EI, CORAÇÃO!
Vera Popoff
Ofereço a poesia para minha amada amiga Camila.
-Camila, poucas vezes nos encontramos , mas sempre, sempre nos quisemos tanto e nos identificamos e nos amamos. Somos a carne e somos o fogo e somos o sangue e somos a água...
Ei, coração!
Como estás sofrido!
Tens a aparência da terra arrasada
Mas a essência ...ah, a essência,
tão delicada, tão preservada, tão, tão
leve e perfumada!
Ei, meu coração!
Ferido, consegue sangrar amor.
Astuto, camufla a dor!
Choroso, finge e sorri ardiloso.
Em farrapos , tens a força
para cerzir tantos trapos!
Remendas tuas veias tinhosas, às vezes manhosas,
Mas sempre vermelhas do mais púrpuro sangue!
Ei, coração!
Meu valente coração!
Infeliz daquele que faz pouco de ti
És o vigor de toda uma vida sofrida,
tantas vezes renascida e nunca partida!
Tu nunca estás a sós!
Desatas todos os teus nós,
Pulsa , salta um carpado dobrado
e lança a tua energia nos flancos doloridos,
mas inda tão ativos e tão vivos!
Ei, coração!
São ventos da leste, do oeste,
Tempestades de sustos
Tsunamis de medos guardados em segredo.
E quando o imaginam desamparado, largado,
abandonado...
Eis que salta no peito , todo alvoroçado,
meu coração arretado!
Ei, coração!
Somos sangue pungente
Somos o fogo ardente
Somos a água corrente
Somos a paixão, a coragem,
a carne embriagada que inspira
uma singela e sincera
poesia.
Ei, coração,
no meu peito,
a rubra poesia!
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
IMPERFEIÇÕES
IMPERFEIÇÕES
Vera Popoff
Pela vida afora fui juntando
tantas imperfeições!
Mais rasas ou mais profundas
Mais graves ou mais agudas
Mais suportáveis, outras, não!
Fui carregando o peso de todas elas.
Fingindo que as corrigia,
Fazendo questão de exibi-las ,
Sofrendo por vê-las...tantas!
Sentindo culpas sem pedir perdão
Afinal, eis uma das muitas ferindo
os ombros.
Minha vida...meio louca, mas decidida
Sem medo das inconsequências,
d'algumas demências, das inconstâncias
e da insensatez.
Sempre fui sim ou não! Nunca , talvez!
Carreguei meu mundo imperfeito,
Uma a uma , as imperfeições reconhecidas,
decifradas, como num teorema, demonstradas,
analisadas e muitas, exorcizadas!
Sempre à esquerda da vida
Á esquerda dos atalhos
Á esquerda , construí sonhos
À esquerda , tantos combates!
À esquerda fui mais inteira, mais bonita,
mais amável e mais aberta, mais resistente,
mais teimosa e muito, muito, muito mais contente!
E vamos à luta!
Imperfeitos , mas duros na queda!
Quem precisa da perfeição
com tanta disposição?
Vera Popoff
Pela vida afora fui juntando
tantas imperfeições!
Mais rasas ou mais profundas
Mais graves ou mais agudas
Mais suportáveis, outras, não!
Fui carregando o peso de todas elas.
Fingindo que as corrigia,
Fazendo questão de exibi-las ,
Sofrendo por vê-las...tantas!
Sentindo culpas sem pedir perdão
Afinal, eis uma das muitas ferindo
os ombros.
Minha vida...meio louca, mas decidida
Sem medo das inconsequências,
d'algumas demências, das inconstâncias
e da insensatez.
Sempre fui sim ou não! Nunca , talvez!
Carreguei meu mundo imperfeito,
Uma a uma , as imperfeições reconhecidas,
decifradas, como num teorema, demonstradas,
analisadas e muitas, exorcizadas!
Sempre à esquerda da vida
Á esquerda dos atalhos
Á esquerda , construí sonhos
À esquerda , tantos combates!
À esquerda fui mais inteira, mais bonita,
mais amável e mais aberta, mais resistente,
mais teimosa e muito, muito, muito mais contente!
E vamos à luta!
Imperfeitos , mas duros na queda!
Quem precisa da perfeição
com tanta disposição?
