segunda-feira, 30 de novembro de 2015

DOM PAULO EVARISTO ARNS
Quanto mais eu leio sobre a atuação de Dom Odilo SHERER, mais sinto saudades de Dom Paulo Evaristo Arns.
Dom Paulo criou a COMISSÃO DE JUSTIÇA E PAZ, incentivou a Pastoral da Moradia e a Pastoral Operária, criou a Pastoral da Infância, com o apoio da sua irmâ , Zilda Arns. Presidiu a 'Celebração da Esperança", em memória de Alexandre Vannucchi Leme, estudante universitário morto pela ditadura. Apresentou um dossiê sobre casos de desaparecidos;celebro...u na Catedral da Sé o culto ecumênico em honra de Vladimir Hersog, jornalista assassinado pelo regime. Sua atuação pastoral sempre foi voltada aos habitantes da periferia, aos trabalhadores e estudantes, trabalhando exaustivamente pelos mais pobres, defendendo os direitos da pessoa humana. Estivesse hoje, á frente da Arquidiocese de São Paulo, com certeza apoiaria os estudantes sofridos, que perdem vagas nas escolas paulistas , graças à insensibilidade de governantes autoritários .
 

UM TEMPO


UM TEMPO
                                       VERA POPOFF


Num tempo quase sem tempo
Não é que sobra-me um tempo
livre dos contratempos?
Penso com meus botões:
- vou aproveitar o tempo!
Tantas tarefas esperam pelo
     tão curto tempo!
Vou dar de comer aos cães,
Vou dar de beber às flores,
Vou dar um consolo à dor
Vou dar um lustro no sol,
Um banho de prata na lua
e um beijo na boca tua!

E o tempo não para
quando mando-o parar
E nem anda mais depressa
quando mando-o correr!
Já que é teimoso , o tempo
Vou dar energia ao vento!
Oferecer ao amigo  , um café.
Aumentar a tão curta fé !
Trazer alegria ao riso
Pedir a Deus , mais juízo!
Uma pintura no velho horizonte
E dar-te carinho aos montes!

Peço um instante ao tempo
Entrego uma borboleta  à rosa
Busco dedo de boa prosa,
Abro as asas da andorinha
Mato a saudade que é minha!
A quem passa, estendo a mão!
Levo sangue bom  ao  coração
e abraço-te com paixão!

Já que não espera-me , o tempo
Melhor à vida,  dar andamento!
Vou encher a taça de vinho
Arrancar da mágoa , o espinho
E  dar andamento à obra
Um doce aconchego às filhas
Tomar  cuidado com as armadilhas
Quem sabe até , cruzar a linha do infinito
Buscar a paz  para o  espírito
Abrir um céu para a estrela
Uma sombra ao viandante
E entregar-me ao amor do amante!

BENDITA SEGUNDA -FEIRA

 



BENDITA SEGUNDA-FEIRA

                                                          Vera Popoff
Segunda-feira é o meu domingo.
Tanta paz, tanto sossego! ...
O barulho se despede
A irritação é esquecida
Deus do céu, que bela é a vida!!

 
O horizonte está tão perto
No rítmo do coração, por certo!
A natureza ao meu alcance
Não há alma que não dance !

A fé e a esperança, nos ombros
Nenhum gesto de assombro
Não fosse tanta saudade,
A perfeição seria de verdade!!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

CASA VELHA

CASA VELHA
                             Vera Popoff

O bom de viver numa casa velha
é que nela já viveram outras almas!
Deixaram algumas energias ...
percebo laivos d'alguma alegria
Encontro nas paredes, misteriosos semblantes,
 não visíveis com os  meus tímidos  óculos,
     mas tão nítidos na imaginação,
sem nenhum rastro de qualquer razão.

Desisto de decifrar os enigmas
Fico atenta aos sinais deixados,
aos tantos deuses aqui, invocados!
Uma parede que conservei desbotada
para certificar-me do gosto do outro
para atentar-me aos sonhos falecidos
para envolver-me nas teias tecidas
por mãos desconhecidas!

