MUNDO INUSITADO
(Vera Popoff)
Inusitado dia
Inusitada vida
Inusitada solidão
Inusitada manhã
que me contempla!
O mundo é inusitado,
mas o que me importa o mundo?
Eu não saio porta afora!
Eu não penso como o mundo pensa
Eu não sei fazer o que o mundo faz
Eu não amo o que o mundo ama!
Meu mundo é outro
e a ninguém mais interessa!
Visto meu mundo da cor que gosto!
Sei lá... se o mundo gosta
da cor que gosto!
Não me interessa a cor do mundo!
Meu mundo é como um sonho...
É mundo de utopia louca
De desejos indesejados por outro mundo
Eu sinto sede dentro do mundo que construí
e bebo a água da fonte que satisfaz!
Incomoda-me sim, o mundo das misérias
mas não caio na rispidez da mudez!
Eu estremeço com o mundo sem indignação
que faz estardalhaço quando divide o pão!
segunda-feira, 13 de julho de 2015
A CASA
A CASA
(Vera Popoff)
Chego num espaço
Disseram-me :- É uma casa!
Penso escondido. Receio que escutem
meu pensamento!
-É uma casa ? Desabitada? Desarrumada?
Senti, não é uma casa!
Não a minha casa!
Sem quimera ou recordação , sem
memória!
-Não é a minha casa!
Na minha casa eu sentia aroma,
perfume doce, via fantasmas...
Nela, algumas vozes desencontradas.
Risos tão seduzidos, ventarolas nas cortinas leves...
Os cobertores surrados, tão desbotados
cobriam corpos que eu tanto amei!
-Ah, que pena! Preciso entrar na casa
que não é a minha casa!
Por onde andam todos?
Eu não os vejo!
Os lençóis brancos, cama patente,
a lamparina, almas presentes!
Cada lembrança, um desafio...
Aqui é tão estranho , eu sinto um calafrio!
Vejo janelas que não se abrem
para a entrada do meu coração!
Fui peregrino, inconstante, inconsequente
quase demente!
Voei feito um pássaro sem ninho
Andei como viajor campeando o seu caminho!
Um dia...eu voltaria à minha casa!
Mas cheguei numa pedra fria
Onde anda aquela alegria?
Vou morrer numa casa estranha que não me aninha!
Vou morrer numa casa que não é minha!
(Vera Popoff)
Chego num espaço
Disseram-me :- É uma casa!
Penso escondido. Receio que escutem
meu pensamento!
-É uma casa ? Desabitada? Desarrumada?
Senti, não é uma casa!
Não a minha casa!
Sem quimera ou recordação , sem
memória!
-Não é a minha casa!
Na minha casa eu sentia aroma,
perfume doce, via fantasmas...
Nela, algumas vozes desencontradas.
Risos tão seduzidos, ventarolas nas cortinas leves...
Os cobertores surrados, tão desbotados
cobriam corpos que eu tanto amei!
-Ah, que pena! Preciso entrar na casa
que não é a minha casa!
Por onde andam todos?
Eu não os vejo!
Os lençóis brancos, cama patente,
a lamparina, almas presentes!
Cada lembrança, um desafio...
Aqui é tão estranho , eu sinto um calafrio!
Vejo janelas que não se abrem
para a entrada do meu coração!
Fui peregrino, inconstante, inconsequente
quase demente!
Voei feito um pássaro sem ninho
Andei como viajor campeando o seu caminho!
Um dia...eu voltaria à minha casa!
Mas cheguei numa pedra fria
Onde anda aquela alegria?
Vou morrer numa casa estranha que não me aninha!
Vou morrer numa casa que não é minha!
PARA MIRIAM
PARA MIRIAM
(Vera Popoff)
Sabe o que disse-me a brisa???
- Como pode querer se poeta
se não viu as praias brasileiras?
Vá, ande na areia da praia,
sinta no rosto o vento
que balança os coqueirais!
Tua veia há de tremer
diante de tanta magia
defronte daquela alegria!
Tantos braços irão lhe abraçar1
Você que se diz poeta
nunca mais sairá da praia
Seus versos cantarão a beleza
seus lábios sorrirão, com certeza!
(Vera Popoff)
Sabe o que disse-me a brisa???
- Como pode querer se poeta
se não viu as praias brasileiras?
