sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

CÉSAR BRANDÃO

CÉSAR BRANDÃO

                                                     Vera Popoff

Pede-me desculpa por intrometer-se na poesia?
Eu digo-lhe :-Grata, muito grata pelo seu tempo dedicado,
pelo trabalho empenhado e pela delicadeza registrada no seu comentário.
Fala de saudade ...sentimos a saudade dos amados
E ela , a danada, alimenta nossas almas de lembranças,
enriquece os corações de ternura, alimenta os momentos
                     de solidão.
César Brandão...é tão antigo dizer que colhemos o que semeamos
Tento semear um pouquinho de poesia ,a mais simples e despretensiosa, a poesia do cotidiano, da observação, escrita
na solidão de um lugar que escolhi para viver.
Lugar entre árvores e pássaros , flores e colibris,
com sabiás cantadores e juritis que lamentam.
Semeio minhas tão simples palavras  e colho amigos que as recolhem, decifram  e fazem-me tanto bem. Muito obrigada.

Ah...antes que me esqueça. Caminhamos do mesmo lado...
           Á esquerda, buscando as mais lindas utopias!
           A nossa hora está se aproximando.
           Aglutinemos as nossas energias, pois ele, LULA,
                       conta conosco.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

ERA  MENTIRA
                     Vera Popoff
Era mentira.
Era mentira aquele povo cordial, simples e misericordioso.
Era mentira aquela solidariedade, os vínculos fraternos.
Era mentira o sorriso franco e o coração aberto.
Era mentira o espírito cristão, a caridade, a ternura.
Era mentira a visão e a alma abrangentes, grandes, tão iluminadas!
Era mentira "o sol da liberdade em raios fúlgidos e as margens plácidas"
Era mentira "o sonho intenso, o raio vívido, de amor e de esperança descendo à Terra!"
"Mas se ergues da justiça a clava forte"...ou a clava  nas garras de justiceiros , omissos e coniventes com as barbáries?
Que tempos!  No peito, uma inquietação, uma desolação, uma grande desilusão!
Mas no mesmo tempo da dor, um vigor, uma enorme vontade de resistir, de falar com as pessoas, de ouvir ao mais sensíveis, os mais sábios, de ler artigos esclarecedores, de trocar olhares e sorrisos para amenizar o desassossego.
Não tenho ideia de como fazer, mas precisamos fazer virar verdade... o que era só uma mentira.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

AOS MEUS NETOS NATHÁLIA E WILLIAM

AOS MEUS NETOS NATHÁLIA E WILLIAM
                                                                         Vera Popoff

Ah...crianças ! Enfim , foram gerados
no interior dos nossos corações!
Chegaram tímidos e arredios
Chorosos , desconfiados
Com receio de mais uma vez...não serem amados!
Olhos desenhados num rascunho
Almas talhadas na dor
Risos embutidos e a voz ...rouca , enrolada
                  travada.

Mas o sol , nas suas vidas, apagado
Eis que encontra o seu brilho de esplendor!
O movimento começou
A energia foi  renovada
E os olhos , que eram um rascunho,
estão delineados, vibrantes. Que lindo sonho!
A alma reconstruída,
O risos tão fartos , agora
A voz ...segue livre, sem rouquidão
Mas ...e o coração?
Bate , requebra e ensaia uma dança
A dança do amor e da confiança.
Vamos, crianças!
A vida os espera, radiante!
As tempestades passaram
As manhãs estão renovadas e iluminadas!
Abracem a aurora, pois o dia...
           só começou.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

EXILADA DE MIM

EXILADA DE MIM
                                        Vera Popoff

Parti para um exílio inesperado
Depois  de um bravo combate perdido
e dos sonhos tão subtraídos
e da solidariedade esquecida e
das  ilusões reprimidas e do sorriso
se transformar num reflexo, apenas,
condicionado...resolvo partir para o exílio
              de mim.
A palavra , um dia fácil, já não é fluente
E  o entusiasmo já não é presente
A essência tem fragrância descontente
Os passos perderam aquela harmoniosa  cadência
Transformei-me num sujeito sem o predicado
Num verbo intransitivo...sem complementos.
Num objeto direto...de frustrações.
Melhor é partir...
Um exílio que me imponho.
Afinal,  o tempo é instável, nada risonho.
Perseguirei outros encantos ( aqueles possíveis)
Tentarei novos rumos,  mais instigantes
Sigo...olhando adiante.
Devem existir laranjeiras , ao longe 
e sabiás cantantes,  e flores de abril.
Levo apenas um livro e um cantil
Num embornal cabe a bagagem
Um retrato de Che Guevara para inspiração
nas novas lutas . Desejo-me ...uma boa viagem.

