ESPERANÇA
(Vera Popoff)
Esperança,
Não me engane mais!
Sorrateira, invade a minha vida,
cora uma palidez consentida,
instala-se no peito vazio,
aquece o coração frio,
assedia-me com a ilusão
promete o fim da minha solidão!
Esperança,
Não me torture mais!
Zomba de mim...
Fala do amor e da bem aventurança
enche-me de confiança
descreve-me a calmaria
o fim da tempestade
tempos de serenidade!
Esperança,
Não cometa tal perfídia!
Teu aceno é leviano,
tuas águas são tormentas
revigora o sonho vencido
desenha um trajeto novo
debocha da minha saudade
promete tanta inverdade
embala a ilusão que dorme
faz-se bonita, eloquente!
deixa-me acreditar
e parte ...levando o retrato
do meu pranto!
terça-feira, 6 de outubro de 2015
A DOR
A DOR
(Vera Popoff)
A dor que declaro agora
Não é a dor da alma,
nem a do coração, tão pouco,
da mal resolvida paixão!
A dor que declaro agora
Não é a dor da perda,
nem a dor da despedida
ou da triste partida.
Tão pouco é a dor desmedida
da saudade sentida!
A dor que declaro agora
É dor renitente, teimosa,
insistente e diferente!
Não é curada com afago,
com ternura ou doçura,
com a presença querida,
ou a força aguerrida!
A dor que declaro agora
é a dor do corpo exaurido
de sentir dor!
Está presente ao deitar
e ao despertar.
Machuca e intimida a lida
Tortura e tranca o sorriso!
Nem a flor a ameniza,
céu azul não minimiza,
canto algum a suaviza!
O que fazer com a dor, doutor?
Fingir que não está doendo?
Que dor alguma persiste e
que é mentira , a dor que existe?
O que fazer com a dor, doutor?
Inventar que a dor se foi?
Vencê-la com o pensamento,
encenar que não há tormento,
sorrir para o sofrimento?
Doutor, sua receita aviada,
a dor foi incorporada,
é o meu sétimo sentido!
Enfim...o teorema da dor ,
demonstrado e
mal curado!
(Vera Popoff)
A dor que declaro agora
Não é a dor da alma,
nem a do coração, tão pouco,
da mal resolvida paixão!
A dor que declaro agora
Não é a dor da perda,
nem a dor da despedida
ou da triste partida.
Tão pouco é a dor desmedida
da saudade sentida!
A dor que declaro agora
É dor renitente, teimosa,
insistente e diferente!
Não é curada com afago,
com ternura ou doçura,
com a presença querida,
ou a força aguerrida!
A dor que declaro agora
é a dor do corpo exaurido
de sentir dor!
Está presente ao deitar
e ao despertar.
Machuca e intimida a lida
Tortura e tranca o sorriso!
Nem a flor a ameniza,
céu azul não minimiza,
canto algum a suaviza!
O que fazer com a dor, doutor?
Fingir que não está doendo?
Que dor alguma persiste e
que é mentira , a dor que existe?
O que fazer com a dor, doutor?
Inventar que a dor se foi?
Vencê-la com o pensamento,
encenar que não há tormento,
sorrir para o sofrimento?
Doutor, sua receita aviada,
a dor foi incorporada,
é o meu sétimo sentido!
Enfim...o teorema da dor ,
demonstrado e
mal curado!
UMA HISTÓRIA DE AMOR
UMA HISTÓRIA DE AMOR(Vera Popoff)
Aquele homem de bigode escuro
e boca de beijo
Cantou para ela uma serenata
em plena Paulista.
E ela, de cabelos longos e boca
de desejo
Sentiu-se a Iaiá Garcia,
saída do livro!
O homem de bigode escuro
e boca de beijo
Oferta-lhe uma rosa.
E ela, de cabelos longos
e boca de desejo,
muito caprichosa, pensa que
todas as rosas, agora, são dela!
O homem de bigode escuro
e boca de beijo
Compara sues olhos ao brilho
das estrelas.
E ela, de cabelos longos
e boca de desejo
Sorri com seu lindo olhar e
acredita que o momento é
só de amar!
O homem de bigode escuro
a toma em seus braços,
em plena Paulista,
bem defronte ao Masp!
E ela, de cabelos longos
entrega-se ao beijo!
Agora , sente-se a estrela
que saiu da tela!
O homem de bigode escuro,
bem defronte ao Masp,
diz-lhe coisas belas!
E ela, de cabelos longos ,
com sutil malícia, suspira
e delira aquela poesia!
O homem de bigode escuro,
em plena Paulista,
entrega-lhe a lua,
Oh, figura antiga!
E ela de cabelos longos,
bem defronte ao Masp,
acredita que a lua, ali da Paulista,
ainda é dos apaixonados!
IPÊ ROSA
IPÊ ROSA
Vera Popoff
Olha , no topo da colina
Dentro do meu quintal
Um ipê rosa florido!!
Majestoso, alto, imponente
Não me diz a sua idade
Também não sei calcular...
Perdi a lição de botânica
Vamos lá. O que sei sobre a árvore?
É frondosa e tão bonita!
Deslumbramento que minh'alma, fita!
Descama as folhas no chão
descanso num tapete macio
e vai-se do coração, qualquer vazio.
