DESFILE
Vera Popoff
Por que desfilas o mesmo olhar
sempre, sempre ,
sobre os mesmos horizontes?
Por que não buscas uma nova fonte?
Por que a tua vida não avança
e segue tão primitiva?
Teimas na mesma andança
Não te cansas?
Por que não abandonas a tua rotina?
Não oscilas? Não te intimidas
com tanta mesmice ?
Como suportas as próprias esquisitices?
Por que não te obrigas a novos rumos?
Perpetuamente, em torno dos mesmos sonhos,
Navegas nas mesmas águas,
desaguas as mesmas lágrimas?
Por que estás foragida?
Presa no teu cativeiro, tão esquecida?
Desfilas nas mesmas passarelas
No rosto, a mesma brisa?
Tropeças nas mesmas pedras,
Chamas sempre pelo mesmo deus
Sacodes as mesmas penas, das mesmas asas
Sob o mesmo firmamento
O sutil e tímido contentamento?
Num mundo vasto
Não colocas a tua nau para navegar
nos grandes e profundos mares?
Cavalgas nos estreitos campos?
Afinal, qual é o teu segredo?
Sentes algum privado medo?
Sentes as amarras de laços
nunca desamarrados
e nós jamais desatados?
Ou a tua alma enraizou-se,
na terra da paz?
E desfilas sobre um chão de folhas
e te basta um céu de estrelas,
e as ramas são os braços que te aconchegam?
A natureza enleia-te
Alimenta-te
Esperança-te
Serve-te
Oferece-te um doce ninho.
Contenta-te!
terça-feira, 23 de abril de 2019
O MORRO DO SABOÓ
O MORRO DO SABOÓ
Vera Popoff
...
Vera Popoff
...
Habito num estreito vale
entre matas e montanhas,
próximo ao Morro do Saboó
O lugar parece triste para quem avista
E o lugar é mesmo triste para minha vista.
É mais triste ainda para o meu coração.
Meu coração trouxe para cá
um passado nunca esquecido,
uma saudade jamais vencida
E por isso, .aqui entrei chorando.
Permaneci amuada, exausta com as tantas perdas,
desiludida com as partidas.
Cheguei, querendo ir embora,
peregrinar pelo mundo afora!
Fiquei... desejando não ficar
Dias maçantes...um atrás do outro,
sem nada acrescentar à alma, então, vencida!
Nem mesmo a sensação de estar dividida.
Não , não! Sempre inteiramente decidida
a brigar com a vida, ou
a morrer calada,
num Morro que não arquitetei
Tão fora do meu espaço
tão estranho aos meus pedaços.
O Morro do Saboó , avistado lá adiante,
não me aconchegava..
Com a mania de semear
fui semeando sem ilusão, nenhuma ansiedade,
nenhum planejamento, vagarosamente,
para não me aperceber das horas
passando
na mesma cadência
Sementes lançadas, perto e longe.
Com total indiferença pela brotação,
um vazio de contentamento ,
apenas, para passar o insonso tempo.
E teimosamente, tudo foi brotando
Nenhum galho se importando
com a minha tristeza.
Nenhum dos sóis nascidos ,
próximo ao Morro do Saboó,
deixaram de brilhar
com o tanto de desencanto vivido.
O Universo desconhece nossas agonias,
os maus gostos , os desgostos.
O universo rege as suas leis
Independente dos sentimentos humanos
e banais.
O Universo é maiúsculo demais
para os nossos olhos e
para as pequenas
e humanas dores.
E nós somos minúsculos demais
diante de tal grandeza!
E próximo ao Morro do Saboó,
num triste e solitário vale ,
impertinentes mãos remexiam a terra,
cavavam, sem intenção ou inspiração
na brotação.
Jurando a todo momento, não mais insistir,
Blasfemando:
"O Teu jugo não é suave e o Teu fardo
já ão suporto!
Vou sucumbir, sem humildade,
sigo oprimida!"
Ainda passo os meus dias
próximo do Morro do Saboó.
Mas agora, vejo o desabrochar das flores,
os frutos da romanzeira, a voz dos sabiás.
Abraçam-me , os galhos dos manacás.
Nunca espero um amanhã.
Mas regozijo-me , calada,
a cada inesperada manhã!
"-TOMEI SOBRE MIM O TEU SUAVE JUGO
E O TEU FARDO JÁ É MAIS LEVE."
entre matas e montanhas,
próximo ao Morro do Saboó
O lugar parece triste para quem avista
E o lugar é mesmo triste para minha vista.
