domingo, 18 de fevereiro de 2024
quarta-feira, 6 de dezembro de 2023
domingo, 22 de outubro de 2023
ENVELHECIMENTO
ENVELHECIMENTO
VERA POPOFF
Espirro, soluço, rio, tusso e...
escapa xixi. Vou tomar outro banho, meio banho, higiene a cada hora, metade da hora, um quarto da hora. Está tudo bem. Faz parte do envelhecimento.
Meus pés doem, ficaram tortos, passei a calçar numeração quarenta. Com uma metro e cinquenta e oito de altura e calçando quarenta. Vou levando. afinal...envelheci.
Pés tortos, xixi na calça, todo tipo de dor, dentes quebrados, mastigação péssima, anticoagulante em dose cavalar impedem-me ter certos cuidados que sempre foram a minha rotina.
Crises de tristeza profunda, ansiedade com rajadas de 100km/hora , barulho insuportável dos vizinhos.
Rejeição forte ao lugar onde vivo, restrição de movimentos , fim da liberdade de ir e vir sem depender de ninguém . Já não sou quem fui, não rio, não choro, mas exaspero-me. Tudo junto misturado.
Mas a dor que mais dói é ter perdido a alegria. O traço marcante desta longa vida foi sempre, a alegria. Perdi...perdi...perdi...
Que fase cruel. A paz e o alento, nas madrugadas e só. Já não faço questão de dormir . Penso em trocar , brevemente, o dia pela noite. Deitar e dormir após o almoço e levantar ás 22 horas .Passar a madrugada, que já é meu consolo, meu tempo, meu espaço.
Envelhecimento do corpo é normal. Passamos por isso. Incomoda , mas é suportável.
Mas o envelhecimento da alma dói tanto, tanto que já somos alguém que nunca fomos.
O vazio. Só o vazio...
sábado, 16 de setembro de 2023
segunda-feira, 4 de setembro de 2023
domingo, 13 de agosto de 2023
segunda-feira, 10 de julho de 2023
domingo, 27 de junho de 2021
SEM AMIGOS
SEM AMIGOS
Vera Popoff
Amigos?
Eram muitos
Eram tantos!
Hoje, já não tenho boca esfaimada de palavras
para trocar com alguém,
para casos que interessam,
para risos que comemoram o nada.
Alguns se despediram e partiram
outros , os despedi e sumi,
tantos deles, já não lembro-me , semblantes
outros, não valeram levar adiante.
Eu ria , cercada , envolvida, sentindo-me querida
Quando me dei conta do vazio,
da boa palavra na crucial hora,
juntei meus retalhos e fui embora.
Acabei aqui, onde sempre , na verdade, estive...
só!
Não! Nenhuma dor ou saudade
A solidão curou-me de anseios tolos,
de encontros desnecessários,
de troca dos favores frívolos
da risada amarela de angústia
do saco cheio do disfarce alegre.
Percebi tarde, mas em tempo
de estudar-me por dentro,
do autoconhecimento e do gozo
que é a solidão sincera
comigo mesma.
Feliz? Nem sei
Felicidade nunca foi sonho.
-a bravura de viver como quero
-a coragem de ser e não ter
-a paz de nunca pedir perdão
eu mesma afago o meu coração.
enfim, sou deveras Vera!
sábado, 26 de junho de 2021
DOIS MIL , NOVECENTOS E TRINTA E TRÊS DIAS
Dois MIL, NOVECENTOS E TRINTA E TRÊS DIAS
Vera Popoff
Dois mil, novecentos e trinta e três dias
contados um a um, riscados no calendário,
escritos em cada parede:
-Amanhã , vou embora!
e não fui...
Dois mil, novecentos e trinta e três dias
sonhando dormindo e sonhando acordada
com a partida, a despedida, com vida desinibida.
Dois mil, novecentos e trinta e três dias
Tão pobres de alegrias e cheios de agonias.
Do que me serviu tanto enfastio?
Como não cumpri este desafio?
Travada ,com a cara encharcada
da lágrima solta
Vestida com roupa rota,
acima do peso
abaixo do enlevo.
TENTANDO ESCREVER UM SONETO
TENTANDO ESCREVER UM SONETO
Vera Popoff
Faz tempo que não escrevo
Faz horas que nada leio
Faz anos que nada atrevo
Começo e paro no meio.
Transformei-me numa amadora de ações
Tudo que faço acaba depressa demais
ou perdura e machuca tantos corações
Nem eu mesma já ouço os meus" ais ".
No pensamento, mil ideais
nunca passam do imaginário
sou enganada por qualquer otário.
Sigo assim ..matando o tempo
Já nem sei onde dói e porque dói
tampouco qual é o mal que me destrói.
