sábado, 23 de maio de 2015

23 DE MAIO

              23 DE MAIO      (Vera Popoff)

Sol  nascendo
lampejo de luz
alma sedenta d'uma vida que se foi.
Entrada no paraíso d'um jeito tão apressado
para um leito, decerto, tão perfumado!
Deixou tantos corações desamparados,
sentidos, mirrados, magoados...
Peito  cheio  de saudade
na vida que seguiu mais pobre,
muito mais sentida, partida, entristecida.
Lembranças acumuladas,
conversas longas , gostosas, relembradas.
Mãos que seguravam as nossas dores...se foram.
Inteligência aclarando as nossas sombras...ficou.
Todo bem e sensatez, alguma linda insensatez!
Sentimentos na pele, nos poros, nas falas, nos versos.
O teclado, Chopin, os palcos, A Lira Paulistana!
As falas precisas , concisas, criatividade,
desassossego, bondade,sinceridade.
Homem inteiro, ponteiro suíço no relógio da vida!
Restaurador das almas partidas,
acolhedor das dores sentidas,
consolador dos prantos derramados!
Amigo, gente, pai e irmão!
Auxílio da irmã perdida e da menina indecisa!
Cabeça elevada, carruagem de incríveis pensamentos!
Artista de tantas conquistas, existência encantada,
arquiteto de sonhos, da arte, da vida...
Estrela que brilha no alto,
num céu muito mais abrangente e mais competente
com a sua chegada cheia de Luz!
para sempre: FERNANDO POPOFF
           O POPOFF!!!
23 DE MAIO DE 1947 E O DIA FICOU MAIS BONITO COM A SUA CHEGADA
A VIDA FICOU MAIS RICA COM A SUA ENTRADA

sexta-feira, 22 de maio de 2015

MINHAS MANIAS

MINHAS MANIAS         ( Vera Popoff)


Tem dias  que tenho mania de flor.
Tem dias  que tenho mania de céu,
N'outros, mania de vento.
N'alguns, tenho mania de pássaros
e também mania de mãe e até mania
                de filha!
Acumulo mania de apego e saudade.
Tenho ainda a mania de ter mania.
Ás vezes...canso-me de ter manias!
Bate no peito, mania de remoer lembranças,
de conjugar os verbos esperar e esperançar!
Mania de me enamorar e às vezes, de ironizar!
Mania de embarcar nas nuvens e deslizar...
Mania de imaginar, cantar e harmonizar
                as cores!
Algumas manias de enxergar o verde . o azul e o rosa
                 em qualquer verso ou prosa!
Mas...jamais tive mania de realidade.
A ela não me apego, apesar da idade.
Desvencilho-me dela, pois causa-me
     irritação e constrangimento,
     inibição e chateação,
     bloqueios e escuridão,
     enjoos e depressão!
Tenho ainda, mania de borboleta voando
     no peito, à luz do dia!
Tem  uma mania que causa-me  febre!
Fico queimando, ardendo e delirando
     correndo...atrás da utopia!

MANIA DE VERDE E DE ROSA, DE VERSO E DE PROSA.

ENERGIA CRIADORA

Para minha filha Fernanda



ENERGIA CRIADORA
                                   ( Vera Popoff)..

.
A hortênsia, a íris, o jasmineiro,
O limão do perfumado limoeiro,
A laranja doce do pomar pequeno,
A goiaba, a pitanga da única pitangueira
evolam suaves e sutís aromas...
Logo na madrugada
A beleza da florada
encanta o pequeno reino
d'uma rainha da alegria!
O bem-te-vi canta com maestria!
No quarto ao lado, dorme a menina
segurando um livro, segurando
um sonho, segurando as letras
do romanticismo e
buscando a lua ...envolta
no seu misticismo!
É quando o café forte exala
e a menina acorda com inspiração.
Chega devagarinho , inda sonolenta,
e diz com suspiração:
-Bom dia! E na boca também chega o riso!
Na casa clara e purificadora
Acorda a energia livre e criadora!!


 

A VIAGEM DO TEMPO


A VIAGEM DO TEMPO         (Vera Popoff)

O tempo é só  um percurso caminhado.
Minha vida é uma viagem onde
 tangem as panelas no fogão,
cantam máquinas de costura e
deslizam pincéis de toda cor
pintando um mundo sem cor!
Converso com borboletas e
passarinhos, com a brisa e
a nuvem que desliza...
Sim , há o tempo da chateação!
É quando tiram a minha concentração
e chegam ao meu ouvido
uma, duas palavras, que sinceramente,
causam-me enjoamento e constrangimento!
Nos momentos do exaurimento,
abstraio-me e finjo contentamento!
Também passo por encruzilhadas...
Ai, meu Senhor , não sei se cruzo uma linha
ou se volto por onde dantes andei!
Pelo  percurso  desconhecido também
      arrisco,  ando e insisto
nas transversais desiguais e até
    nas  longitudinais!
De noite percorro os atalhos d'um livro,
          ou d'uma melodia
     que bate fundo no peito
e uma tremenda saudade irradia.
Arrisco as pontas dos dedos
em bordados intermináveis,
e madrugada  adentro viajo
em sonhos lindos , mas tão inviáveis!