É mais triste ainda para o meu coração.
Meu coração trouxe para cá
um passado nunca esquecido,
uma saudade jamais vencida
E por isso, .aqui entrei chorando.
Permaneci amuada, exausta com as tantas perdas,
desiludida com as partidas.
Cheguei, querendo ir embora,
peregrinar pelo mundo afora!
Fiquei... desejando não ficar
Dias maçantes...um atrás do outro,
sem nada acrescentar à alma, então, vencida!
Nem mesmo a sensação de estar dividida.
Não , não! Sempre inteiramente decidida
a brigar com a vida, ou
a morrer calada,
num Morro que não arquitetei
Tão fora do meu espaço
tão estranho aos meus pedaços.
O Morro do Saboó , avistado lá adiante,
não me aconchegava..
Com a mania de semear
fui semeando sem ilusão, nenhuma ansiedade,
nenhum planejamento, vagarosamente,
para não me aperceber das horas
passando
na mesma cadência
Sementes lançadas, perto e longe.
Com total indiferença pela brotação,
um vazio de contentamento ,
apenas, para passar o insonso tempo.
E teimosamente, tudo foi brotando
Nenhum galho se importando
com a minha tristeza.
Nenhum dos sóis nascidos ,
próximo ao Morro do Saboó,
deixaram de brilhar
com o tanto de desencanto vivido.
O Universo desconhece nossas agonias,
os maus gostos , os desgostos.
O universo rege as suas leis
Independente dos sentimentos humanos
e banais.
O Universo é maiúsculo demais
para os nossos olhos e
para as pequenas
e humanas dores.
E nós somos minúsculos demais
diante de tal grandeza!
E próximo ao Morro do Saboó,
num triste e solitário vale ,
impertinentes mãos remexiam a terra,
cavavam, sem intenção ou inspiração
na brotação.
Jurando a todo momento, não mais insistir,
Blasfemando:
"O Teu jugo não é suave e o Teu fardo
já ão suporto!
Vou sucumbir, sem humildade,
sigo oprimida!"
Ainda passo os meus dias
próximo do Morro do Saboó.
Mas agora, vejo o desabrochar das flores,
os frutos da romanzeira, a voz dos sabiás.
Abraçam-me , os galhos dos manacás.
Nunca espero um amanhã.
Mas regozijo-me , calada,
a cada inesperada manhã!
"-TOMEI SOBRE MIM O TEU SUAVE JUGO
E O TEU FARDO JÁ É MAIS LEVE."
domingo, 21 de abril de 2019
TRAÇANDO MOLDES
TRAÇANDO MOLDES
Vera Popoff
Fita métrica e papel,
lápis e caderno de medidas,
traçado na cabeça e dons nas mãos
O modelo escolhido está desenhado
no coração.
Um modelo sem a grife famosa
Sem a tendência do momento,
Longe do padrão da moda
traçados alinhados e com certo
arejamento.
Vestido novo para uma alma surrada,
desbotada
desajeitada
um tanto quanto,
desencantada.
Um pouco de elegância
para vestir a alma esfarrapada ,
silenciada pela ansiedade de gritar
com fôlego
a liberdade!
Um vestido novo, sutil perfume,
Laçarotes e lantejoulas
brilhando os sonhos renovados
de esperança!
A alma encanta-se com os tons
sobre tons.
Alegra-se com os reflexos do sol
raiando sobre as utopias
E sua essência enche-se de suave
melodia.
Libertou-se do seu cárcere!
Matou a sede e esbanjou prazer
Banhada na cascata de novas ilusões
É alma andorinha. É alma andorinha!
Vera Popoff
Fita métrica e papel,
lápis e caderno de medidas,
traçado na cabeça e dons nas mãos
O modelo escolhido está desenhado
no coração.
Um modelo sem a grife famosa
Sem a tendência do momento,
Longe do padrão da moda
traçados alinhados e com certo
arejamento.
Vestido novo para uma alma surrada,
desbotada
desajeitada
um tanto quanto,
desencantada.
Um pouco de elegância
para vestir a alma esfarrapada ,
silenciada pela ansiedade de gritar
com fôlego
a liberdade!
Um vestido novo, sutil perfume,
Laçarotes e lantejoulas
brilhando os sonhos renovados
de esperança!
A alma encanta-se com os tons
sobre tons.
Alegra-se com os reflexos do sol
raiando sobre as utopias
E sua essência enche-se de suave
melodia.
Libertou-se do seu cárcere!