Vá, ande na areia da praia,
sinta no rosto o vento
que balança os coqueirais!
Tua veia há de tremer
diante de tanta magia
defronte daquela alegria!
Tantos braços irão lhe abraçar1
Você que se diz poeta
nunca mais sairá da praia
Seus versos cantarão a beleza
seus lábios sorrirão, com certeza!
domingo, 12 de julho de 2015
DESENHO
DESENHO
(Vera Popoff)
Uma folha de desenho delicada, mas vazia
Desenhei um vaso cor de anil, mas vazio
Pintei uma hortênsia tão bonita, solitária
A luz imaginária deu um viço luminoso
Não sei se pressenti um alguém regressando
Ou se foi apenas, uma ilusão me consolando.
A mente abriu-se para um pensamento... perseguido
O coração palpitou antes da hora e chorou
O desenho sobre a mesa lá ficou
O sonho ali começou e terminou!
(Vera Popoff)
Uma folha de desenho delicada, mas vazia
Desenhei um vaso cor de anil, mas vazio
Pintei uma hortênsia tão bonita, solitária
A luz imaginária deu um viço luminoso
Não sei se pressenti um alguém regressando
Ou se foi apenas, uma ilusão me consolando.
A mente abriu-se para um pensamento... perseguido
O coração palpitou antes da hora e chorou
O desenho sobre a mesa lá ficou
O sonho ali começou e terminou!
ALMA E CORPO
ALMA E CORPO
Vera Popoff
O corpo dói, a alma dói!
Para o corpo, um analgésico!
Para a alma, quanto dó!
Num lugar onde o doutor não vê
A alma chora e suspira ,
Busca alento para a dor
e não encontra luz , nenhum fulgor!
O corpo sente a dor da alma
Como sente! Mas não lhe pode confortar!
É físico demais , palpável , agrário,
não acompanha a leveza que se movimenta
como folha seca ao vento!
Há nós... entre o corpo e a alma
Desatá -los é tarefa delicada
Exige certo cuidado!
Afrouxá-los, demanda movimento
sem braveza, com nobreza, muita sutileza!
Um licor curtido da mais doce fruta..., a harmonia!
A nota ao piano da mais bela sinfonia
Um poeta, cuja fineza das rimas , soa como lira!
Flores frescas colhidas , no vaso de porcelana fina,
colocadas!
A medicação da alma é amena,
como um campo forrado de flores simples,
mas formosas!
Um canto suave, uma chá de camomila
um aroma de alfazema!
E a mais fina cautela, poia a alma é demais singela!
Uma solidão de paz , que encanta!
A tarde sem queixumes, fragrância pura,
Um ninho abastecido de amor e de ventura!
Envolta assim , circundada assim, cuidada assim,
a alma tão doente, repousa refeita! Aos poucos, um recomeço..
Ao corpo...um apreço!
À vida... um bom desfecho!
Vera Popoff
O corpo dói, a alma dói!
Para o corpo, um analgésico!
Para a alma, quanto dó!
Num lugar onde o doutor não vê
A alma chora e suspira ,
Busca alento para a dor
e não encontra luz , nenhum fulgor!
O corpo sente a dor da alma
Como sente! Mas não lhe pode confortar!
É físico demais , palpável , agrário,
não acompanha a leveza que se movimenta
como folha seca ao vento!
Há nós... entre o corpo e a alma
Desatá -los é tarefa delicada
Exige certo cuidado!
Afrouxá-los, demanda movimento
sem braveza, com nobreza, muita sutileza!
Um licor curtido da mais doce fruta..., a harmonia!
A nota ao piano da mais bela sinfonia
Um poeta, cuja fineza das rimas , soa como lira!
Flores frescas colhidas , no vaso de porcelana fina,
colocadas!
A medicação da alma é amena,
como um campo forrado de flores simples,
mas formosas!
Um canto suave, uma chá de camomila
um aroma de alfazema!
E a mais fina cautela, poia a alma é demais singela!
Uma solidão de paz , que encanta!
A tarde sem queixumes, fragrância pura,
Um ninho abastecido de amor e de ventura!
Envolta assim , circundada assim, cuidada assim,
a alma tão doente, repousa refeita! Aos poucos, um recomeço..
Ao corpo...um apreço!
À vida... um bom desfecho!