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
TRISTE
TRISTE
Vera Popoff
Eu estou tão triste, triste, triste
Muito triste, triste, triste...
triste.
Sou toda pranto.
Pranto jorrado, pranto contido,
pranto expelido e
pranto pelos sonhos jogados fora e
perdidos.
Prantos expostos , prantos escondidos
num lugar de mim que costumo chamar
de alma.
Ilusões bonitas ficaram impalpáveis
Sorrisos escorregaram, caíram da boca
foram pisados e esmagados
E fiquei triste, triste, triste e muito
triste.
Já não faço esforço para fingir alegria
Entrego-me à tristeza
As folhas das árvores percebem
tanta e toda tristeza, mas
nem me consolam.
Então eu escrevo
Repito a palavra ...triste!
Triste, triste, triste, triste.
Quem sabe, exorcizo a minha tristeza
Nem mesmo a Aparecida amiga, mãe,
protetora, acolhedora consegue limpar
tanta tristeza.
Amanhece, cai a tarde, anoitece
e permaneço triste!
A palavra esperança é só uma palavra
que rima com lembrança, bonança,
liderança, destemperança, desesperança.
Espero o vento do norte, do sul,
Percorro alguns traços, olho o horizonte azul
Nada me faz desejar ou sonhar, ou me aventurar
Estanquei na tristeza e sinto-me a cada dia e hora
mais triste.
Triste, triste, triste...
Vera Popoff
Eu estou tão triste, triste, triste
Muito triste, triste, triste...
triste.
Sou toda pranto.
Pranto jorrado, pranto contido,
pranto expelido e
pranto pelos sonhos jogados fora e
perdidos.
Prantos expostos , prantos escondidos
num lugar de mim que costumo chamar
de alma.
Ilusões bonitas ficaram impalpáveis
Sorrisos escorregaram, caíram da boca
foram pisados e esmagados
E fiquei triste, triste, triste e muito
triste.
Já não faço esforço para fingir alegria
Entrego-me à tristeza
As folhas das árvores percebem
tanta e toda tristeza, mas
nem me consolam.
Então eu escrevo
Repito a palavra ...triste!
Triste, triste, triste, triste.
Quem sabe, exorcizo a minha tristeza
Nem mesmo a Aparecida amiga, mãe,
protetora, acolhedora consegue limpar
tanta tristeza.
Amanhece, cai a tarde, anoitece
e permaneço triste!
A palavra esperança é só uma palavra
que rima com lembrança, bonança,
liderança, destemperança, desesperança.
Espero o vento do norte, do sul,
Percorro alguns traços, olho o horizonte azul
Nada me faz desejar ou sonhar, ou me aventurar
Estanquei na tristeza e sinto-me a cada dia e hora
mais triste.
Triste, triste, triste...
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
REBELDIA
REBELDIA
Vera Popoff
É justo .
Depois do grande amor virar apenas
um passado
Depois do lindo sonho virar um pesadelo
desastrado
Depois da vida querida e desejada virar
uma sentença tão pesada
Depois da ilusão virar uma dor insuportável
Depois dos anéis perdidos e os dedos feridos
Depois do amigo virar uma pessoa indesejável
Depois das perdas , dos tantos danos e
dos enormes desenganos
Depois do suor derramado e do rosto cansado
Depois da alma , outrora leve, virar
uma carga pesada
Depois dos pés machucados pelas andanças
erradas e malfadadas
Depois de tanto " faz de conta"
E das contas desacertadas
Depois do mal resistir , vencer e galhofar
sobre o bem
Depois do desejo jogado fora
e do peito não mais arder em chamas
e do passado virar apenas um grande engano
Só resta a rebeldia que permaneceu menina
É justo... a rebeldia tempera e colore
a triste sina.
Vera Popoff
É justo .
Depois do grande amor virar apenas
um passado
Depois do lindo sonho virar um pesadelo
desastrado
Depois da vida querida e desejada virar
uma sentença tão pesada
Depois da ilusão virar uma dor insuportável
Depois dos anéis perdidos e os dedos feridos
Depois do amigo virar uma pessoa indesejável
Depois das perdas , dos tantos danos e
dos enormes desenganos
Depois do suor derramado e do rosto cansado
Depois da alma , outrora leve, virar
uma carga pesada
Depois dos pés machucados pelas andanças
erradas e malfadadas
Depois de tanto " faz de conta"
E das contas desacertadas
Depois do mal resistir , vencer e galhofar
sobre o bem
Depois do desejo jogado fora
e do peito não mais arder em chamas
e do passado virar apenas um grande engano
Só resta a rebeldia que permaneceu menina
É justo... a rebeldia tempera e colore
a triste sina.
