segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O VALE

O VALE
              Vera Popoff

Habito num estreito vale
entre matas e montanhas,
próximo ao Morro do Sabó!
O lugar parece triste para quem avista
E o lugar é mesmo triste para minha vista.
É mais triste ainda para o meu coração
Meu coração trouxe para cá...um passado
        nunca esquecido
Uma saudade jamais vencida
E por isso...aqui entrei  chorando.
Permaneci amuada, cansada com as coisas
           amadas que perdi.
Cheguei querendo partir
Fiquei... desejando não ficar
Dias maçantes...um atrás do outro...
sem nada acrescentar à alma, então, vencida
Nem mesmo  a sensação de estar dividida.
Não , não! Sempre inteiramente decidida
Estou fora do meu espaço
O Morro do Saboó , avistado lá adiante,
             não me aconchega.
Com a mania de semear,
 fui semeando, sem ilusão,
mas semeando.  Sem planejamento,
sem ansiedade pela brotação, sem contentamento,
apenas para  passar o insonso tempo.
E teimosamente, tudo foi brotando
Nenhum galho se importando
com a minha tristeza.
Nenhum dos sóis nascidos ,
próximo ao Morro do Saboó,
deixaram de brilhar
com o tanto de  desencanto vivido.
O Universo desconhece nossas agonias,
os maus gostos , os desgostos.
O universo rege as suas leis
Independente dos sentimentos humanos
             e banais.
O Universo é maiúsculo demais
para os nossos olhos.
E nós somos minúsculos demais
 para a grandeza do Universo.
E próximo ao  Morro do Saboó,
num triste vale, vou semeando,
pois tenho a mania irritante de semear
Um  jeito impertinente de viver e produzir
Até mesmo quando juro por Deus:
-Agora eu vou desistir!

E passam os dias...próximo do Morro do Sabó
Nunca espero um amanhã.
Mas  regozijo-me calada
a cada inesperada manhã!

MAL ESTAR

MAL ESTAR
                             Vera Popoff

Um mal estar repentino
E o dia , então equilibrado, vira desatino!
O que estava bonito, enfeia-se , descorado
E o sorriso aberto e franco  fica trancado.

Não sei se foi uma saudade insuportável
que derrubou a alegria imensurável
Não sei se foi uma mágoa que não morre
Que destruiu  a  leveza fingida de um porre.

 O corpo dito resistente,  enfraqueceu
A energia permanente,  esmoreceu
Um pranto quase foi derramado, mas
    dissipou-se  no ocaso.

O que era pensante e inteligente
perdeu a clareza na neblina da tarde.
E a certeza da felicidade, apesar de tudo,
O encanto azul daquele céu
Perderam-se frágeis, ao léu.

São daquelas coisas inexplicáveis
que trazem à tona duras  razões e desilusões
           incontroláveis.
Foi só uma tarde infeliz
É o que uma sensação mediúnica
          assopra e diz!
             

           

domingo, 20 de novembro de 2016

OCUPADA

OCUPADA
                         Vera Popoff


Estou ocupada , agora
Estou ocupada hoje e já antevejo
ocupação para amanhã.
Se estiver viva, amanhã!
Um varal, um avental , coisa e tal...
Concentração na tarefa
Pouca emoção na repetição.
Vantagens? Nenhuma
Desvantagens? Um cansaço normal.
Na cabeça, lembranças.
Na memória, histórias
Nas mãos, um novelo a desenrolar,
nó e outro nó para desatar.
O coração está pronto para explodir
           e desabafar, mas
              aguarda...
        oportunidade melhor.
Planos e planilhas caídos ao chão
O improviso chega sem aviso.
Ilusões bem miúdas
Alegrias bem contidas
As gargalhadas ficaram abafadas
Mas o pensamento...como é atrevido!
Aprendeu a voar e jamais esqueceu
As asas estão sempre prontas , ligeiras,
por isso , conservo certa brejeirice
E respiro com liberdade toda a esquisitice.
Erros cometidos todos os dias
sem promessa de conserto
Já não tenho expectativas de acertos.
Deliro com pequeníssimos acontecimentos
Hoje foi uma semente que brotou
Ontem foi um galho seco que revigorou
Ou  talvez , uma dor que passou.
Encontros quase não acontecem
De raridade tamanha , que nem são comemorados,
e com certa timidez , são vividos e explorados.
O dia passa...rápido ou lento
Dependendo da natureza da ocupação.
O mal disso tudo é o horizonte bem à mão,
        sem mistério, com nitidez!
O bom disso tudo é o horizonte bem a mão,
     límpido, fácil, alcançado com avidez!