PRIMEIRO PASSO
PRIMEIRO PASSO
Vera Popoff
Escureceu cedo.
Ás dezoito horas já era noite,
Um sossego sem mansidão
O pranto não caia , de cansado
O coração precisando ser amansado!
Desafio de dores e medos!
Momentos de ventania lá dentro d'alma
Algumas vozes soavam zombeteiras!
Eu olhava para dentro da minha tristeza!
De noite aguçam-se os pânicos!
Cá estou, cativa e ferrolhada aos nós não desatados!
Os bonitos sonhos , já recolhidos
As perpétuas saudades, debulhadas,
As fraquezas do espírito jogando-me, derrubada!
Dos males da noite , que padeço,
uma pena cruel me crucifica!
Fujo de mim mesma e me recolho,
acolho-me e escolho, pois cuidar- me
sei que devo e posso!
Pela fé, mereço! Lembro uma canção
que pode ser remédio! Ou talvez...
aquela recordação d'um beijo doce!
Algum olho que olhou-me cheio de ternura,
Um sorriso salvador despejando só brandura!
Salva do meu próprio exílio...dei o primeiro passo!
Vera Popoff
Escureceu cedo.
Ás dezoito horas já era noite,
Um sossego sem mansidão
O pranto não caia , de cansado
O coração precisando ser amansado!
Desafio de dores e medos!
Momentos de ventania lá dentro d'alma
Algumas vozes soavam zombeteiras!
Eu olhava para dentro da minha tristeza!
De noite aguçam-se os pânicos!
Cá estou, cativa e ferrolhada aos nós não desatados!
Os bonitos sonhos , já recolhidos
As perpétuas saudades, debulhadas,
As fraquezas do espírito jogando-me, derrubada!
Dos males da noite , que padeço,
uma pena cruel me crucifica!
Fujo de mim mesma e me recolho,
acolho-me e escolho, pois cuidar- me
sei que devo e posso!
Pela fé, mereço! Lembro uma canção
que pode ser remédio! Ou talvez...
aquela recordação d'um beijo doce!
Algum olho que olhou-me cheio de ternura,
Um sorriso salvador despejando só brandura!
Salva do meu próprio exílio...dei o primeiro passo!
![]() |
| DE NOITE AGUÇAM-SE OS PÂNICOS |
ONDE ESTÁ?
ONDE ESTÁ?
Vera Popoff
Onde está o lugar enxergado nos sonhos?
Havia um silêncio intransponível...
Bem na porta, uma árvore de sombra que acolhia.
À direita uma mangueira pendente de frutas amarelas.
Passarinhos se embalançando, borboletas voando...
Sem ruído. A estridência não eram de vozes insanas,
apenas do jacu do mato fazendo algazarra!
Andei por vilas, cidades, aldeias, povoados afastados
Minha sina é procurar, fazer, refazer, construir e...partir!
Será que devo ir para o norte? Ou sigo para o sul?
Vou por estradas estranhas? Ou sigo as já conhecidas?
Será que o lugar que vislumbro é imagem evanescente?
Não está próxima da nascente, nem do poente?
Desconfio que o lugar está dentro de mim!
Não adianta fugir e partir. As chegadas serão rejeitadas!
A vaga vazia está dentro do peito.
Talvez uma imagem mediúnica que ficou...ficou...
e carreguei, trazida d'um outro tempo e lugar!
Vera Popoff
Onde está o lugar enxergado nos sonhos?
Havia um silêncio intransponível...
Bem na porta, uma árvore de sombra que acolhia.
À direita uma mangueira pendente de frutas amarelas.
Passarinhos se embalançando, borboletas voando...
Sem ruído. A estridência não eram de vozes insanas,
apenas do jacu do mato fazendo algazarra!
Andei por vilas, cidades, aldeias, povoados afastados
Minha sina é procurar, fazer, refazer, construir e...partir!
Será que devo ir para o norte? Ou sigo para o sul?
Vou por estradas estranhas? Ou sigo as já conhecidas?
Será que o lugar que vislumbro é imagem evanescente?
Não está próxima da nascente, nem do poente?
Desconfio que o lugar está dentro de mim!
Não adianta fugir e partir. As chegadas serão rejeitadas!
A vaga vazia está dentro do peito.
Talvez uma imagem mediúnica que ficou...ficou...
e carreguei, trazida d'um outro tempo e lugar!
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