Ergo o pescoço bem alto
quero contar quantas flores,
mas o que ganho são dores!
As flores, centenas delas
Num exagero , diria, milhares
aviltando com a formosura
o mundo devastador, já tão pobre
de doçura!
Vou dormir. Sonho com ela
Estou amando embaixo dela
O beijo tem a cor da flor
E o gosto...nossa!
O gosto tem gosto de amor!
Vera Popoff
Olha , no topo da colina
Dentro do meu quintal
Um ipê rosa florido!!
Majestoso, alto, imponente
Não me diz a sua idade
Também não sei calcular...
Perdi a lição de botânica
Vamos lá. O que sei sobre a árvore?
É frondosa e tão bonita!
Deslumbramento que minh'alma, fita!
Descama as folhas no chão
descanso num tapete macio
e vai-se do coração, qualquer vazio.
Ergo o pescoço bem alto
quero contar quantas flores,
mas o que ganho são dores!
As flores, centenas delas
Num exagero , diria, milhares
aviltando com a formosura
o mundo devastador, já tão pobre
de doçura!
Vou dormir. Sonho com ela
Estou amando embaixo dela
O beijo tem a cor da flor
E o gosto...nossa!
O gosto tem gosto de amor!
MEU JARDIM
MEU JARDIM
Vera Popoff
O meu jardim é tão simples!
Eu diria, um jardim, assim como eu,
caipira!
Exubera na singeleza!
Sem planejamento, os galhos são brotados
Sem definida arquitetura, as flores ocupam espaços
A festa é das joaninhas, besouros, abelhas e beija-flores!
Minhocas escorregadias fazem seus túneis e avançam
terra adentro.
Mas meu jardim tem coração e alma
Inspira uma formosura harmônica e desenhada
Mesmo que alguma dor resista
O jardim está lá...sempre à vista!
MULHER DE TRINTA
MULHER DE TRINTA
Vera Popoff
Vera Popoff
Houve o tempo de viver extasiada
Ágil e bela mulher de trinta!...
Venturosa e bonançosa
Tão bem arrumada e vaidosa!
Os gestos tão delicados...
A sedução disfarçada
O pudor, no sorriso, desmentido.
Ágil e bela mulher de trinta!...
Venturosa e bonançosa
Tão bem arrumada e vaidosa!
Os gestos tão delicados...
A sedução disfarçada
O pudor, no sorriso, desmentido.
O prazer de sentir-se bonita
quando alegre,
quando triste
O brilho no olhar confiante,
exuberando
como a luminosa luz da aurora!
Envelhece a mulher de trinta...
Já não é ágil, nem bela
Alguma ventura e a serenidade.
Sobrevive , uma sutil vaidade
Os pés são doídos! Suportam apenas,
alpargatas folgadas, relaxadas!
As mãos insistem no labor, mas cansam-se,
São manchadas e desgastadas
O corpo mal aguenta o peso do tempo
Na alma , um botão de flor,
vagarosamente... tenta desabrochar!
quando alegre,
quando triste
O brilho no olhar confiante,
exuberando
como a luminosa luz da aurora!
Envelhece a mulher de trinta...
Já não é ágil, nem bela
Alguma ventura e a serenidade.
Sobrevive , uma sutil vaidade
Os pés são doídos! Suportam apenas,
alpargatas folgadas, relaxadas!
As mãos insistem no labor, mas cansam-se,
São manchadas e desgastadas
O corpo mal aguenta o peso do tempo
Na alma , um botão de flor,
vagarosamente... tenta desabrochar!
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
MANIA DE FOTOGRAFIA
MANIA DE FOTOGRAFIA
(Vera Popoff)
Com mania de fotografia
Eu fotografei o jardim,
incluindo um pé de jasmim!
Fotografei passarinho,
O céu lindo e azulzinho!
Fotografei as nuvens branquinhas
deslizando como ovelhinhas!
Fotografei um ipê amarelo florido!
A quaresmeira , com ciúme,
Arroxeou-se toda... para ser fotografada
Mas é muito vaidosa , de beleza exagerada!
Fotografei outra fotografia antiga
com a cor muito desbotada!
Fotografei gente bonita e amada!
Fotografei a cadeira pintada
a mesa do antiquário, restaurada.
Depois...quis fotografar algumas lembranças
Busquei fotografar a esperança
Tentei fotografar as minhas saudades
Só consegui fotografar ...
o silêncio e a solidão!
Ai, como dói o meu coração!!
(Vera Popoff)
Com mania de fotografia
Eu fotografei o jardim,
incluindo um pé de jasmim!
Fotografei passarinho,
O céu lindo e azulzinho!
Fotografei as nuvens branquinhas
deslizando como ovelhinhas!
Fotografei um ipê amarelo florido!
A quaresmeira , com ciúme,
Arroxeou-se toda... para ser fotografada
Mas é muito vaidosa , de beleza exagerada!
Fotografei outra fotografia antiga
com a cor muito desbotada!
Fotografei gente bonita e amada!
Fotografei a cadeira pintada
a mesa do antiquário, restaurada.
Depois...quis fotografar algumas lembranças
Busquei fotografar a esperança
Tentei fotografar as minhas saudades
Só consegui fotografar ...
o silêncio e a solidão!
Ai, como dói o meu coração!!
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