de tanto esperar
            ficaram velhas.

Ilusões não sobreviveram...de velhas.
Saudades tão velhas deixaram de ter importância.
As lembranças velhas estão tão apagadas!!
O pensamento , ficou lá longe , no tempo
e as ideias ficaram velhas.

A casa que abriga-me é estranha e velha
Não é a casa desejada, imaginada, sonhada
Tem paredes de tinta velha
Fantasmas que, de velhos, já não assustam.
Nossa , que  palavra velha!
Linguagem velha ,
Ortografia velha,
O livro , de tão velho, ainda diz fharmácia!
ainda conta aquela história velha.

Teimo e faço poesia.
Poesia velha, construída de rimas velhas
A verdade verdadeira está aí !
Fiquei velha e sinto um velho desânimo
Não reajo a tantos estímulos velhos, pois
pobre fé , pobre força!
     Tão velhos!

terça-feira, 16 de agosto de 2016

CULTIVANDO SONHOS

CULTIVANDO SONHOS
                                                     Vera Popoff

Andando e buscando vida
Na estrada tortuosa
Admirando as flores
Conduzindo , com ternura,
 o meu jardim.

Na entrada da primavera
Tempo de renovação
Fui arrancando do chão sequioso
todos os pés de saudade

Plantei no maior canteiro
Uma muda de esperança
E esperei a brotação
regando com todo cuidado
Galho verde foi brotado.

Adiante ...ervas daninhas
Pés de mágoas, de tristeza, de crueza
Forragens rasteiras de arrogância
Mato invasor da alegria
Tudo tem que ser carpido
rastelado e adubado.
Vou espalhar as sementes da utopia.

Mais ao alto , na colina
Bem perto do sol nascente
Solo já preparado, um trabalho caprichado
Chegaram as mais lindas mudas...
            de sonhos.
E quando as flores se abrirem
O perfume será exalado
Juntos , muitos sonhos serão sonhados.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

SEM ASSUNTO

SEM ASSUNTO
                                         Vera Popoff

Quieta , irritadiça, sem assunto
O dia será difícil!
O horizonte foi embora
Sobraram as pedras , janelas fechadas, cimento.
A visão é aborrecida,
Nada é harmonioso
O passo é vagaroso
Busco uma linha leve,
mas isso , o dia me deve.
A alegria, por algum motivo besta,
hoje, não é merecida.
A alma desassossegada,
quase fica magoada,
mas se restabelece
e não emudece
Diz um canto ao meu coração:
-minimiza esta solidão!

ESTOU ACHANDO

ESTOU ACHANDO
                                       Vera Popoff

Estou achando-me cansada,
talvez  incomodada e pouco sossegada.
Dias que não escolhi
decisões que não são minhas,
aprendizados que nada acrescentam
Companhias que atrapalham
Falas repetidas , irritantes
que impedem-me de pensar.
Além de tudo, o sol ficou acanhado
e alguém perto, emburrado.
Serão horas e horas aborrecidas
Realidade chata e sentida
Um tédio profundo
Preciso de saco maior que o mundo!