POEMA DO DESCONTENTE
Vera Popoff
Não bastou querer viver.
Não bastou abrir a janela e o sol invadir a casa
Não bastou pisar a água corrente e me banhar
ao som da cotovia
Não me bastou o pensamento, nem a filosofia
Não me bastou ter a ideia, uma palavra doce
Não me bastou fingir que ando tão contente
...sou descontente.
Não me bastou brincar de escrever poesia
As falas do ser humano perturbam,
soam como heresia
Fujo para um lugar que não me esconde
e finjo que está tudo bem, que sou contente,
apenas só um pouquinho, diferente
Mas de verdade...sou descontente.
Acordo na madrugada fria , cheia de sensações
Caminho , vento na cara, passos ligeiros
Quem sabe , num belo dia, desnudo as emoções
E poderei extravasar tais sufocações,
Dizer que , enfim, eu vi a felicidade,
falar com segurança :- como estou contente!
Mas por enquanto , sou o que posso
...sou descontente!
sábado, 26 de agosto de 2017
DESVALIDA
DESVALIDA
Vera Popoff
Quando a agonia e a tensão se juntam
Quando um quase desespero e a sofreguidão
estão à flor da pele
O coração esmaga-se...quase me mata!
Sema as gotas que aliviam dores
Sem remédio e sem alívio, regurgito
a desesperança.
E num trança, trança de paixões feridas
A quem recorro?
Se nada enxergo e n'onde piso
não há socorro.
O pranto prendido, escondido e inibido,
à alma, pesa!
Não me contenho e lanço-me ao precipício
das amarguras, contra a corrente.
O subconsciente sabe além, da minha frente
O mal está por perto, já "arrodeia".
Meu corpo é desvalido, tão fraco e frouxo
O sentido atina e já lastima
Não há como conter a má corrente
A premonição presente, não me desmente!
Fraquejo e tombo.
Nem mesmo aquela flor tão bem cuidada,
resiste.
Cai murcha, desolada, e no chão duro
jaz pisada...
Vera Popoff
Quando a agonia e a tensão se juntam
Quando um quase desespero e a sofreguidão
estão à flor da pele
O coração esmaga-se...quase me mata!
Sema as gotas que aliviam dores
Sem remédio e sem alívio, regurgito
a desesperança.
E num trança, trança de paixões feridas
A quem recorro?
Se nada enxergo e n'onde piso
não há socorro.
O pranto prendido, escondido e inibido,
à alma, pesa!
Não me contenho e lanço-me ao precipício
das amarguras, contra a corrente.
O subconsciente sabe além, da minha frente
O mal está por perto, já "arrodeia".
Meu corpo é desvalido, tão fraco e frouxo
O sentido atina e já lastima
Não há como conter a má corrente
A premonição presente, não me desmente!
Fraquejo e tombo.
Nem mesmo aquela flor tão bem cuidada,
resiste.
Cai murcha, desolada, e no chão duro
jaz pisada...
Sangrias estancadas
Vera Popoff
Pois bem!!
Todas as sangrias estancadas
As caras cínicas, nada envergonhadas...
A Nação, no chão, esfarelada
O trabalhador com a dignidade aviltada
Para onde correremos?
Um caminho mais bonito, encontraremos! Ah...encontraremos!
Perplexos e exaustos, sobrevivemos
E não desistiremos!
O mal inda persiste , mas seu tempo tem validade
Sem chance , acabará no esgoto
Embrulhados nas mortalhas da canalhice
Não resistirão à lama , à putrefação dos maus sentidos
Tombarão como covardes , pobres pervertidos!!
Vera Popoff
Pois bem!!
Todas as sangrias estancadas
As caras cínicas, nada envergonhadas...
A Nação, no chão, esfarelada
O trabalhador com a dignidade aviltada
Para onde correremos?
Um caminho mais bonito, encontraremos! Ah...encontraremos!
Perplexos e exaustos, sobrevivemos
E não desistiremos!
O mal inda persiste , mas seu tempo tem validade
Sem chance , acabará no esgoto
Embrulhados nas mortalhas da canalhice
Não resistirão à lama , à putrefação dos maus sentidos
Tombarão como covardes , pobres pervertidos!!
GOSTO ,DESGOSTO
GOSTO, DESGOSTO
Vera Popoff
Sinto gosto pela vida
Mas também sinto desgosto
Quando chega a tarde morna
Ai, que delícia de gosto!
Vem a noite sem luar
Santo Deus, quanto desgosto!
Nos campos percorridos com gosto
O gosto da amora doce
dá gosto doce , na boca de tantos desgostos.
Na confusão das ideias
Já não sei quando é gosto
e quando é desgosto.
Meço o tamanho do gosto
e o volume do desgosto
A conclusão me arrepia
Aquilo que parecia gosto
virou enorme desgosto.
