csexta-feira, 15 de março de 2019
NÃO SEI
NÃO SEI !
Vera Popoff
Tenho perdido o sono, perdido o apetite, perdido o riso e perdido até
a esperança. ...
Tenho perdido a leveza de poetar.
Não sei escrever poesia sobre o sangue derramado e os assassinatos.
Não sei cantarolar um poema sobre cadáveres,
nem sei falar do perfume da rosa sobre o cheiro da pólvora.
Não sei libertar o pensamento,
deixá-lo viajar na brisa , enquanto
as lágrimas rolam e as dores assolam,
num mundo de perdas e horrores.
Não sei abstrair e voar num verso ,
sabendo a terra contaminada do horror.
Não sei encontrar rimas para a violência e para as almas malditas ,
que divertem-se ou justificam,
com desdém,
as tragédias anunciadas.
Então ,no momento, eu só consigo doer.
Ver mais
Vera Popoff
Tenho perdido o sono, perdido o apetite, perdido o riso e perdido até
a esperança. ...
Tenho perdido a leveza de poetar.
Não sei escrever poesia sobre o sangue derramado e os assassinatos.
Não sei cantarolar um poema sobre cadáveres,
nem sei falar do perfume da rosa sobre o cheiro da pólvora.
Não sei libertar o pensamento,
deixá-lo viajar na brisa , enquanto
as lágrimas rolam e as dores assolam,
num mundo de perdas e horrores.
Não sei abstrair e voar num verso ,
sabendo a terra contaminada do horror.
Não sei encontrar rimas para a violência e para as almas malditas ,
que divertem-se ou justificam,
com desdém,
as tragédias anunciadas.
Então ,no momento, eu só consigo doer.
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019
QUERO PARAR
QUERO PARAR
Vera Popoff
A vida é movimento
mas vivo sem envolvimento
e quero parar.
Toda manhã , a caminhada .
Pareço tão enjoada,
só desejo espreguiçar.
A cama parece fria
O pensamento é alheio
A vontade não é mais o meu esteio
Quero alguém para coar o café
Sinto no coração a falta da fé.
Peço desculpas ao sabiá
que aguarda-me para
exibir o seu cantar.
O gato da rua que mia
ao me ver passar
hoje , não vai miar
porque vou parar.
Madrugar e andar
Madrugar sem sonhar
Madrugar e os passos, disciplinar
Ah...este mesmo sol que nasce
ou não nasce
quer me ludibriar.
O cumprimento do João
foi embora
cumprimentar outras almas
n'algum lugar.
A Gislaine , sem graça, vem no meu ombro
lamentar e chorar
Vou parar, Gislaine, enxuga a tua própria
lágrima, quando quiser chorar.
Eu decidi parar.
Vou dormir até meio dia.
Sem arroz , sem feijão, sem a massa do pão
Querem comer o almoço
acendam o fogão e vão cozinhar
porque
eu
vou parar.
Vera Popoff
A vida é movimento
mas vivo sem envolvimento
e quero parar.
Toda manhã , a caminhada .
Pareço tão enjoada,
só desejo espreguiçar.
A cama parece fria
O pensamento é alheio
A vontade não é mais o meu esteio
Quero alguém para coar o café
Sinto no coração a falta da fé.
Peço desculpas ao sabiá
que aguarda-me para
exibir o seu cantar.
O gato da rua que mia
ao me ver passar
hoje , não vai miar
porque vou parar.
Madrugar e andar
Madrugar sem sonhar
Madrugar e os passos, disciplinar
Ah...este mesmo sol que nasce
ou não nasce
quer me ludibriar.
O cumprimento do João
foi embora
cumprimentar outras almas
n'algum lugar.
A Gislaine , sem graça, vem no meu ombro
lamentar e chorar
Vou parar, Gislaine, enxuga a tua própria
lágrima, quando quiser chorar.
Eu decidi parar.
Vou dormir até meio dia.
Sem arroz , sem feijão, sem a massa do pão
Querem comer o almoço
acendam o fogão e vão cozinhar
porque
eu
vou parar.
sábado, 16 de fevereiro de 2019
HOJE NÃO TEM POESIA
HOJE NÃO TEM POESIA
VERA POPOFF
Hoje não tem poesia
Minh'alma está tão fria!
