MAIS OU MENOS II
Vera Popoff
Não estou bem
Não estou mal
Nem contente
Nem descontente
Nem mais e nem menos.
Estou mais ou menos.
O dia não se apresenta colorido
A fotografia não é branco e preto
As fotos em branco e preto são as minhas
preferidas.
Porque imagino as cor dos olhos e da pele
A tonalidade da roupa e o verde da paisagem
De que cor é a rosa?
Qual a cor da cortina?
Demorei a perceber que as cortinas
podem ser de fumaça.
Entristeci-me com tantas cortinas descerradas...
de fumaça .
A estação é a do inverno e sinto tanto frio!
Um estranho frio jamais sentido
Frio nas costelas e na alma
Frio nos pés e no coração
Frio nas mãos e até nos abraços mal abraçados.
Não sei o que nos espera, mas parece-me:
-coisas boas não são!
A energia é estranha
O ar , carregado
Os sonhos parecem tão esfarelados!
A esperança, amarelada.
Os dias , curtos demais , não realizam desejos
Ou são compridos demais para serem suportados.
As notícias são chocantes, traiçoeiras
Os ventos , entristecidos , choram na velha janela,
Acho que vou andar no jardim
Quem sabe, algum aroma
Um sabiá , com seu canto,
trazendo graça e ventura
Não nasci para ser ...
mais ou menos!
sábado, 1 de julho de 2017
ABUSADA
Vera Popoff
Estou pensando,
cá com meus botões...
Como tenho sido abusada !
Abusaram da minha paciência
Abusaram da minha coerência
Abusaram ...quando acreditei na decência.
Ah...estou machucada
Fui abusada com violência!
Não sei se mando benzer o meu pedaço
Ou se peço ao padre que celebre uma missa
Ou se tomo passes espirituais
Ou se , de fato , enganei-me e
não percebi que "eles todos" são
exatamente iguais...na desfaçatez,
na insensatez, e na ausência da honradez.
Sábado! Sonhei com um sábado suave,
simples e leve.
Mas após uma sexta-feira de muitos abusos...
Acordei de um pesadelo?
Ou é mesmo sinistra a meia verdade descrita?
Tanto escárnio "elogiável"!
Será que vivo um momento de embriaguez?
Ou , de fato, está exposta à nudez,
toda a hipocrisia e o cinismo
dos homens , ditos, do bem?
E que , sinceramente, querem mesmo
mais um vintém !
Justificam "fortes elos" ,
descem todos os degraus,
expondo sorrisos amarelos e
afundam-se na indignidade
Já nem disfarçam que são
tão míseros e indecentes!
Ah, minha Pátria!
-Por onde anda a sua gente?
-Por onde anda a sua gente?
-Por onde anda a sua gente?
Vera Popoff
Estou pensando,
cá com meus botões...
Como tenho sido abusada !
Abusaram da minha paciência
Abusaram da minha coerência
Abusaram ...quando acreditei na decência.
Ah...estou machucada
Fui abusada com violência!
Não sei se mando benzer o meu pedaço
Ou se peço ao padre que celebre uma missa
Ou se tomo passes espirituais
Ou se , de fato , enganei-me e
não percebi que "eles todos" são
exatamente iguais...na desfaçatez,
na insensatez, e na ausência da honradez.
Sábado! Sonhei com um sábado suave,
simples e leve.
Mas após uma sexta-feira de muitos abusos...
Acordei de um pesadelo?
Ou é mesmo sinistra a meia verdade descrita?
Tanto escárnio "elogiável"!
Será que vivo um momento de embriaguez?
Ou , de fato, está exposta à nudez,
toda a hipocrisia e o cinismo
dos homens , ditos, do bem?
E que , sinceramente, querem mesmo
mais um vintém !
Justificam "fortes elos" ,
descem todos os degraus,
expondo sorrisos amarelos e
afundam-se na indignidade
Já nem disfarçam que são
tão míseros e indecentes!
Ah, minha Pátria!
-Por onde anda a sua gente?
-Por onde anda a sua gente?
-Por onde anda a sua gente?
terça-feira, 6 de junho de 2017
EMBARQUE
EMBARQUE
Vera Popoff
Embarquei nas ondas do silêncio.
Não sei se foi apenas mais um,
ou o derradeiro embarque.
Nada está pressentido
e nada está consumado.