Matou a sede e esbanjou prazer
Banhada na cascata de novas ilusões
É alma andorinha. É alma andorinha!
SOLIDÃO POVOADA
SOLIDÃO POVOADA
Vera Popoff
Vera Popoff
Solidão Povoada
Vera Popoff
A solidão é ampla.
Tem atalhos que percorro
sempre, sempre ...só.
Tantas vezes, olham-me com dó!
Tolos, tenho a alma povoada
O coração com muitos compartimentos
Onde vivem a saudade boa,
A coragem de viver à toa,
Lembranças tatuadas
Histórias bem e mal contadas
Poucas verdades e mentiras gostosas de ouvir.
"Causos" , muitos causos.
Sou guardadora compulsiva
de causos ouvidos
lidos e relidos, contados pelas
comadres, compadres e padres.
Causos das avós, do pai,
um brilhante contador de causos.
Caminho cedo, quase na madrugada
Encontro pessoas boas
As ruins, mando procurar
aquele mau lugar!
Três bichanos aguardam a comida
Levo na bolsa de pano que carrego
Sem folgar os passos
Um dever do qual o pé, eu não arredo!
O Nego, cão da rua
Enche-me de carinho
Abana o rabinho
E faço-lhe um afago
Dou -lhe grãos de ração ,
sua recompensa
Sistemático, mas livre!
Faz o que quer,
quando quer.
Nos alheios jardins, onde passo
Controlo a floração
Toco as flores com doce olhar
Com receio de as machucar!
Medito. O que é meditar?
Não tive essa aula, mas posso
imaginar
inventar
Intuir
sem falar.
Dou um drible na dor!
Ela leva um chapéu
Uma finta e dá um tempo !
Saio da marcação
e descontraída, memorizo
uma poesia ou canção!
Solidão povoada!
É mesmo, uma solidão arretada.
Joga com as palavras, mas
destrata o conceito e a ideia formada.
Aceita o sim e o não
Tem ojeriza ao talvez!
Talvez, sim?
Talvez, não?
É conversa que fica em cima
de muro.
Mal suporto uma cerca ou porteira
Muros? Só os derrubados.
Alma murada é alma confinada
Não voa, não corre , não viaja
Daí, a solidão perde o encanto
de ser a solidão povoada!
BATE PANELAS
BATE PANELAS
Vera Popoff
Panelas não batem contra o derramamento de sangue?
Panelas não batem pela entrega vergonhosa da Amazônia?
Panelas não batem pelo extermínio dos negros , pobres e tombamento dos indígenas?
Panelas imundas, malditas! Batem com ódio e despudor , festejando as crueldades, os preconceitos e as torturas.
Madames e senhores de bem...
Por favor, não digam mais ,AMÉM!
HIPÓCRITAS!
Vera Popoff
Panelas não batem contra o derramamento de sangue?
Panelas não batem pela entrega vergonhosa da Amazônia?
Panelas não batem pelo extermínio dos negros , pobres e tombamento dos indígenas?
Panelas imundas, malditas! Batem com ódio e despudor , festejando as crueldades, os preconceitos e as torturas.
Madames e senhores de bem...
Por favor, não digam mais ,AMÉM!
HIPÓCRITAS!
quinta-feira, 11 de abril de 2019
DESISTO
Desisto
Vera Popoff
Quer saber?
Cansei e me machuquei....
Foram tantos murros na ponta da faca e feri-me.
Tantos pensamentos e ideais desapontados!
Tanta esperança no bom combate!
Tanto sonho ignorado, ruído e perdido .
Desisto da resistência e vou falar das receitas de bolachinhas ,
Poetar a saudade dos meus tantos amores
Comentar sobre as gordinhas e magrinhas.
Como mulher, cantarei a feiúra e a lindeza
Promoverei os produtos de beleza,
máscaras de abacate para a tez macia.
Tratamentos para um cabelo bem artificialmente lisinho .
Botox nos lábios carnudos que já não podem beijar e nem sorrir.
Escolherei modelitos de armas.
Ouvi dizer que tem as coloridas ,
combinando com a roupa do dia.
Depois de alguns disparos
Comungo e rezo a Ave Maria!
Feliz, soltarei muitas bombas e grotescas gritarias.
Dependendo do noticiário da velha e eficaz mídia :
-Hoje foram dez assassinados por motivos diversos como:
-mulher vestia vermelho
-motorista xingou o outro de pentelho
-menino usou camiseta rosa
-garota procurou emprego ao invés de arrumar as gavetas.
