domingo, 13 de agosto de 2023
segunda-feira, 10 de julho de 2023
domingo, 27 de junho de 2021
SEM AMIGOS
SEM AMIGOS
Vera Popoff
Amigos?
Eram muitos
Eram tantos!
Hoje, já não tenho boca esfaimada de palavras
para trocar com alguém,
para casos que interessam,
para risos que comemoram o nada.
Alguns se despediram e partiram
outros , os despedi e sumi,
tantos deles, já não lembro-me , semblantes
outros, não valeram levar adiante.
Eu ria , cercada , envolvida, sentindo-me querida
Quando me dei conta do vazio,
da boa palavra na crucial hora,
juntei meus retalhos e fui embora.
Acabei aqui, onde sempre , na verdade, estive...
só!
Não! Nenhuma dor ou saudade
A solidão curou-me de anseios tolos,
de encontros desnecessários,
de troca dos favores frívolos
da risada amarela de angústia
do saco cheio do disfarce alegre.
Percebi tarde, mas em tempo
de estudar-me por dentro,
do autoconhecimento e do gozo
que é a solidão sincera
comigo mesma.
Feliz? Nem sei
Felicidade nunca foi sonho.
-a bravura de viver como quero
-a coragem de ser e não ter
-a paz de nunca pedir perdão
eu mesma afago o meu coração.
enfim, sou deveras Vera!
sábado, 26 de junho de 2021
DOIS MIL , NOVECENTOS E TRINTA E TRÊS DIAS
Dois MIL, NOVECENTOS E TRINTA E TRÊS DIAS
Vera Popoff
Dois mil, novecentos e trinta e três dias
contados um a um, riscados no calendário,
escritos em cada parede:
-Amanhã , vou embora!
e não fui...
Dois mil, novecentos e trinta e três dias
sonhando dormindo e sonhando acordada
com a partida, a despedida, com vida desinibida.
Dois mil, novecentos e trinta e três dias
Tão pobres de alegrias e cheios de agonias.
Do que me serviu tanto enfastio?
Como não cumpri este desafio?
Travada ,com a cara encharcada
da lágrima solta
Vestida com roupa rota,
acima do peso
abaixo do enlevo.
TENTANDO ESCREVER UM SONETO
TENTANDO ESCREVER UM SONETO
Vera Popoff
Faz tempo que não escrevo
Faz horas que nada leio
Faz anos que nada atrevo
Começo e paro no meio.
Transformei-me numa amadora de ações
Tudo que faço acaba depressa demais
ou perdura e machuca tantos corações
Nem eu mesma já ouço os meus" ais ".
No pensamento, mil ideais
nunca passam do imaginário
sou enganada por qualquer otário.
Sigo assim ..matando o tempo
Já nem sei onde dói e porque dói
tampouco qual é o mal que me destrói.
CASA SEM NÚMERO
CASA SEM NÚMERO
Vera Popoff
Moro numa casa sem número
Rua tal e qual, S/N
Bairro sem nome
Cidade sem referência
Cheguei de endereço sem procedência.
Colocaram-me aqui
- Mas não quero viver aqui!
Não é o meu lugar, tampouco meu lar.
--Faremos que fique, ainda que aborrecida, pois , pois,
estás na porta do sol!
mas a mim não aquece
o tal sol.
por mais que tente, jamais sou
contente
Lá se foi quase década
É tempo demais tentando não desgostar
pinturas, desenhos, retalhos
calculados em polegadas, costurados e
nada adianta
a casa está sempre feia, tão feia
sem o meu reconhecimento
sem dela receber um acolhimento.
Fui ficando, por fraqueza de espírito,
por falta de fé,
por num deus, já não crer
sem saber o que é querer.
Não tenho o comando da vida
encarcerei-me...
pois daqui jamais sairei.
aqui, desgraçadamente, morrerei.
joguem as minhas cinzas no esgoto
do Rio Tietê.