terça-feira, 30 de junho de 2015

O DIA SIMPLES DA SIMPLES MULHER

O DIA SIMPLES DA SIMPLES MULHER                 (Vera Popoff)


Oh, mulher, recebes como oferenda,
          o teu dia!
Estás plena e reges o teu chão de terra
Reges  o teu sol, a tua flor e a tua árvore
            .. o teu Deus!
Nos teus pés, a sapatilha confortável
A vestidura do teu corpo, simples, alargada!
Tua cabelos luzem na cabeça prateada!
Nas tuas mãos  já manchadas, tarefas acumuladas
Teu desejo? Uma vida sossegada.
A tua elegância é  a imagem bailarina
acendida à fraca luz da lamparina!
Na boca , teu sorriso é amável e
no coração , sentimento afável!
Tua alma carrega um sonho louco, mas...
                 admirável!
O teu dia é brindado com o sol bem aquecido
Quando nublado está teu céu, enxergas além nuvens!
Na tua varanda , canta sempre um pássaro atrevido
E o teu olhar mostra um carinho permitido.
O caminho, já sem penúria, tem um afago amigo!
          No jardim, um jasmim exalado
          No peito, amor multiplicado
          No pensamento, um voo libertado
          Na lembrança, o momento bonito retornado
          Na mesa , o cardápio reinventado
          Na tua cadeira, o conforto assegurado
As manhãs são auroras discretas e delicadas,
Nas tardes , preguiças esticadas
Nas noites,  consciência apaziguada!
Dias de distâncias reduzidas, em marchas circuladas,
O  lugar da partida é o mesmo da chegada


QUANDO NUBLADO ESTÁ TEU CÉU, ENXERGAS ALÉM NUVENS!



        v
.

domingo, 28 de junho de 2015

DOMINGO FRIO

DOMINGO FRIO                                     (Vera Popoff)

DOMINGO FRIO

                            (Vera Popoff)...
Hoje é domingo!
Mais um domingo.
Ainda que o domingo inspire
e eu busque uma razão,
Hoje, nada que eu disser
vai merecer-lhe a atenção!
Pois, que tempo mais gelado!
Que amanhecer apagado!
Oh, Senhor, deixa qualquer fervor
              resfriado!
E a minha poesia perde seus versos
              rimados!
Na verdade, eu sinto mesmo, é preguiça!
A vontade empaca , a palavra enguiça!
Como cantarei algum louvor?
O pensamento estacionado nada pensa,
que mereça algum valor....

QUE AMANHECER MAIS APAGADO!

 

sábado, 27 de junho de 2015

JARDINAGEM, AS CAPUCHINHAS

CAPUCHINHAS!

A capuchinha é uma flor da minha infância.No nosso quintal havia canteiros de capuchinhas. Minha mãe gostava de enfeitar as saladas com as suas flores.
A capuchinha é comestível, desde que cultivada, sem o uso de agrotóxico ou produtos químicos. É uma planta anual, muito decorativa. Minha mãe gostava de usá-la na salada de agrião. Suas flores são aromáticas e com sortimento de cores: amarelas , alaranjadas, vermelhas e cremes.
Algumas pessoas esmagam as suas folhas e flores e misturam na manteiga para passar no pão.
São fontes de vitamina A. Auxiliam no tratamento de infecções urinárias, vias respiratórias e diurético. Algumas informações ainda conferem a ela, propriedades que ajudam no emagrecimento.
Restaurantes sofisticados de São Paulo descobriram a capuchinha e a estão usando em seus pratos frios, como saladas e entradas.

CAPUCHINHAS   (Vera Popoff)

Vai semear capuchinhas, Verinha!...
Vai colher com cuidado, as capuchinhas,
Verinha!
Ajuda-me a enfeitar a salada com as capuchinhas,
Verinha!
Tomates, agrião, cebolinha, salsinha e...
capuchinhas!
Ah...capuchinha, capuchinha!!
Ouvi a doce voz da minha mãezinha
falando da capuchinha, a minha vida
inteirinha!!
Agora, já velhinha, ainda planto a capuchinha!