sábado, 19 de novembro de 2016

FRASES

FRASES
                    

"Já que não posso colorir a alma
vou colorir a casa."(Vera Popoff)



"A formosura é a lei que os meus olhos procuram para obedecer." (Vera Popoff)



"Deflagrada a guerra civil entre o ódio e o amor que sinto."
(Vera Popoff)


"Desencantada, fugi de todos!
Encantada e só... eu me encontrei! (Vera Popoff)

NEM SEMPRE ENCONTRO UM TÍTULO

NEM SEMPRE ENCONTRO UM TÍTULO
                                                                        Vera Popoff

Quero cantar uma cantiga
Quero escrever uma poesia
Quero desenhar, pintar , colar,
Mas sem me preocupar
com o título que vou dar.

Vendo a palavra escrita
Ouvindo a canção que gosto
O desenho para colorir
A semente lançada ao chão
O vaso, a rosa, o cipreste,
o pássaro , o canto, o céu,
A folha caída , o galho brotado,
a cor da esperança em cada pedaço de vida
A casa cheirando jasmim, o silêncio dia e noite,
todas as saudades sentidas , as mágoas prescritas,
as culpas exorcizadas, as paixões já apagadas,
o gosto do beijo, esquecido.
Os desejos sem a quentura da febre,
os sonhos tão pequeninos...
a caminhada encurtada,
sem medos e já com tão poucos segredos
Volto a pensar...
Que nome vou dar a isso?
- Verdade? Mentira? Contentamento?
Ilusão? Loucura? Ternura?
Nem sempre encontro para minha vida...
            um título!

 

INSPIRAÇÃO

INSPIRAÇÃO
                                 Vera Popoff

Andando a esmo...
Uma vontade de dizer, contar, cantar
         ou poetar.
Procuro o tema mais doce e perfumado
E encontro...a flor!
A teimosia verde e rosa 
 desafiando o asfalto quente e infértil
Busco a facilidade de uma rima
Olho a manhã , que agora, me fascina!
Delineio a paisagem na moldura
             da janela.
Degusto todos os azuis no  imaginário,
 provo as violetas e colho a flor mais bela.
O cardápio pronto, uma perspectiva tão perfeita!
Aproveito a hora doce, cheia de formosura
Afinal , todo encanto, pouco dura!

DE TEMPOS EM TEMPOS

DE TEMPOS EM TEMPOS
                                                  Vera Popoff

De tempos em tempos a vida muda.
É um sobe  e desce. arruma e desarruma
alarga e estreita, abafa e desabafa,
adoece e melhora, sorri e chora!
O tempo, agora, já faz uma boa hora,
 está nublado e carregado.
Sinto uma dor inusitada
nunca dantes sentida.
Dói aqui, dói ali.
Deixa-me ressentida e inibida.
O tempo também não ajuda
Final de primavera e frio de inverno
Procuro o azul do céu e encontro o inferno.

Contra esse tempo estranho,
onde cada dia aumenta o tédio,
Tento dose dupla de remédio
Procuro amparo na lei,
já que de amor nada mais sei.
A fadiga é pesada, a desesperança amarra
A causa da dor continua presente
Dou passos lentos , tropeço, levanto,
disfarço, fujo caminhando devagar,
enquanto ainda consigo andar.