De indignação , arrepia-se
Por mais que eu lhe faça apelo
ela curva-se ao peso do gelo.
Hoje não tem poesia
Estou cabisbaixa e triste
Até diria , tristíssima, desolada
O rio que navega em mim
perdeu sua fluidez\ e
reflui
Como escrever poesia?
Assisto ao funeral da Nação
enlameada da baixeza e da vilania .
Tentei escrever poesia
Não encontrei a inspiração , a rima
À alma falante e cantante
faltou o calor, a paixão , o conforto ,
a esperança
A emoção que eu sentia
Não resistiu ao final do dia
Portanto, sou cantador sem poesia.
Hirta de indignação
Sinto constrangimento
Nem forças tenho para um lamento!
As ruas salpicadas de suor e de sangue
Impedem-me de sonhar
Seria até uma heresia
Voar com palavras ao vento
e recitar a poesia.
Hoje não tem poesia.
Tento amenizar tão cruel momento
com um invento, uma alquimia
que inspire uma rima , um verso,
uma ternura para a poesia.
Mas molemente , desisto e
covardemente, não insisto.
A minha dor , a sua dor, a nossa dor
Não podem ser esquecidas !
Hão de juntar-se , sem demora!
Bom seria se fosse, agora!
A pele descorada , a alma congelada,
sem encanto, mal dormida
precisa gemer , gritar , açoitar
à exaustão, toda a resignação,
trazendo o sangue, de volta, ao coração.
O remédio é lutar contra o fato
Gemer as dores d'um parto
e parir novamente , o sonho
Soltar o primeiro choro e
desfraldar à luz, renovada vida.
Pisar no indigno e bisonho
Preencher o vazio do peito
com brios e com galhardia
Por certo , reencontrarei, a poesia.
Quem sabe, depois da curva,
a alma congelada e turva ,
reacenderá na encruzilhada
o calor da fogueira acesa.
Derreterá o gelo e fará rolar
uma lágrima , uma água, uma chuva
da bem aventurança
Estamos pobres de amor e bonança
Hoje não tem poesia
não encontro a boa rima
para o almejado canto
Guardei no armário , a alegria
Passo horas inerte e amuada
O grande mal é a nostalgia.
Hoje não tem poesia.
O papel ficou em branco
Escrever , ah...eu queria
A doença é uma grave melancolia
Quanto mais eu insistia
mais a força esmorecia
e a ruína, sobre a minha Terra,
caía!
Hoje não tem poesia.
mas" amanhã é outro dia."
VERA POPOFF
Hoje não tem poesia
Minh'alma está tão fria!
De indignação , arrepia-se
Por mais que eu lhe faça apelo
ela curva-se ao peso do gelo.
Hoje não tem poesia
Estou cabisbaixa e triste
Até diria , tristíssima, desolada
O rio que navega em mim
perdeu sua fluidez\ e
reflui
Como escrever poesia?
Assisto ao funeral da Nação
enlameada da baixeza e da vilania .
Tentei escrever poesia
Não encontrei a inspiração , a rima
À alma falante e cantante
faltou o calor, a paixão , o conforto ,
a esperança
A emoção que eu sentia
Não resistiu ao final do dia
Portanto, sou cantador sem poesia.
Hirta de indignação
Sinto constrangimento
Nem forças tenho para um lamento!
As ruas salpicadas de suor e de sangue
Impedem-me de sonhar
Seria até uma heresia
Voar com palavras ao vento
e recitar a poesia.
Hoje não tem poesia.
Tento amenizar tão cruel momento
com um invento, uma alquimia
que inspire uma rima , um verso,
uma ternura para a poesia.
Mas molemente , desisto e
covardemente, não insisto.
A minha dor , a sua dor, a nossa dor
Não podem ser esquecidas !
Hão de juntar-se , sem demora!
Bom seria se fosse, agora!
A pele descorada , a alma congelada,
sem encanto, mal dormida
precisa gemer , gritar , açoitar
à exaustão, toda a resignação,
trazendo o sangue, de volta, ao coração.