sexta-feira, 26 de junho de 2015

O BRAÇO, O TRAÇO

                                      
O BRAÇO, O TRAÇO

                                                              (Vera Popoff)...
Houve um tempo, quase sem vento...
Duas cabeças pousavam sobre o meu braço.
Quieta, imóvel , eu não movimentava o braço
Nem mesmo para arriscar um abraço
O receio ...se eu retirasse o braço
se , num ímpeto, desse o abraço,
as cabeças sobre o meu braço, acordariam
e saíriam do calor daquele braço , que cansado,
não dava abraço.
As cabeças dormiam apoidas no braço...
O olhar sonado e no peito, o amor amado!
Nas mãos, um formigamento...
Pois eu não mexia o braço
onde as cabeças apoiadas...dormiam.
E eu, apenas, admirava os traços!
Na penumbra do quarto, eu ouvia
-tum...tum...tum...
O coração entoava a canção que ninava
duas cabeças sobre aquele braço
cansado, sem movimento, no espaço
silencioso. Só no ritmo do coração!
O coração, que então, estava no braço,
que não dava abraço, mas segurava os traços!
No tempo, sem vento, o suave encanto!
Ouvindo o coração , que ritmado, entoava
o canto!
Que bom era sentir o contato das cabeças
naquele braço
que hoje, já não apoia as cabeças e nem...
os traços!

DUAS CABEÇAS POUSAVAM SOBRE O MEU BRAÇO!

 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

QUANDO

QUANDO          (Vera Popoff)


Quando a manhã nascer assim...meio tristonha.
Quando a alegria parecer assim...só uma coisa bisonha.
Quando o sol parecer assim...apenas uma lâmpada fraquinha.
Quando a árvore do inverno for assim...um galho sem verdor.
Quando o Universo parecer assim...um abrigador de dor.
Quando a folhagem merecer assim...só um verde desbotado.
Quando a flor estiver  assim... meio cansada de florir e já não
                          embelezar nenhum amor!
Quando a tua  crença estiver assim...tão vacilante!
Quando teu dia  amanhecer assim...tão enfadonho!
Quando tudo parecer assim...muito inconstante...
Ah... está na hora de buscar na tua alma assim...uma aquarela!
Ligar o som do coração e entoar assim...aquele hino...
Soltar o pássaro de dentro do teu peito assim...e deixar voar!
Mostrar ao teu momento assim...um raio de sol.
Beber, beber e beber assim...uma taça de riso!
Segurar com carinho a tua vida e matizar  assim...de muitas cores!
Separar , embalar e reciclar assim...todas as dores!




terça-feira, 23 de junho de 2015

RASGA O VERBO, POETA!

RASGA O VERBO , POETA!                                    (Vera Popoff)


A mesa do poeta está empoeirada.
A caneta , ao lado, pousada.
A folha em branco, amarelada.
A ideia buscada chegou desencontrada.
A inspiração  foi apagada e a primavera
que poderia ser cantada, foi desperdiçada!
As cartas colocadas na mesa foram trocadas,
                     mal jogadas!
A sua voz, poeta, está ultrapassada!

O poeta está sem fala!
Já cantou o horizonte de magia,
versou a paixão que contagia!
Sonhou os mais tolos sonhos
Bradou os seus desenganos
Descreveu um porvir risonho!
Lambeu a sua cria
fingiu ser sincero...  quando prometia.

Sua esperança, de esperar, já se desgasta!
E a vida do poeta passa...
As portas abertas num dia,
 foram fechadas n'outro dia!
Nem mesmo a dor que mata, o desafia!

O dourado do sol foi tão cantado!
O assunto está esgotado.
A traição foi sentida e cuspida!
A saudade, de tão falada, está esquecida.
                 -o céu azul
                 -o verde mar
                 -a nuvem caminheira
                 -o verdor da árvore passarinheira
                 -a  flor destroçada
                 -a rosa desabrochada
                 -a fé abalada
                 - a noite estrelada
                 -a lua prateada
A musa , o beijo, o olhar, as manhãs e
                 o recomeçar...
As mangueiras , laranjeiras e goiabeiras
O doce sabor da fruta e o carinho que desfruta.
Tudo foi dito, escrito e reescrito.
E agora, poeta?

Abra o seu peito, joga fora o temor!
Rasga o verbo, poeta!
Existe ainda um tanto de amor!
Quem nasceu cantador
sempre será um trovador!


QUEIXUMES

QUEIXUMES                                VERA POPOFF

QUEIXUMES

                                                       ( Vera Popoff)...
Oh, meu Deus, quantos queixumes!
Queixa-te de um lado,
Queixo-me do outro!
Enrolados  estamos, nos lamentos.
Deixemos as lamúrias e vivamos...
Todo possível  contentamento!!
Se nossos olhos afligirem-se
molhados pelas dores,
Vamos erguer as mãos aos céus!
Pensar num mundo lindo e transparente!
Acender a luz da alma e deixá-la...bem luzente!
Não permitamos ânimos vencidos!
Busquemos a saúde, a paz , a Divindade!
Alí, bem perto, atrás daquela porta
há uma linda luz e suavidade
E nenhuma dor já não importa!

ALI , BEM PERTO, ATRÁS DAQUELA PORTA, HÁ UMA UMA LINDANLUZ E SUAVIDADE