Retiro tudo que disse
Começo outra história...com gosto
Escondo-me em meio ao mistério:
-Afinal, minha vida é um gosto
ou um desgosto?
E entra este mês de agosto
Vislumbro enorme desgosto,
Mas no cheiro da tangerina
volto a sentir pleno gosto.
Se sorrio , o faço com gosto
Se choro, deito sob o desgosto
No reflexo do sol na janela
enxergo um dia de gosto
Mas chega um vento do sul
e carrega a alegria gostosa
Cá estou começando do fim...
sou outra vez...desgostosa!
Vera Popoff
Sinto gosto pela vida
Mas também sinto desgosto
Quando chega a tarde morna
Ai, que delícia de gosto!
Vem a noite sem luar
Santo Deus, quanto desgosto!
Nos campos percorridos com gosto
O gosto da amora doce
dá gosto doce , na boca de tantos desgostos.
Na confusão das ideias
Já não sei quando é gosto
e quando é desgosto.
Meço o tamanho do gosto
e o volume do desgosto
A conclusão me arrepia
Aquilo que parecia gosto
virou enorme desgosto.
Retiro tudo que disse
Começo outra história...com gosto
Escondo-me em meio ao mistério:
-Afinal, minha vida é um gosto
ou um desgosto?
E entra este mês de agosto
Vislumbro enorme desgosto,
Mas no cheiro da tangerina
volto a sentir pleno gosto.
Se sorrio , o faço com gosto
Se choro, deito sob o desgosto
No reflexo do sol na janela
enxergo um dia de gosto
Mas chega um vento do sul
e carrega a alegria gostosa
Cá estou começando do fim...
sou outra vez...desgostosa!
O QUE SERÁ DA VIDA
O QUE SERÁ A VIDA??
Vera Popoff
O que será a vida?
Além d'um sonho esquecido,...
Do coração todo repartido
E das ilusões atiradas ao chão e pisadas?
Vera Popoff
O que será a vida?
Além d'um sonho esquecido,...
Do coração todo repartido
E das ilusões atiradas ao chão e pisadas?
O que será a vida?
Além do teu olhar indiferente,
Do abraço mal abraçado, tão frouxo?
Da boca humilhada , esmolando
um último beijo,
E a sufocação do mais ardente desejo?
O que será a vida?
Além do lenço da partida, ao vento,
balançando?
E do caminho esburacado
Do solo já esturricado
E do pensamento livre, agora travado?
O que será a vida?
Além da mão calejada
Da beleza consumida
Da cachaça barata, engolida
Da garganta, pelos prantos, esfolada,
Da raiva disfarçada , da indiferença degustada,
Da alma desprezada, brincando que é amada?
O que será a vida?
Além dos filhos paridos, criados, sumidos?
Das desilusões entre mulheres e maridos?
Da cama fria ... arrumada pelo desamor
Da blusa bem abotoada
E do seio não mais tocado e afagado?
O que será a vida?
Além de uma semana de agonia
e poucos minutos de alegria?
Das raras e distantes belezas
Das poucas levezas e finezas,
nenhuma moleza e o enfrentamento das baixezas
Das avalanches de safadezas e torpezas?
O que será a vida?
Além das rasas batalhas vencidas,
Mas...da guerra perdida????
Ver maisAlém do teu olhar indiferente,
Do abraço mal abraçado, tão frouxo?
Da boca humilhada , esmolando
um último beijo,
E a sufocação do mais ardente desejo?
O que será a vida?
Além do lenço da partida, ao vento,
balançando?
E do caminho esburacado
Do solo já esturricado
E do pensamento livre, agora travado?
O que será a vida?
Além da mão calejada
Da beleza consumida
Da cachaça barata, engolida
Da garganta, pelos prantos, esfolada,
Da raiva disfarçada , da indiferença degustada,
Da alma desprezada, brincando que é amada?
O que será a vida?
Além dos filhos paridos, criados, sumidos?
Das desilusões entre mulheres e maridos?
Da cama fria ... arrumada pelo desamor
Da blusa bem abotoada
E do seio não mais tocado e afagado?
O que será a vida?
Além de uma semana de agonia
e poucos minutos de alegria?
Das raras e distantes belezas
Das poucas levezas e finezas,
nenhuma moleza e o enfrentamento das baixezas
Das avalanches de safadezas e torpezas?
O que será a vida?
Além das rasas batalhas vencidas,
Mas...da guerra perdida????
sábado, 1 de julho de 2017
MAIS OU MENOS II
MAIS OU MENOS II
Vera Popoff
Não estou bem
Não estou mal
Nem contente
Nem descontente
Nem mais e nem menos.
Estou mais ou menos.
O dia não se apresenta colorido
A fotografia não é branco e preto
As fotos em branco e preto são as minhas
preferidas.
Porque imagino as cor dos olhos e da pele
A tonalidade da roupa e o verde da paisagem
De que cor é a rosa?
Qual a cor da cortina?