CASA SEM NÚMERO
CASA SEM NÚMERO
Vera Popoff
Moro numa casa sem número
Rua tal e qual, S/N
Bairro sem nome
Cidade sem referência
Cheguei de endereço sem procedência.
Colocaram-me aqui
- Mas não quero viver aqui!
Não é o meu lugar, tampouco meu lar.
--Faremos que fique, ainda que aborrecida, pois , pois,
estás na porta do sol!
mas a mim não aquece
o tal sol.
por mais que tente, jamais sou
contente
Lá se foi quase década
É tempo demais tentando não desgostar
pinturas, desenhos, retalhos
calculados em polegadas, costurados e
nada adianta
a casa está sempre feia, tão feia
sem o meu reconhecimento
sem dela receber um acolhimento.
Fui ficando, por fraqueza de espírito,
por falta de fé,
por num deus, já não crer
sem saber o que é querer.
Não tenho o comando da vida
encarcerei-me...
pois daqui jamais sairei.
aqui, desgraçadamente, morrerei.
joguem as minhas cinzas no esgoto
do Rio Tietê.
ENTRE MUROS
Vera Popoff
Entre muros opressores
Levantados por alguns vis enganadores
vou fingindo que respiro
interpretando a mulher coragem
uma grande mentira, a falsa miragem.
Condenada à sentença pesada
sem direito ao habeas corpus
por um dia, uma hora , um minuto.
Trancafiada numa cela do desprezo
sou meu próprio carcereiro
controlo o espaço desanimador
sem horizonte
sem a fonte de beber
sem o meu livro rasgado para ler.
a cara no muro
a energia já falecida
a esperança desaparecida
Oh...mulher fiteira!
queres mais do que tem?
- quero só o meu sonho
que foi roubado
quero o caminho de volta
um atalho
um retalho para remendar ,
cerzir , consertar
a vida fingida que me foi destinada.
quinta-feira, 23 de abril de 2020
A RUA ONDE NÃO PASSA NINGUÉM
Vera Popoff
( Vera Popoff)
Na rua da minha casa não passa ninguém!...
Só passam o silêncio, o sossego e a solicitude,
também!
Minha casa fica no final da rua sem saída,
onde não passa ninguém!
A rua tem ladeira, é bem cuidada, é abençoada!
A rua da minha casa é esquecida, tem jeito de rua bucólica
mas enxergo nela, um pedaço de mim.
Sou a prefeita da minha rua
Quem cuida dela, sou eu,
mesmo cansada, meu desvelo com a rua
continua.
É apenas uma rua...
onde não passa ninguém!
Eu gosto de morar na rua onde não passa ninguém!
Saio no portão e vejo animal de rastro,
lagarta virando borboleta,
lagartixa acuada, perdendo a cauda, com medo
do gato que vive no mato!
No fundo, um riacho escondido do homem.
Meu vizinho é camarada ,
nos tem consideração.
E nós lhe devolvemos a atenção!
Ele viaja lá e cá , pouco fica na rua
onde não passa ninguém!
Engana-se aquele que pensa
que a rua que espreito é triste, sem recompensa!
Tem raio de sol na monotonia!
Tem debruçada sobre ela , a lua!
Tem estrela d'alva que se insinua e solta o brilho na rua
onde não passa ninguém!
A rua termina num arvoredo... preservado!
Nele moram o quati , o sagui agitadiço, atiradiço!
O sagui não vacila e não paga mico,
faz da mata, um rebuliço!
Tem gavião carrapateiro e tem o carcará
que "pega, mata e come!"
O céu é o guardião dos bichos, da mata e da rua
onde não passa ninguém!
O nome da rua onde não passa ninguém
é -COELHO NETO- "o príncipe dos pensadores"!
Eu me pergunto:- o que o pensador pensaria da rua
onde não passa ninguém??
(Coelho Neto)
A VIDA VAI TER QUE ESPERAR
Vera Popoff
VIDA VAI TER QUE ESPERAR
Vera Popoff
Saí na madrugada
Minh'alma estranha e gelada...
Uma tristeza arretada
Preciso de espaço e sigo a caminhada
Sinto o coração bater
O som é de premonição
Será que piso o grande inimigo?
Será que posso cumprimentar um amigo?
Será que a rua está bem lavada?
Será que posso alimentar o gato?
Será que a lua se importa com o terror do fato?
Será que alguém espreita o meu rastro?
Será que inspiro o ar contaminado?
Será que os meus passos levam-me ao fracasso?
Será que posso beber a água do regato?
Será que a morte ronda-me, de fato?
Será que é permitido andar este passo?
Será que encontrarei alguém no pedaço?
Perdi o rebolado
Ao ser assediada:
- Vai para casa , senhora!
- Já não posso caminhar, seu moço?