NÃO HÁ PEÇA QUE ME IMPEÇA

NÃO HÁ PEÇA QUE ME IMPEÇA

                                        Vera Popoff
O corpo já desgastado, mas
suficientemente inda bem tratado,...
Prega-me uma aborrecida peça
E fica doente , outra vez!!


Tremores, fadiga, cansaço
Já sem a leveza de um sanhaço
Arrasta-se entre as paredes
Da janela sem resplendor.

Os olhos turvados e moles
Procuram a luz d'uma fresta
Quem sabe , a vista de raio vindouro
Faz da manhã , um momento brilhante,
           vestido de ouro.

O corpo doente, a alma temente
Juntos prometem , clamam  e rezam
Vislumbram lá "trás da colina"
Um pé da energia d'uma menina!

O corpo meio esgotado
Deseja um colchão macio,
um livro e um acolchoado
Mas a alma inusitada
quer mais, muito mais...
Quer vida iluminada!

Diz a alma ao corpo que já tropeça:
-Não há peça que me impeça
de fazer valer meu direito
de remendar , colar, transformar
a vida...num recomeço!!

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O VALE

O VALE
              Vera Popoff

Habito num estreito vale
entre matas e montanhas,
próximo ao Morro do Sabó!
O lugar parece triste para quem avista
E o lugar é mesmo triste para minha vista.
É mais triste ainda para o meu coração
Meu coração trouxe para cá...um passado
        nunca esquecido
Uma saudade jamais vencida
E por isso...aqui entrei  chorando.
Permaneci amuada, cansada com as coisas
           amadas que perdi.
Cheguei querendo partir
Fiquei... desejando não ficar
Dias maçantes...um atrás do outro...
sem nada acrescentar à alma, então, vencida
Nem mesmo  a sensação de estar dividida.
Não , não! Sempre inteiramente decidida
Estou fora do meu espaço
O Morro do Saboó , avistado lá adiante,
             não me aconchega.
Com a mania de semear,
 fui semeando, sem ilusão,
mas semeando.  Sem planejamento,
sem ansiedade pela brotação, sem contentamento,
apenas para  passar o insonso tempo.
E teimosamente, tudo foi brotando
Nenhum galho se importando
com a minha tristeza.
Nenhum dos sóis nascidos ,
próximo ao Morro do Saboó,
deixaram de brilhar
com o tanto de  desencanto vivido.
O Universo desconhece nossas agonias,
os maus gostos , os desgostos.
O universo rege as suas leis
Independente dos sentimentos humanos
             e banais.
O Universo é maiúsculo demais
para os nossos olhos.
E nós somos minúsculos demais
 para a grandeza do Universo.
E próximo ao  Morro do Saboó,
num triste vale, vou semeando,
pois tenho a mania irritante de semear
Um  jeito impertinente de viver e produzir
Até mesmo quando juro por Deus:
-Agora eu vou desistir!

E passam os dias...próximo do Morro do Sabó
Nunca espero um amanhã.
Mas  regozijo-me calada
a cada inesperada manhã!

MAL ESTAR

MAL ESTAR
                             Vera Popoff

Um mal estar repentino
E o dia , então equilibrado, vira desatino!
O que estava bonito, enfeia-se , descorado
E o sorriso aberto e franco  fica trancado.

Não sei se foi uma saudade insuportável
que derrubou a alegria imensurável
Não sei se foi uma mágoa que não morre
Que destruiu  a  leveza fingida de um porre.

 O corpo dito resistente,  enfraqueceu
A energia permanente,  esmoreceu
Um pranto quase foi derramado, mas
    dissipou-se  no ocaso.

O que era pensante e inteligente
perdeu a clareza na neblina da tarde.
E a certeza da felicidade, apesar de tudo,
O encanto azul daquele céu
Perderam-se frágeis, ao léu.

São daquelas coisas inexplicáveis
que trazem à tona duras  razões e desilusões
           incontroláveis.
Foi só uma tarde infeliz
É o que uma sensação mediúnica
          assopra e diz!