O remédio é lutar contra o fato
Gemer as dores d'um parto
e parir novamente , o sonho
Soltar o primeiro choro e
desfraldar à luz, renovada vida.
Pisar no indigno e bisonho
Preencher o vazio do peito
com brios e com galhardia
Por certo , reencontrarei, a poesia.
Quem sabe, depois da curva,
a alma congelada e turva ,
reacenderá na encruzilhada
o calor da fogueira acesa.
Derreterá o gelo e fará rolar
uma lágrima , uma água, uma chuva
da bem aventurança
Estamos pobres de amor e bonança
Hoje não tem poesia
não encontro a boa rima
para o almejado canto
Guardei no armário , a alegria
Passo horas inerte e amuada
O grande mal é a nostalgia.
Hoje não tem poesia.
O papel ficou em branco
Escrever , ah...eu queria
A doença é uma grave melancolia
Quanto mais eu insistia
mais a força esmorecia
e a ruína, sobre a minha Terra,
caía!
Hoje não tem poesia.
mas" amanhã é outro dia."
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
NOVE DEDOS E DEZ DEDOS
Vera Popoff
As mãos com nove dedos são capazes
de arquitetar um mundo!
Desenham a igualdade,
entregam ao povo, a dignidade,
colorem e incitam a fraternidade.
Trazem sonhos, aos quem não sonhavam
Protegem as cabeças, do cruel relento
amenizam o ardente estio
afastam das sofridas vidas , tanto desvario!
Agigantam-se e abatem a miséria dura,
trazem a luz, às noites tão escuras.
O algoz , cujas mãos pequenas ,
exibem seus anéis nos dez dedinhos,
inquieta-se com o brilho alheio
Faz da vingança , o seu grande anseio.
Tripudia e ao grande homem,
vergonhosamente ele chama "o nine"
Se ri , com riso abjeto,
da decência , ele perde o "time"
e afunda-se na insanidade.
Sua justiça é o berço da mediocridade.
As mãos com seus nove dedos
abraçam a Nação inteira!
São capazes de matar a fome , a sede e o frio
Afagam as lágrimas em fio
Transpõem as águas de gigante rio!
Fazem sorrir os seus semelhantes
Têm sonhos tão bonitos e delirantes!
O algoz não o perdoa!
Um homem com nove dedos
Corajoso e habilidoso
Vai direto para a masmorra
-que morra!
Não morrerá, verdugo!
A tua sentença é reles refugo!
As mãos, com seus nove dedos
Tatuaram n'alma, a sua liberdade.
Percorre o mundo inteiro, a sua integridade!
As mãos, com seus dez dedinhos
Aprisionam -se , seguem amarradas
às injustiças , às mentiras , às sentenças
sob delação.
Estão condenadas à escravidão
do infame perdão.
Serão o símbolo da baixeza e da traição.
As mãos com seus nove dedos
viram as asas de uma multidão
Sobrevoam a leveza da consciência,
da lucidez , da sabedoria e da paciência.
Nelas , a esperança, inda carrega...
São cotovias
aproximando o céu azul,
da nossa tão ferida Terra.
Vera Popoff
As mãos com nove dedos são capazes
de arquitetar um mundo!
Desenham a igualdade,
entregam ao povo, a dignidade,
colorem e incitam a fraternidade.
Trazem sonhos, aos quem não sonhavam
Protegem as cabeças, do cruel relento
amenizam o ardente estio
afastam das sofridas vidas , tanto desvario!
Agigantam-se e abatem a miséria dura,
trazem a luz, às noites tão escuras.
O algoz , cujas mãos pequenas ,
exibem seus anéis nos dez dedinhos,
inquieta-se com o brilho alheio
Faz da vingança , o seu grande anseio.
Tripudia e ao grande homem,
vergonhosamente ele chama "o nine"
Se ri , com riso abjeto,
da decência , ele perde o "time"
e afunda-se na insanidade.
Sua justiça é o berço da mediocridade.
As mãos com seus nove dedos
abraçam a Nação inteira!
São capazes de matar a fome , a sede e o frio
Afagam as lágrimas em fio
Transpõem as águas de gigante rio!
Fazem sorrir os seus semelhantes
Têm sonhos tão bonitos e delirantes!