NINHO VAZIO

NINHO VAZIO
                              (Vera Popoff)
 

     O meu ninho está vazio...vazio...
Na sala, ou no quarto, ou no jardim, ou na varanda , o silêncio é dominante.
Às vezes, o ruído das folhas do coqueiro ao vento,
 ou um bem-te -vi amável chama na janela
  ou o velho cão late cansado.
  O silêncio profundo é interrompido por instantes.
Minhas filhotinhas cresceram e bateram asas.
Na  despedida, gotas de lágrima brotaram dos meus olhos de astigmatismo.
Ficaram quimeras.
Na noite escura e cálida, ouço vozes que chamam:
- Mãe, eu sinto frio!
Abro a porta . Quarto vazio. Camas irritantemente arrumadas,
 travesseiros no lugar, coberta dobrada, nada a recolher do chão.
Volto a deitar no limite entre a tristeza e o alívio do dever cumprido.
Pela manhã, o sol brilha na janela e  penso na agitação de outrora.
-A escola, a merenda, o café com leite e a geléia de amora.
Tão impaciente fui, às vezes. Olhando o relógio ...
... o cuidado com os minutos perdidos.
-Por que tive tanta pressa? Os momentos eram ricos! Era tudo tão perfeito!
Frente ao fogão, cozinho arroz, feijão,
 o frango ensopado e o jiló verdinho.
Ambas gostavam.
Fico indecisa. Coloco a mesa ou espero mais um pouco?
Lembro da algazarra e das brigas para que comessem fibras.
Vai- se o sangue do meu rosto. Fico pálida de saudade!
Disfarço o descontentamento. Passam os dias, as semanas...
Aliso fotografias de risos e de encantos.
Habituada às suas companhias, acordo agora da saudade e vivo o dia.
Recuso-me a constatar: - "elas estavam aqui, mas já não estão"..
Se precisarem, chamem. Eu vou.
Se preferirem regressar, aqui está o meu colo, o ombro , a mão da mãe.
Se precisarem de agasalho, posso ceder meu útero, outra vez...

 


.
 

CABELOS BRANCOS

 
Cabelos Brancos
                            ( Vera Popoff)
 
 

Nova manhã, nova aurora!
Olho no espelho que não disfarça, não afaga, não perdoa.
 Mais cabelos brancos... Mais dias vividos à sombra ou ao sol.
Mais verões, mais invernos.
Meus cabelos brancos são o meu tempo, a existência cravada, a razão e a loucura.
                                       São sementes ao chão.
Meus cabelos brancos são os amores perdidos e os encontrados.
São a  minha mãe , o meu pai, ...meu irmão ao piano tocando, tocando, tocando...
                                       Beethoven, Mozart , Chopin. 
 Meus cabelos brancos são as filhas paridas, crescidas, amigas.
São as feridas , as cicatrizes, são as tempestades, os ventos, as bonanças e as calmarias.
                                      São as perdas e os ganhos.
 São as certezas, as dúvidas, as escolhas bem feitas e as nem sempre, perfeitas.
Meus cabelos brancos são lembranças, são saudades, são os fins e os recomeços .
São as chegadas e as partidas, são o trabalho e o repouso.
Meus cabelos brancos são as ilusões, as desilusões, são os sonhos sonhados,
 os pesadelos, as noites dormidas, as insônias.
 São o riso na boca, a lágrima e a dor.
 Meus cabelos brancos são os dias raiando, o sol aquecendo, as noites caindo.
 São os amigos compartilhados e inimigos desconhecidos.
 Meus cabelos brancos são os anjos, os demônios, são os céus e os infernos vividos.
São as virtudes e os pecados, são as mágoas e os parcos perdões
São o esquecimento, as gratidões e as ingratidões. 
 São o aconchego da alma, a solidão, a paciência treinada, os aprendizados, as lições.
 São tantas esperas e os desesperos.
 Volto a olhar o espelho.
É o tempo implacável passando...



 
 
 


28 de maio

GETULINA BRASILEIRA

 
             GETULINA BRASILEIRA
                                                             Vera Popoff
 
 
 Peço permissão para mencionar trechos da letra do Hino Nacional Brasileiro.
 
 

 GETULINA! Cidadezinha doçura, que de tão pequenina, desenhei nas linhas da minha mão e , nunca mais apaguei.
GETULINA! Não sou sua filha natural ( que pena). No entanto, recebeu-me, aconchegou-me, acolheu-me e adotou-me.
Fecho os olhos e consigo rememorar cada espaço ou recanto, cada rua com seus encantos.
GETULINA! Cidadezinha ternura, que de tão pequenina, mapeei nos contornos do meu coração!
Volto a fechar os olhos:
- a igreja matriz, o flamboyant na praça , abrigando do sol, o viajante ofegante.
- Lupércio, o padre a quem devo a fé. As ladainhas, as rezas, as procissões. Os terços compartilhados, os cânticos, as emoções!
Minha Getulina! Nossa Getulina! Sob o seu formoso céu risonho e límpido, brincamos, sorrimos, amamos, choramos e  aprendemos da vida, a verdade!
GETULINA! Terra adorada! Seus risonhos lindos campos sempre tiveram mais flores. E  a nossa vida, no seu seio, muito, muito mais amores!
Sob o sol da liberdade em raios fúlgidos, vivemos amizades sinceras, as mais puras, as eternas. Vivemos uma vida cristalina e a cada dia, renovada.
GETULINA! Cidadezinha inspiradora! Tão pequenina, que tatuei num espaço da alma e vivi acorrentada aos seus enlevos.
Suas lembranças inflamam as chamas, que no meu peito persistem e regeneram as dores do abandono.
Canto as suas noites calmas e o seu luar de prata. Canto as estrelas luzentes e cadentes dos seus céus. Canto a infância, o perfume da rosa, as mangueiras em flor. Canto os vagalumes que eram o meu abajour.
GETULINA abençoada! Que saudade das suas tardes mansas ... da aurora vindoura carregada de esperanças e dos mais lindos sonhos.
GETULINA! TERRA ADORADA! Entre outras mil, a escolhi como a minha terra amada! Dos seus filhos, foi sempre a mãe gentil. Salve! Salve!