A viagem , nas ondas do silêncio,
absurda e muda , flui...
O inverno, pelo jeito, será longo.
Sob ventos , viajo e penso,
adormeço e sonho, envolvida na neblina.
Lá , onde estava ancorada, era feio demais!
Tolerar, relevar, editar, respeitar, aconchegar
e abraçar
Eram apenas verbos, da primeira conjugação.
Abraçada e apertada pela indignação,
desgarrei-me e parti.
Se foi covardia ou rebeldia?
Ainda não decifrei.
Se foi cansaço ou dor em demasia?
Também não atinei.
Sentada na poltrona da reflexão,
já não sou combativa , nem receptiva .
Esqueci o dias mais perfeitos e os mais imperfeitos
Desperdicei minha raiva e minha fúria
Arranquei as pedras atiradas contra o meu coração,
Matei a sede da vingança
Suavizei a minha audição
ouvindo Chopin.
Por enquanto , o prazer , em mim,
é lambuzar-me da fruta
e abrigar-me das intempéries
logo ali...naquela gruta.
Vera Popoff
Embarquei nas ondas do silêncio.
Não sei se foi apenas mais um,
ou o derradeiro embarque.
Nada está pressentido
e nada está consumado.
A viagem , nas ondas do silêncio,
absurda e muda , flui...
O inverno, pelo jeito, será longo.
Sob ventos , viajo e penso,
adormeço e sonho, envolvida na neblina.
Lá , onde estava ancorada, era feio demais!
Tolerar, relevar, editar, respeitar, aconchegar
e abraçar
Eram apenas verbos, da primeira conjugação.
Abraçada e apertada pela indignação,
desgarrei-me e parti.
Se foi covardia ou rebeldia?
Ainda não decifrei.
Se foi cansaço ou dor em demasia?
Também não atinei.
Sentada na poltrona da reflexão,
já não sou combativa , nem receptiva .
Esqueci o dias mais perfeitos e os mais imperfeitos
Desperdicei minha raiva e minha fúria
Arranquei as pedras atiradas contra o meu coração,
Matei a sede da vingança
Suavizei a minha audição
ouvindo Chopin.
Por enquanto , o prazer , em mim,
é lambuzar-me da fruta
e abrigar-me das intempéries
logo ali...naquela gruta.
DONS
DONS
Vera PopoffAlguns dons, poucos dons,
singelos dons, nenhum raro dom.
Temperar um bom feijão,
Bordar e cozer à mão,
limpar o chão onde piso e donde,
algum passo de bolero, ainda deslizo.
Semear um pobre solo e colher
o que é possível.
Relembrar velhas lembranças, impassível!
Desprovida do dom da paciência ,
afastei-me dele...sem chorar.
E despedi-me d'alguns amigos , sem reclamar.
O dom de enxergar, conservei,
por causa de certas visões , padeço e me aborreço.
Deram-me, como enriquecimento,
o dom da indignação e assim,
vivo momentos de extrema sofreguidão.
Ah... por vezes até esqueço do dom de partilhar
companhias
Fugida de todo alvoroço
Cansada de muita conversa jogada fora,
Exaurida da hipocrisia , de um mundo tosco,
sem fantasia,
carrego nos ombros , a sós, os meus dias.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
CÉSAR BRANDÃO
CÉSAR BRANDÃO
Vera PopoffPede-me desculpa por intrometer-se na poesia?
Eu digo-lhe :-Grata, muito grata pelo seu tempo dedicado,
pelo trabalho empenhado e pela delicadeza registrada no seu comentário.
Fala de saudade ...sentimos a saudade dos amados
E ela , a danada, alimenta nossas almas de lembranças,
enriquece os corações de ternura, alimenta os momentos
de solidão.
César Brandão...é tão antigo dizer que colhemos o que semeamos
Tento semear um pouquinho de poesia ,a mais simples e despretensiosa, a poesia do cotidiano, da observação, escrita
na solidão de um lugar que escolhi para viver.
Lugar entre árvores e pássaros , flores e colibris,
com sabiás cantadores e juritis que lamentam.
Semeio minhas tão simples palavras e colho amigos que as recolhem, decifram e fazem-me tanto bem. Muito obrigada.
Ah...antes que me esqueça. Caminhamos do mesmo lado...
Á esquerda, buscando as mais lindas utopias!
A nossa hora está se aproximando.