Ah...com fatos tão relevantes
Sigo meu plano adiante, saio na dianteira
Na varanda , vou bater muitas panelas.
Viva a minha Pátria altaneira!
Vera Popoff
Quer saber?
Cansei e me machuquei....
Foram tantos murros na ponta da faca e feri-me.
Tantos pensamentos e ideais desapontados!
Tanta esperança no bom combate!
Tanto sonho ignorado, ruído e perdido .
Desisto da resistência e vou falar das receitas de bolachinhas ,
Poetar a saudade dos meus tantos amores
Comentar sobre as gordinhas e magrinhas.
Como mulher, cantarei a feiúra e a lindeza
Promoverei os produtos de beleza,
máscaras de abacate para a tez macia.
Tratamentos para um cabelo bem artificialmente lisinho .
Botox nos lábios carnudos que já não podem beijar e nem sorrir.
Escolherei modelitos de armas.
Ouvi dizer que tem as coloridas ,
combinando com a roupa do dia.
Depois de alguns disparos
Comungo e rezo a Ave Maria!
Feliz, soltarei muitas bombas e grotescas gritarias.
Dependendo do noticiário da velha e eficaz mídia :
-Hoje foram dez assassinados por motivos diversos como:
-mulher vestia vermelho
-motorista xingou o outro de pentelho
-menino usou camiseta rosa
-garota procurou emprego ao invés de arrumar as gavetas.
Ah...com fatos tão relevantes
Sigo meu plano adiante, saio na dianteira
Na varanda , vou bater muitas panelas.
Viva a minha Pátria altaneira!
NOVE DEDOS E DEZ DEDOS
NOVE DEDOS E DEZ DEDOS
Vera Popoff
As mãos com nove dedos são capazes
de arquitetar um mundo!...
Desenham a igualdade,
Colorem a dignidade,
Multiplicam os bens da terra
Trazem sonhos aos quem não sonhavam
Protegem as cabeças, do relento
Agigantam-se,
diante do que é raso e tão pequeno!
Vera Popoff
As mãos com nove dedos são capazes
de arquitetar um mundo!...
Desenham a igualdade,
Colorem a dignidade,
Multiplicam os bens da terra
Trazem sonhos aos quem não sonhavam
Protegem as cabeças, do relento
Agigantam-se,
diante do que é raso e tão pequeno!
O algoz , cujas mãos , têm dez dedinhos
inquieta-se com o brilho alheio
Faz da vingança , seu grande anseio.
Tripudia e lhe chama "nine"
Se ri com um riso torto.
Da decência , ele perde o "time"
e afunda-se na mediocridade.
As mãos com seus nove dedos
abraçam a Nação inteira
São capazes de matar a fome, a sede
fazem sorrir tantos semelhantes
Têm sonhos tão delirantes!
O algoz não o perdoa!
Um homem com nove dedos
Corajoso e habilidoso
Vai direto para a masmorra
-que morra!
As mãos,
com seus nove dedos
Tatuaram n'alma, a sua liberdade.
As mãos, com seus dez dedinhos
Aprisionam -se , seguem amarradas
às injustiças , às mentiras , às sentenças
sob delação.
Estão condenadas à escravidão
do infame perdão.
As mãos com seus nove dedos
viram as asas de uma multidão
Sobrevoam a leveza da consciência,
a lucidez , a paciência , a sabedoria
Nelas , a esperança, inda carrega
São cotovias aproximando
o céu azul,
da nossa Terra
inquieta-se com o brilho alheio
Faz da vingança , seu grande anseio.
Tripudia e lhe chama "nine"
Se ri com um riso torto.
Da decência , ele perde o "time"
e afunda-se na mediocridade.
As mãos com seus nove dedos
abraçam a Nação inteira
São capazes de matar a fome, a sede
fazem sorrir tantos semelhantes
Têm sonhos tão delirantes!
O algoz não o perdoa!
Um homem com nove dedos
Corajoso e habilidoso
Vai direto para a masmorra
-que morra!
As mãos,
com seus nove dedos
Tatuaram n'alma, a sua liberdade.
As mãos, com seus dez dedinhos
Aprisionam -se , seguem amarradas
às injustiças , às mentiras , às sentenças
sob delação.
Estão condenadas à escravidão
do infame perdão.
As mãos com seus nove dedos
viram as asas de uma multidão
Sobrevoam a leveza da consciência,
a lucidez , a paciência , a sabedoria
Nelas , a esperança, inda carrega
São cotovias aproximando
o céu azul,
da nossa Terra
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