Demorei a perceber que as cortinas
podem ser de fumaça.
Entristeci-me com tantas cortinas descerradas...
de fumaça .
A estação é a do inverno e sinto tanto frio!
Um estranho frio jamais sentido
Frio nas costelas e na alma
Frio nos pés e no coração
Frio nas mãos e até nos abraços mal abraçados.
Não sei o que nos espera, mas parece-me:
-coisas boas não são!
A energia é estranha
O ar , carregado
Os sonhos parecem tão esfarelados!
A esperança, amarelada.
Os dias , curtos demais , não realizam desejos
Ou são compridos demais para serem suportados.
As notícias são chocantes, traiçoeiras
Os ventos , entristecidos , choram na velha janela,
Acho que vou andar no jardim
Quem sabe, algum aroma
Um sabiá , com seu canto,
trazendo graça e ventura
Não nasci para ser ...
mais ou menos!
Vera Popoff
Não estou bem
Não estou mal
Nem contente
Nem descontente
Nem mais e nem menos.
Estou mais ou menos.
O dia não se apresenta colorido
A fotografia não é branco e preto
As fotos em branco e preto são as minhas
preferidas.
Porque imagino as cor dos olhos e da pele
A tonalidade da roupa e o verde da paisagem
De que cor é a rosa?
Qual a cor da cortina?
Demorei a perceber que as cortinas
podem ser de fumaça.
Entristeci-me com tantas cortinas descerradas...
de fumaça .
A estação é a do inverno e sinto tanto frio!
Um estranho frio jamais sentido
Frio nas costelas e na alma
Frio nos pés e no coração
Frio nas mãos e até nos abraços mal abraçados.
Não sei o que nos espera, mas parece-me:
-coisas boas não são!
A energia é estranha
O ar , carregado
Os sonhos parecem tão esfarelados!
A esperança, amarelada.
Os dias , curtos demais , não realizam desejos
Ou são compridos demais para serem suportados.
As notícias são chocantes, traiçoeiras
Os ventos , entristecidos , choram na velha janela,
Acho que vou andar no jardim
Quem sabe, algum aroma
Um sabiá , com seu canto,
trazendo graça e ventura
Não nasci para ser ...
mais ou menos!
ABUSADA
Vera Popoff
Estou pensando,
cá com meus botões...
Como tenho sido abusada !
Abusaram da minha paciência
Abusaram da minha coerência
Abusaram ...quando acreditei na decência.
Ah...estou machucada
Fui abusada com violência!
Não sei se mando benzer o meu pedaço
Ou se peço ao padre que celebre uma missa
Ou se tomo passes espirituais
Ou se , de fato , enganei-me e
não percebi que "eles todos" são
exatamente iguais...na desfaçatez,
na insensatez, e na ausência da honradez.
Sábado! Sonhei com um sábado suave,
simples e leve.
Mas após uma sexta-feira de muitos abusos...
Acordei de um pesadelo?
Ou é mesmo sinistra a meia verdade descrita?
Tanto escárnio "elogiável"!
Será que vivo um momento de embriaguez?
Ou , de fato, está exposta à nudez,
toda a hipocrisia e o cinismo
dos homens , ditos, do bem?
E que , sinceramente, querem mesmo
mais um vintém !
Justificam "fortes elos" ,
descem todos os degraus,
expondo sorrisos amarelos e
afundam-se na indignidade
Já nem disfarçam que são
tão míseros e indecentes!
Ah, minha Pátria!
-Por onde anda a sua gente?
-Por onde anda a sua gente?
-Por onde anda a sua gente?
Vera Popoff
Estou pensando,
cá com meus botões...
Como tenho sido abusada !
Abusaram da minha paciência
Abusaram da minha coerência
Abusaram ...quando acreditei na decência.
Ah...estou machucada
Fui abusada com violência!
Não sei se mando benzer o meu pedaço
Ou se peço ao padre que celebre uma missa
Ou se tomo passes espirituais
Ou se , de fato , enganei-me e
não percebi que "eles todos" são
exatamente iguais...na desfaçatez,
na insensatez, e na ausência da honradez.
Sábado! Sonhei com um sábado suave,
simples e leve.
Mas após uma sexta-feira de muitos abusos...
Acordei de um pesadelo?
Ou é mesmo sinistra a meia verdade descrita?
Tanto escárnio "elogiável"!
Será que vivo um momento de embriaguez?
Ou , de fato, está exposta à nudez,
toda a hipocrisia e o cinismo
dos homens , ditos, do bem?
E que , sinceramente, querem mesmo
mais um vintém !
Justificam "fortes elos" ,
descem todos os degraus,
expondo sorrisos amarelos e
afundam-se na indignidade
Já nem disfarçam que são
tão míseros e indecentes!
Ah, minha Pátria!
-Por onde anda a sua gente?
-Por onde anda a sua gente?
-Por onde anda a sua gente?
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