Aglutinemos as nossas energias, pois ele, LULA,
conta conosco.
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
ERA MENTIRA
Vera Popoff
Era mentira.
Era mentira aquele povo cordial, simples e misericordioso.
Era mentira aquela solidariedade, os vínculos fraternos.
Era mentira o sorriso franco e o coração aberto.
Era mentira o espírito cristão, a caridade, a ternura.
Era mentira a visão e a alma abrangentes, grandes, tão iluminadas!
Era mentira "o sol da liberdade em raios fúlgidos e as margens plácidas"
Era mentira "o sonho intenso, o raio vívido, de amor e de esperança descendo à Terra!"
"Mas se ergues da justiça a clava forte"...ou a clava nas garras de justiceiros , omissos e coniventes com as barbáries?
Que tempos! No peito, uma inquietação, uma desolação, uma grande desilusão!
Mas no mesmo tempo da dor, um vigor, uma enorme vontade de resistir, de falar com as pessoas, de ouvir ao mais sensíveis, os mais sábios, de ler artigos esclarecedores, de trocar olhares e sorrisos para amenizar o desassossego.
Não tenho ideia de como fazer, mas precisamos fazer virar verdade... o que era só uma mentira.
Vera Popoff
Era mentira.
Era mentira aquele povo cordial, simples e misericordioso.
Era mentira aquela solidariedade, os vínculos fraternos.
Era mentira o sorriso franco e o coração aberto.
Era mentira o espírito cristão, a caridade, a ternura.
Era mentira a visão e a alma abrangentes, grandes, tão iluminadas!
Era mentira "o sol da liberdade em raios fúlgidos e as margens plácidas"
Era mentira "o sonho intenso, o raio vívido, de amor e de esperança descendo à Terra!"
"Mas se ergues da justiça a clava forte"...ou a clava nas garras de justiceiros , omissos e coniventes com as barbáries?
Que tempos! No peito, uma inquietação, uma desolação, uma grande desilusão!
Mas no mesmo tempo da dor, um vigor, uma enorme vontade de resistir, de falar com as pessoas, de ouvir ao mais sensíveis, os mais sábios, de ler artigos esclarecedores, de trocar olhares e sorrisos para amenizar o desassossego.
Não tenho ideia de como fazer, mas precisamos fazer virar verdade... o que era só uma mentira.
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
AOS MEUS NETOS NATHÁLIA E WILLIAM
AOS MEUS NETOS NATHÁLIA E WILLIAM
Vera Popoff
Ah...crianças ! Enfim , foram gerados
no interior dos nossos corações!
Chegaram tímidos e arredios
Chorosos , desconfiados
Com receio de mais uma vez...não serem amados!
Olhos desenhados num rascunho
Almas talhadas na dor
Risos embutidos e a voz ...rouca , enrolada
travada.
Mas o sol , nas suas vidas, apagado
Eis que encontra o seu brilho de esplendor!
O movimento começou
A energia foi renovada
E os olhos , que eram um rascunho,
estão delineados, vibrantes. Que lindo sonho!
A alma reconstruída,
O risos tão fartos , agora
A voz ...segue livre, sem rouquidão
Mas ...e o coração?
Bate , requebra e ensaia uma dança
A dança do amor e da confiança.
Vamos, crianças!
A vida os espera, radiante!
As tempestades passaram
As manhãs estão renovadas e iluminadas!
Abracem a aurora, pois o dia...
só começou.
Vera Popoff
Ah...crianças ! Enfim , foram gerados
no interior dos nossos corações!
Chegaram tímidos e arredios
Chorosos , desconfiados
Com receio de mais uma vez...não serem amados!
Olhos desenhados num rascunho
Almas talhadas na dor
Risos embutidos e a voz ...rouca , enrolada
travada.
Mas o sol , nas suas vidas, apagado
Eis que encontra o seu brilho de esplendor!
O movimento começou
A energia foi renovada
E os olhos , que eram um rascunho,
estão delineados, vibrantes. Que lindo sonho!
A alma reconstruída,
O risos tão fartos , agora
A voz ...segue livre, sem rouquidão
Mas ...e o coração?
Bate , requebra e ensaia uma dança
A dança do amor e da confiança.
Vamos, crianças!
A vida os espera, radiante!
As tempestades passaram
As manhãs estão renovadas e iluminadas!
Abracem a aurora, pois o dia...
só começou.
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