-A rua é erma
-A madrugada é escura
-A manhã inda não foi maculada
-Antes do sol nascer estarei de volta!
Não adiantou a insistência:
-Volta pra casa, senhora!
O perigo lhe ronda
O inimigo lhe sonda
A TERRA é redonda
Gira sisuda envolta em pesada sombra.
Dei meia volta
Um temor me assola
A angústia me enrola!
A caminhada está proibida
A alegria está inibida
A vida vai ter que esperar
A solidão do isolamento
O medo, meu grande tormento
A vida vai ter que esperar...
CORAÇÃO FECHADO
VERA POPOFF

Vera Popoff
Acordei muito cedo
Madrugada fria, triste aurora.
Vou me deitar muito cedo, antes da chegada da lua.
Não a quero desapontada com a minha tristeza tão crua, tão exposta, tão nua!
Com a solidão diante de tanta frieza.
O descaso com o sofrimento , com morte.
Um capitão cor de cinza, escarrando
o horror, o sadismo , a má sorte.
Um general debochado, quer boa notícia
sobre as covas compartilhadas.
Um juiz pateta, nem sabe o que diz,
se ri com o canto da boca tão suja,
tão desinfeliz.
Um deus pequenino clamado:
- deus acima do esgoto !
Que tempo tão cruel e maroto.
As mortes contadas em números.
Perderam seus nomes, seus filhos,
suas mães e seus pais
Ao coveiro da nação
não importam mais.
A ansiedade do dia:
-morreram duzentas?
-morreram trezentas?
-ah, foram cem?
Que importância isso tem?
Não, não tenho mais Pátria!
Meu coração fechou sua porta
Nele já não cabe
A terra de homens cruéis,
onde teimei em nascer
Não posso mais com tanto revés
Vou me deitar
Preciso sonhar
terça-feira, 21 de janeiro de 2020
HORA DA VERDADE
Vera Popoff
Enfrentas , corajosamente , o espelho!
Sem o batom para disfarçar,
Sem o rouge de corar
Sem a meninice anos sessenta
Nenhum detalhe para simular o tempo.
O espelho e tu
Tu e o espelho,
sem pudor, sem mentiras,
sem segredos e sem medos.
Pois bem, mulher!
Nada de promessas.
Anda, confessa!
A promessa de ontem
não foi cumprida
A de hoje, já esquecida.
Não dissimula, estás cansada!
O vigor já não ultrapassa o teu dissabor
O exaurimento venceu o encanto
Calou o teu canto!
Tua boca emudeceu, mas
a teimosa esperança, recrudesceu.
Vê o contraponto,
A tua vida , nem tão suave,
alcançou o impalpável ,
e inda está acesa
Um relume visita o teu semblante
Vai...segue adiante!
O teu espelho , enfim, reflete uma miragem
Vive, inabalável, a tua coragem.
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
SOMOS MUITOS, SOMOS TANTOS!
Vera Popoff
Eu não pude mais cultivar amizades que faleceram dentro do meu peito.
Tentei rememorar o passado...
Espremendo, quem sabe, sentiria
o gosto do doce suco
das amizades vividas, antigas!
Não valeu. Brotaram e não vingaram.
Num solo desnutrido de afeição,
de boa vontade, pobre de amor
não brotam sementes,
não vingam as ramas verdes de vida esperançada.
Melhor ficar só...pensei.
E fiquei só. Longos anos na bolha.
Pensando, autoterapia, revendo o filme da vida.
A menina orgulhosa da luta pela liberdade!
A dor dos murros, os socos, as humilhações, o sangue!
A sobrevivência, pós traumas,
A frenética busca e
o reencontro com a própria alma.
O encontro com um líder
A afeição à primeira vista.
O reconhecimento e a premonição:
-EIS, O HOMEM!
O olhar para frente!
Sonhos compartilhados
Utopias campeadas
O garimpo das mais doces ilusões,
que adiante, viraram a mais bela realidade vivida pela Nação.
Sem miséria
Sem fome
Sem egoísmo
Sem ódio
Sem preconceito
Na história, está escrito.
Vencidas as saudades antigas
Descartadas as frivolidades
A construção de um tempo novo
Com encontros , também, novos.
As conquistas invejadas e atraiçoadas
pelo ódio, pela ganância.
Nossas dores gemidas, juntas.
Tentaram massacrar nossas ideias e
macular as nossas crenças.
Em vão!
Somos muitos
Somos tantos
Somos gente
Somos resistência
Somos a insistência
Somos abnegados e honrados
Somos humanos
Somos gentis e profundos
Somos valores deste mundo!
Somos a esperança da Terra!
Viva, Lula, que não desiste nunca!
Muitos abraços num só abraço .
O abraço da verdade cristalina
O abraço da fraternidade
O abraço da vida!
A brava luta do amor,
segue!