O algoz não o perdoa!
Um homem com nove dedos
Corajoso e habilidoso
Vai direto para a masmorra
-que morra!
Não morrerá, verdugo!
A tua sentença é reles refugo!
As mãos, com seus nove dedos
Tatuaram n'alma, a sua liberdade.
Percorre o mundo inteiro, a sua integridade!
As mãos, com seus dez dedinhos
Aprisionam -se , seguem amarradas
às injustiças , às mentiras , às sentenças
sob delação.
Estão condenadas à escravidão
do infame perdão.
Serão o símbolo da baixeza e da traição.
As mãos com seus nove dedos
viram as asas de uma multidão
Sobrevoam a leveza da consciência,
da lucidez , da sabedoria e da paciência.
Nelas , a esperança, inda carrega...
São cotovias
aproximando o céu azul,
da nossa tão ferida Terra.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
CANSEI
CANSEI
Vera Popoff
Quer saber?
Cansei e me machuquei....
Foram tantos murros na ponta da faca e feri-me.
Tantos pensamentos e ideais desapontados!
Tanta esperança no bom combate!
Tanto sonho ignorado, ruído e perdido .
Desisto da resistência e vou falar das receitas de bolachinhas ,
Poetar a saudade dos meus tantos amores
Comentar sobre as gordinhas e magrinhas.
Como mulher, cantarei a feiúra e a lindeza
Promoverei os produtos de beleza,
máscaras de abacate para a tez macia.
Tratamentos para um cabelo bem artificialmente lisinho .
Botox nos lábios carnudos que já não podem beijar e nem sorrir.
Escolherei modelitos de armas.
Ouvi dizer que tem as coloridas ,
combinando com a roupa do dia.
Depois de alguns disparos
Comungo e rezo a Ave Maria!
Feliz, soltarei muitas bombas e grotescas gritarias.
Dependendo do noticiário da velha e eficaz mídia :
-Hoje foram dez assassinados por motivos diversos como:
-mulher vestia vermelho
-motorista xingou o outro de pentelho
-menino usou camiseta rosa
-garota procurou emprego ao invés de arrumar as gavetas.
Ah...com fatos tão relevantes
Sigo meu plano adiante, saio na dianteira
Na varanda , vou bater muitas panelas.
Viva a minha Pátria altaneira!
Ver mais
Vera Popoff
Quer saber?
Cansei e me machuquei....
Foram tantos murros na ponta da faca e feri-me.
Tantos pensamentos e ideais desapontados!
Tanta esperança no bom combate!
Tanto sonho ignorado, ruído e perdido .
Desisto da resistência e vou falar das receitas de bolachinhas ,
Poetar a saudade dos meus tantos amores
Comentar sobre as gordinhas e magrinhas.
Como mulher, cantarei a feiúra e a lindeza
Promoverei os produtos de beleza,
máscaras de abacate para a tez macia.
Tratamentos para um cabelo bem artificialmente lisinho .
Botox nos lábios carnudos que já não podem beijar e nem sorrir.
Escolherei modelitos de armas.
Ouvi dizer que tem as coloridas ,
combinando com a roupa do dia.
Depois de alguns disparos
Comungo e rezo a Ave Maria!
Feliz, soltarei muitas bombas e grotescas gritarias.
Dependendo do noticiário da velha e eficaz mídia :
-Hoje foram dez assassinados por motivos diversos como:
-mulher vestia vermelho
-motorista xingou o outro de pentelho
-menino usou camiseta rosa
-garota procurou emprego ao invés de arrumar as gavetas.
Ah...com fatos tão relevantes
Sigo meu plano adiante, saio na dianteira
Na varanda , vou bater muitas panelas.
Viva a minha Pátria altaneira!
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terça-feira, 15 de janeiro de 2019
TUDO VAI MUITO BEM
TUDO VAI MUITO BEM
Vera Popoff
Está tudo bem! Muito bem!
o desempregado sem vintém
sumiu do mapa, graças ao óleo ungido.
E você, bolivariano intrometido,
queixa-se? Do quê?
Do andarilho buscando o resto, buscando o pão
amanhecido, o filho perdido?