CAMINHADA NA MADRUGADA
CAMINHADA NA MADRUGADA
Vera Popoff
Estou aposentada, mas
não estou destruída ou acabada.
Inda coloco o velho despertador às cinco horas e......
saio para caminhar
Caminhar na madrugada
permite-me uma baita liberdade.
É quando não encontro ninguém, além dos pássaros.
É quando rio do sol
que acorda depois de mim.
É quando brindo o silêncio
com o som dos meus passos.
É quando, de cara lavada,
enxergo dentro de mim.
É quando afago as minhas saudades,
Abro as minhas asas,
Consolo o meu coração,
que sente falta do único e
tão amado irmão... Fernando! Fernando!
-Em qual espaço andarás?
Caminhada na madrugada
desperta os finos sentidos,
A aurora aguça os meus ouvidos.
Caminhada na madrugada
instiga meus pensamentos.
Ideias brotam, crescem, engalham-se, frutificam
e ficam perenes.
Caminhada na madrugada
propicia o mágico encontro
com a mais gostosa solidão.
Caminho e requebro no rítmo
que eu quero.
É tão bom não ser observada!
É tão bom não ser contrariada!
É tão bom sentir-me, completamente, emancipada e libertada!
Vera Popoff
Estou aposentada, mas
não estou destruída ou acabada.
Inda coloco o velho despertador às cinco horas e......
saio para caminhar
Caminhar na madrugada
permite-me uma baita liberdade.
É quando não encontro ninguém, além dos pássaros.
É quando rio do sol
que acorda depois de mim.
É quando brindo o silêncio
com o som dos meus passos.
É quando, de cara lavada,
enxergo dentro de mim.
É quando afago as minhas saudades,
Abro as minhas asas,
Consolo o meu coração,
que sente falta do único e
tão amado irmão... Fernando! Fernando!
-Em qual espaço andarás?
Caminhada na madrugada
desperta os finos sentidos,
A aurora aguça os meus ouvidos.
Caminhada na madrugada
instiga meus pensamentos.
Ideias brotam, crescem, engalham-se, frutificam
e ficam perenes.
Caminhada na madrugada
propicia o mágico encontro
com a mais gostosa solidão.
Caminho e requebro no rítmo
que eu quero.
É tão bom não ser observada!
É tão bom não ser contrariada!
É tão bom sentir-me, completamente, emancipada e libertada!
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
AMORAS
AMORAS
AMORAS
Vera Popoff
A tarde livre e solta
Sentada sob a amoreira...
Minha companhia?
Um livro. Não me lembro qual
Nem cheguei a abri-lo
Galhos carregados de penduricalhos pretinhos
Chão forrado de amoras
Na boca, o gosto de amoras
A língua prazerosa, roxa, docinha!
Um sabor da meninice
As mãos tingidas dos frutos
Alguns, esmagados entre os dedos.
Outros, tingindo também a alma descorada pela tristeza
O momento é insólito,
mais do que aborrecido,
tem sido quase insuportável!
Socorro o desalento,
embaixo do pé de amoras.
Não custa nada sonhar
Inda não nos arrancaram
a magia dos sonhos.
Como preciso d'um alento
D' alguem que diga:-
" Vai, adoça, adoça a vida!
Pinta a vida da cor das suas amoras! "
Eu finjo ouvir a notícia boa
trazida pelo vento
-Oh, vento, desalinha os meus cabelos,
Derrama mais amoras,
aqui...na minha tarde.
Enternece a dureza
Leva embora tanta rudeza
Só volte, trazendo a esperança!
Vera Popoff
A tarde livre e solta
Sentada sob a amoreira...
Minha companhia?
Um livro. Não me lembro qual
Nem cheguei a abri-lo
Galhos carregados de penduricalhos pretinhos
Chão forrado de amoras
Na boca, o gosto de amoras
A língua prazerosa, roxa, docinha!