Na casa velha, já tão habitada
e , por isso, bem desgastada,
houve  muitas certezas,
algumas delicadezas
 e lágrimas em correnteza.
Muitos risos aqui , debruçados.
Luzes acendidas , outras , apagadas!

No quintal, árvores que desconheço os nomes,
pedaços de troncos que foram cortados
E eu penso:- por que cortariam  uma sombra ,
um  galho , uma  morada do pássaro?
Vingança engolida crua?
Desejo da terra nua?
Capricho d'um falso cristão
ou delírios insanos de alguém sem coração?

Vivo na casa que me parece  assombrada,
por onde voam memórias já depenadas.
Igual aquela que na infância  avistei,
que tantas vezes fez-me , de medo, correr!
Ouço ruídos vindos nem sei d'onde!
Passos cadenciados, que não são os  meus
Alguns  suspiros que não saem
da minha  melancolia!
Um fantasma atrás da porta.
Um cabo duzentos e vinte  que liga-me
ao  curto circuito de alguém que espero ,
            mas que não chega,
pois quem espero   ,
habita uma outra morada ,
 muito, muito além!

NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS

NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS
                                                                            Vera Popoff
ÀS  tuas benditas Graças
eu acrescento uma graça,
por mim, um dia, alcançada!
A Graça da própria Graça
que foi a Graça da vida!

Exaurida de tanta dor
sentindo por perto , a desgraça
Ajoelhei aos teus pés
com esforço e desespero
e te pedi uma Graça!

-Valei-me, Virgem bendita,
pois eu estou indo embora!
Para embarcar nesta nuvem,
necessito de Ti, ó Senhora!

De coração, eu te peço,
deixa acesa uma luz
clareando a minha chegada,
pois sinto medo do escuro!

Nossa Senhora das Graças
Talvez não mereça a tua Graça!
Mesmo sem merecer
afaga com teu amor
minh'alma sedenta de afeto!
Espera-me , eu te imploro com devoção!
Cubra-me com teu santo manto,
sinto tão frias , as minhas mãos!

NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS,
minha voz , tu acolheste!
grande paz me devolveste!
Minha vida , então por um fio,
recebeu uma suave energia
revestida da tua Graça!
Hoje, curada e cheia da Graça,
aqui estou para  agradecer
a Graça da tua Graça,
oh, Mãe da Bendita Graça!

UM PRESENTE PARA ANA TEREZA

UM PRESENTE PARA ANA TEREZA
                                                                        Vera Popoff

HOJE E O DIA DE NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS!
HOJE É O ANIVERSÁRIO DE FÁBIO SIMÕES PRADO!
Nossa Senhora das Graças!
Mãe ternura de todas as mães!
Mãe de todos os anjos e de todos os amores!
Mãe dos nossos amigos nunca esquecidos!
Mãe de Ana Tereza Simões,
Mãe que abençoa e encanta os verdes "Prados"!
Nossa Senhora das Graças!
Mãe de Fábio Simões, outro Prado, tão amado!
Nossa Senhora das Graças e Fábio Simões Prado,
aniversariam no mesmo dia...
O certo dia... sagrado e consagrado
Por sua mãe...Ana Tereza Simões Prado!!
Uma singela homenagem da amiga Vera Popoff para a tão amada amiga


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

TARDE QUIETA

TARDE QUIETA
                                       Vera Popoff



Eu vou cantar a minha tarde
Canto-a porque merece o meu canto
Tão singela e muda!
Nela , eu refugio o meu silêncio
impregnado de doçura !
Vez em quando bebo um gole de café,
outro gole da água benta pela fé,
mais um gole da presente plenitude!
E contemplo...o evento de tamanha magnitude!
Uma tarde sem a mancha do barulho,
Cujo único estorvo é um arrulho!
Na colheita da paz semeada,
no semblante da vida suavizada,
eu inspeciono o céu!
 Observo d'onde vem o vento,
se a nuvem anuncia o mudar d'um tempo!
Quintas-feiras, segundas e terças,
dias dos relógios lentos,
do silêncio atento
do entrelaçamento
da alegria mansa  e  da clausura
           sem submissão!
Celebro assim , com a voz murmurada
só no pensamento, a tarde silenciada!