Em nome de Jesus,
As armas estão liberadas!
Que festa nas periferias,
nos guetos, nas terras demarcadas!
Ah... sem embate, sem debate,
Já existem os condenados
aos lotes!
Não será usada mais
a bala de borracha, o gás de pimenta
Muito branda tal encomenda!
Facada sem sangue é coisa do passado
Decisão festejada pelo alienado!
O estampido não dói no ouvido
do homem de bem
da dama impoluta
do jovem de berço
da senhora de fé , rezando
o seu terço.
Ora , ora, o atingido, caído
será a gente miúda , sem brilho e perfume
manchada com as nódoas da dor.
O reprodutor da barbárie
sorri de contentamento
Bate a continência para o cabo,
o soldado , o capitão , o sargento.
Não importa a patente,
desde que seja a boa gente.
Nos bairros elegantes,
a grande manifestação nacional
-Por Deus, diz o senhor bem vestido
-quero o meu bairro de volta!
Não há na dita faxina, nenhum mal!
Corpos em farrapos ferem a massa cheirosa,
Deterioram as alamedas
onde transitam as pessoas bondosas
Meninos e meninas
desconhecem a nova ordem:
-É o azul ou o rosa
sem discussão e sem prosa!
Encurralados na miséria sem cor,
sem lamento, sem força para externar
o abandono e a dor.
Está tudo bem! Muito bem!
Na Terra plana, a bíblia vai além
A palavra final condena a diferença,
não permite tal ofensa, afasta o mal.
Lança os indesejados à escuridão
E haja contribuição!
A vassoura ungida e benzida
Varre a pobreza e blinda a nobreza
O livro sagrado lido e relido
no galho da goiabeira
define quem é a feia e quem é a linda.
Não contentam-se com pouca asneira.
Está tudo bem ! Muito bem!
Produção elevada das barbáries
A miséria já encurralada no lugar devido
Os deserdados da civilização
já não gemem...pedem perdão!
Vera Popoff
Está tudo bem! Muito bem!
o desempregado sem vintém
sumiu do mapa, graças ao óleo ungido.
E você, bolivariano intrometido,
queixa-se? Do quê?
Do andarilho buscando o resto, buscando o pão
amanhecido, o filho perdido?
Em nome de Jesus,
As armas estão liberadas!
Que festa nas periferias,
nos guetos, nas terras demarcadas!
Ah... sem embate, sem debate,
Já existem os condenados
aos lotes!
Não será usada mais
a bala de borracha, o gás de pimenta
Muito branda tal encomenda!
Facada sem sangue é coisa do passado
Decisão festejada pelo alienado!
O estampido não dói no ouvido
do homem de bem
da dama impoluta
do jovem de berço
da senhora de fé , rezando
o seu terço.
Ora , ora, o atingido, caído
será a gente miúda , sem brilho e perfume
manchada com as nódoas da dor.
O reprodutor da barbárie
sorri de contentamento
Bate a continência para o cabo,
o soldado , o capitão , o sargento.
Não importa a patente,
desde que seja a boa gente.
Nos bairros elegantes,
a grande manifestação nacional
-Por Deus, diz o senhor bem vestido
-quero o meu bairro de volta!
Não há na dita faxina, nenhum mal!
Corpos em farrapos ferem a massa cheirosa,
Deterioram as alamedas
onde transitam as pessoas bondosas
Meninos e meninas
desconhecem a nova ordem:
-É o azul ou o rosa
sem discussão e sem prosa!
Encurralados na miséria sem cor,
sem lamento, sem força para externar
o abandono e a dor.
Está tudo bem! Muito bem!
Na Terra plana, a bíblia vai além
A palavra final condena a diferença,
não permite tal ofensa, afasta o mal.
Lança os indesejados à escuridão
E haja contribuição!
A vassoura ungida e benzida
Varre a pobreza e blinda a nobreza
O livro sagrado lido e relido
no galho da goiabeira
define quem é a feia e quem é a linda.
Não contentam-se com pouca asneira.
Está tudo bem ! Muito bem!
Produção elevada das barbáries
A miséria já encurralada no lugar devido
Os deserdados da civilização
já não gemem...pedem perdão!
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