Um sabor da meninice
As mãos tingidas dos frutos
Alguns, esmagados entre os dedos.
Outros, tingindo também a alma descorada pela tristeza
O momento é insólito,
mais do que aborrecido,
tem sido quase insuportável!
Socorro o desalento,
embaixo do pé de amoras.
Não custa nada sonhar
Inda não nos arrancaram
a magia dos sonhos.
Como preciso d'um alento
D' alguem que diga:-
" Vai, adoça, adoça a vida!
Pinta a vida da cor das suas amoras! "
Eu finjo ouvir a notícia boa
trazida pelo vento
-Oh, vento, desalinha os meus cabelos,
Derrama mais amoras,
aqui...na minha tarde.
Enternece a dureza
Leva embora tanta rudeza
Só volte, trazendo a esperança!
sábado, 1 de outubro de 2016
NEM MISS, NEM MERETRIZ
NEM MISS, NEM MERETRIZ
Vera Popoff
Fui quase tudo na vida
Só não fui Miss e nem meretriz
Fui uma menina traquina
Adolescente assanhada
Moça donzela apaixonada
Esposa nem tão fiel
Mãe disciplinadora
Fui cozinheira, fui professora.
Fui quase tudo na vida
Sem muita beleza, nunca fui miss
Com alguma oportunidade,
estudei, encontrei trabalho
Só por isso...não fui meretriz!
Lavei roupa, fui costureira
Bordadeira de mão cheia
Não muito ajuizada, meio inconformada
Não gostei de tudo que fiz
Mas fiz tudo que gostei.
Fui quase tudo na vida
Com estatura pequena, não fui miss
Sem talento para o ofício
nunca fui meretriz!
Ah, quanto alfabetizei!
B com a fica ba
Tabuadas , adição, subtração
Dividi, mas não soube multiplicar
os bens adquiridos,
Fiquei com os dedos
Perdi todos os anéis.
Fui quase tudo na vida
Até fui bonitinha
Mas nem tanto para ser Miss
Tive paixões e desejos
Mas nem tanto para ser meretriz.
Sempre muito corajosa,
até na hora do medo,
segurei alguma coragem
Mulher de muitos segredos,
Simulei , interpretei ,
mas fiz muita bobagem.
Busquei entradas e saídas
Ás vezes , algumas loucuras
Na boca , muita doçura
Vivi a vida sem frescura.
Plantei e jardinei
Semeei, colhi, produzi
Não sei se foi bom ou ruim
Vou sentar e avaliar
Se valeu ou não valeu. mas
que doeu...doeu.
Vera Popoff
Fui quase tudo na vida
Só não fui Miss e nem meretriz
Fui uma menina traquina
Adolescente assanhada
Moça donzela apaixonada
Esposa nem tão fiel
Mãe disciplinadora
Fui cozinheira, fui professora.
Fui quase tudo na vida
Sem muita beleza, nunca fui miss
Com alguma oportunidade,
estudei, encontrei trabalho
Só por isso...não fui meretriz!
Lavei roupa, fui costureira
Bordadeira de mão cheia
Não muito ajuizada, meio inconformada
Não gostei de tudo que fiz
Mas fiz tudo que gostei.
Fui quase tudo na vida
Com estatura pequena, não fui miss
Sem talento para o ofício
nunca fui meretriz!
Ah, quanto alfabetizei!
B com a fica ba
Tabuadas , adição, subtração
Dividi, mas não soube multiplicar
os bens adquiridos,
Fiquei com os dedos
Perdi todos os anéis.
Fui quase tudo na vida
Até fui bonitinha
Mas nem tanto para ser Miss
Tive paixões e desejos
Mas nem tanto para ser meretriz.
Sempre muito corajosa,
até na hora do medo,
segurei alguma coragem
Mulher de muitos segredos,
Simulei , interpretei ,
mas fiz muita bobagem.
Busquei entradas e saídas
Ás vezes , algumas loucuras
Na boca , muita doçura
Vivi a vida sem frescura.
Plantei e jardinei
Semeei, colhi, produzi
Não sei se foi bom ou ruim
Vou sentar e avaliar
Se valeu ou não valeu. mas
que doeu...doeu.
Assinar:
Postagens (Atom)





